Vendas de carros a álcool disparam com alto custo da gasolina

No acumulado do ano, o volume de vendas dos carros a álcool foi 82,45% maior do que o volume registrado no ano passado

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SÃO PAULO – O que você faria se estivesse pensando em comprar um carro e tivesse que optar entre o modelo a álcool ou a gasolina? Há um tempo atrás certamente optar por um carro a álcool era algo que a maioria das pessoas não consideraria, já que os carros movidos a álcool consomem mais combustível, de forma que o custo mais baixo acabava não compensando.

Vendas no ano aumentaram 82,45%

Contudo, essa visão está sendo mudada, já que a procura pelos modelos a álcool aumentou significativamente ao longo do ano. No acumulado entre janeiro e setembro de 2002 as vendas atingiram cerca de 33 mil unidades, o que representa um aumento de 82,45% na comparação com o volume de vendas registrados no mesmo período em 2001, quando foi registrada a venda de 18 mil veículos.

Em setembro foram vendidas 5.839 unidades, 25,76% a mais do que o registrado em agosto. Ainda em relação aos dados de setembro, a participação dos carros a álcool no mercado durante o mês passado foi a maior desde janeiro de 2000, registrando crescimento de 5,1%.

O principal motivo para a migração dos modelos à gasolina para as unidades a álcool está relacionado ao constante aumento do preço da gasolina nos últimos meses, influenciado pelo aumento do petróleo no mercado internacional e pela alta do dólar frente ao real.

Desta forma, o alto custo da gasolina acabou levando muitos motoristas a não usar mais seus carros para viajar ou a evitar o uso como meio de transporte para o trabalho. Como o preço do litro do álcool custa em média 60% a menos do que a gasolina, diante da perda de poder aquisitivo ocasionado pelo aumento da inflação nos últimos meses, boa parte dos motoristas decidiu escolher a opção mais econômica.

Donos de frotas e taxistas têm incentivos fiscais

Os principais compradores destes modelos ainda são os motoristas de táxis e donos de frotas, isto porque ao optarem pela versão do veículo à álcool eles passam a ser beneficiados pelos incentivos fiscais do governo, recebendo descontos de até 20%. Mas o desconto não está limitado apenas aos taxistas, os motoristas comuns também têm descontos na compra do carro a álcool, de cerca 5%.

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Na década de 90 os veículos movidos a álcool chegaram a responder por cerca de 90% da frota nacional, contudo, atualmente este número está bem abaixo, cerca de 3% da produção. A estimativa é que os consumidores passem a olhar mais para os carros a álcool aquecendo o mercado novamente, mas para que isto seja concretizado será preciso re-conquistar a confiança do motorista promovendo vantagens para a escolha destes modelos.

Espera pode chegar a 40 dias

A procura aumentou tanto que o tempo médio de espera na compra de um carro a álcool é de cerca de 40 dias, pois como não há estoques do produto é preciso fazer o pedido para as montadoras e esperar a entrega.

Engana-se quem acredita que o consumidor acaba desistindo da compra do carro a álcool diante da espera de mais de um mês, para o consultor da Fiat, Jack Tamman, o consumidor que quer um carro a álcool não muda de idéia. Tamman estima que 15% dos consumidores que entram em uma concessionária para comprar um carro novo busquem um carro a álcool, que afirma que o cliente interessado neste tipo de veículo em geral busca um carro de motor 1.0.