Farmacêuticas repassam alta do dólar ao consumidor

Medicamentos devem ficar entre 2% e 3% mais caros, em função da redução dos descontos nos preços; oferta de remédios pode cair, com suspensão da produção

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SÃO PAULO – A forte valorização do dólar nos últimos meses já começa a causar impacto em diversos setores da economia, principalmente aqueles dependentes de insumos importados, como é o caso da indústria farmacêutica. De acordo com a Febrafarma (Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica), o setor já enfrenta defasagem entre 15% e 18% desde o último reajuste dos preços realizado em janeiro de 2002.

Vale lembrar que na época em que houve o reajuste, o dólar estava oscilando em R$ 2,36. Atualmente, a moeda norte-americana está sendo cotada a mais de R$ 3,50 no mercado de câmbio. No acumulado do ano, o dólar já registra ganhos superiores a 60% em relação ao real.

Farmacêuticas repassam custos para consumidores

No entanto, os reajustes dos preços devem ser previamente autorizados pelo governo federal, tanto o preço referencial de fábrica como o preço final ao consumidor. Dessa forma, as farmacêuticas não têm livre-arbítrio para reajustarem os preços dos medicamentos devendo seguir uma tabela fixada pela Câmara do Medicamento, órgão ligado ao Ministério da Saúde.

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Portanto, a alternativa mais viável para driblar a forte elevação dos custos de produção é reduzir os descontos concedidos aos distribuidores e drogarias, que conseqüentemente, devem reduzir ou cortar de vez, os descontos fornecidos aos seus clientes.

Segundo o setor, os medicamentos que já fazem parte dessa política alternativa de reajuste são em maioria remédios de uso continuado, como aqueles que tratam doenças cardíacas, de hipertensão e de diabete. Esses medicamentos são os mais consumidos no país, e para ganhar participação no mercado, as farmacêuticas e os laboratórios ofereciam desconto aos consumidores.

Remédio deve subir entre 2% e 3%

Com a alta do dólar, o mercado estima que nos próximos meses, os medicamentos devem sofrer aumento entre 2% e 3% no preço final ao consumidor. De acordo com representantes do setor, o repasse do custo seria inevitável, principalmente, se levarmos em conta, que diante da forte concorrência no setor, os laboratórios e as farmácias são obrigados a trabalharem com margens de lucro baixas.

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Segundo a Abafarma (Associação Brasileira do Atacado Farmacêutico), dos 20 laboratórios instalados no país, cinco já começaram reduzir os descontos fornecidos as distribuidoras em pelo menos dois pontos percentuais.

Outras empresas adotaram a política de cortarem produção, até a situação no mercado de câmbio ficar mais estável. O laboratório Biosintética anunciou que suspendeu a fabricação de diversos medicamentos em função da alta do dólar. Cerca de 90% dos insumos usados pelo laboratório são provenientes do exterior.