Fecomércio projeta alta de até 25% nos preços do varejo em 2002

Aumento se deve ao repasse da alta do dólar, ao reajuste das tarifas públicas e queda na oferta de alguns produtos

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SÃO PAULO – A Federação do Comércio de São Paulo projeta que os preços no comércio paulista, calculados através do Índice de Preços no Varejo (IPV), devem encerrar 2002 com uma alta próxima a 25%. Até esse momento, o índice já acumula alta de 22,54%.

Inflação já é a maior registrada durante o Plano Real

No mesmo período do ano passado, a inflação acumulava alta de 8,09%. Dessa forma, o índice de 2002 já aponta a maior alta desde o Plano Real, ultrapassando o recorde anterior de 1999, quando o índice atingiu 19,29%.

De acordo com a Fecomércio, o índice começou a acelerar em setembro de 2002, em função, principalmente, da forte desvalorização cambial no período. Vale ressaltar que a cesta de produtos utilizadas no cálculo do índice pela Fecomércio é bastante sensível as oscilações do dólar.

Entre os itens que mais influenciaram a alta estavam os produtos alimentícios, entre eles, o óleo de soja (+68,9%), o pão francês (+52,3%) e o açúcar (+52,1%).
Isso porque esses produtos têm um peso bastante elevado no orçamento das famílias brasileiras e infelizmente, não podem ser substituídos por outras mercadorias que não tenham sofrido os mesmos aumentos nos preços.

Reajustes e problema na oferta também influenciaram

Também contribuíram com a forte alta nos preços do varejo, o aumento nas exportações e a queda nas importações, o que acabou gerando problemas de oferta de algumas mercadorias, em especial, das commodities. Além disto, o aumento das tarifas dos serviços públicos e dos encargos tributários também contribuíram para a aceleração da inflação.

No período entre 1995 e 1998, o índice de preços registrou tendência de queda. A partir de 1999, quando houve a maxidesvalorização, a inflação acelerou novamente, mas acabou se estabilizando nos anos seguintes, em 2000 e 2001. Contudo, em 2002, a inflação voltou a preocupar, em função dos repasses da forte desvalorização cambial no período.