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SÃO PAULO – Depois da dura queda de braço entre fornecedores e varejistas, finalmente, os fornecedores parecem estar conseguindo repassar os custos da alta do dólar. Os varejistas negociaram e até fizeram boicote de algumas mercadorias, no entanto, diante da ausência de muitas mercadorias, eles aceitaram os reajustes propostos.
Impasse chega ao fim
A forte valorização do dólar nos últimos meses acabou encarecendo o custo de produção de muitas mercadorias, em especial, daqueles que dependem de matéria-prima cotada em dólar, como é o caso, por exemplo, do arroz, do feijão e da soja. Nesse sentido, as indústrias foram obrigadas a repassarem o aumento dos custos para as varejistas.
No entanto, um reajuste dos preços nesse momento traria efeitos negativos para o varejo, visto que as vendas crescem significativamente no final de ano, principalmente no Natal. Além disso, esse reajuste acarretaria queda na demanda, prejudicando ainda mais as fracas vendas no varejo, e que devem registrar crescimento de apenas 1% em 2002, segundo estimativas da Abras.
Mesmo no caso de marcas próprias, que têm como principal característica o preço mais baixo, cerca de 40% inferior as marcas líderes, tiveram os seus preços reajustados. Apesar da ausência de custos com marketing e embalagem, a alta do dólar também causou efeitos negativos nos preços dos produtos. Dessa forma, os consumidores devem encontrar produtos com preços remarcados já na próxima semana.
Açúcar fica mais caro
O açúcar, que foi o principal alvo de desentendimento entre fornecedores e varejistas, já chegou com preço reajustado nas prateleiras dos principais supermercados do país. Mesmo o açúcar Caravelas, que estava sendo vendido como produto alternativo das marcas líderes, obteve reajuste de 45% em linha com os reajustes dos produtos das principais fabricantes do setor, a União e a Cosan.
A diferença de preços é bem pequena, enquanto o Caravelas custa R$ 1,35 nos principais mercados nos Jardins, o União está sendo oferecido a US$ 1,39.
Outro produto que também sofreu reajuste foi o arroz, que nos últimos seis meses viu o preço da saca de arroz com casca dobrar no mercado de commodities. A marca líder do segmento Camil está sendo vendida a R$ 8,64 enquanto o arroz com a marca da rede Extra está sendo comercializado por R$ 8,15, o que corresponde a uma diferença de apenas 6%.
As varejistas se defendem e alegam que a qualidade dos produtos de marca própria mudou muito nos últimos meses, conseqüentemente, o custo do produto também sofreu alterações. Através de pesquisas recentes, o setor descobriu que, ao contrário do que se imaginava, os consumidores estão mais preocupados com qualidade das mercadorias do que com o preço. Afinal ninguém quer gastar com produtos ruins.
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