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SÃO PAULO – No início de outubro, as companhias aéreas adotaram um reajuste médio de 16% no preço das passagens aéreas, responsabilizando o reajuste no aumento de 16,3% no querosene de avião. Considerando que o querosene responde por entre 20% a 25% do custo total das companhias aéreas, a expectativa era de que o impacto final no custo das passagens fosse de no máximo 4%.
Contudo, como a alta do dólar acabou aumentando outros custos do setor, como o aluguel de aviões ou as peças usadas na manutenção das aeronaves, as companhias aéreas acabaram optando por um reajuste muito maior, de 16%, para repor as margens.
Querosene pode subir novamente
A grande preocupação, no momento, é de que a Petrobras anuncie um novo reajuste do preço dos combustíveis no final deste mês, uma vez que o dólar segue pressionado.
O setor trabalha com a expectativa de que seja anunciado um reajuste de 10% no querosene de avião no próximo dia 1º de novembro. A expectativa se justifica, já que em setembro o dólar oscilou entre R$ 3,10 e R$ 3,75, mas em outubro voltou a subir passando a oscilar em uma faixa entre R$ 3,65 e R$ 3,99.
As companhias se preocupam porque até o momento não foram capazes de repassar integralmente o aumento da sua base de custos para os consumidores, de forma que um novo reajuste dos combustíveis forçaria o setor a rever novamente seus preços.
Repasse está cada vez mais difícil
Contudo, como lembra o vice-presidente da TAM, Wagner Ferreira, não parece haver espaço para novos reajustes de tarifas, uma vez que o número de passageiros no mercado doméstico tem registrado queda desde agosto. Esta percepção é dividida pelo presidente da Varig, Roberto Macedo, que afirma que as vendas de passagens caíram 3% no mês de setembro. Para o vice-presidente da TAM, o setor aéreo está se tornando inviável com a alta do dólar, já que a dependência sobre a moeda norte-americana chega a 55%.
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Por último, o setor reclama que estaria havendo abuso no aumento do querosene de avião, já que enquanto a maioria dos derivados, como a gasolina, registra alta de 30% nos últimos 12 meses, o querosene acumula alta de 105%. Exatamente por isto o Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (SNEA) entrou com representação contra a Petrobras na Secretária de Direito Econômico (SDE), alegando que a estatal teria adotado aumentos abusivos.
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