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SÃO PAULO – A elevação da meta do superávit primário em R$ 10 bilhões anunciada na última segunda-feira (29) não sinaliza e nem deverá sinalizar novos cortes de gastos por parte do governo, acredita a equipe do Barclays, que também não acredita na continuidade dessas posturas de austeridade por muito mais tempo.
Esse anúncio é apenas o não aumento dos gastos, mesmo com uma boa surpresa quando se trata das receitas do governo brasileiro. Marcelo Salomon, que assina o relatório do banco inglês, lembra que as receitas cresceram 22% enquanto os gastos avançaram apenas 11% até julho. Ele também não acredita no argumento de Guido Mantega, ministro da Fazenda, de que isso permitirá a queda da taxa de juros brasileira.
“Nós esperamos que o Banco Central interrompa os apertos monetários por conta do aumento dos riscos de recessão global”, afirma Salomon, que projeta nesse cenário um leve corte na Selic.
Além disso, a expectativa é de que, sem um compromisso de austeridade prolongado, haverá uma maior volatilidade nos índices de inflação, o que, em um cenário de juros baixos, só conseguirá ser controlada em um cenário de forte deflação internacional.