Dívida pública oculta na China é risco adicional para bancos, diz Moody’s

Estoque de obrigações de governos locais no país é maior que o reconhecido oficialmente, aumentando chances de calote

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SÃO PAULO – A agência de classificação de risco Moody’s afirmou nesta terça-feira que a dívida dos governos locais na China pode ser muito maior que o estimado, o que eleva os temores sobre riscos associados a bancos no país.

Isto por que as instituições financeiras chinesas são detentoras da maior parte do estoque estimado pela agência governamental responsável pela auditoria das obrigações, cerca de US$ 1,6 trilhão. Deste montante, US$ 1,3 trilhão estaria na mão de bancos, de acordo com a Moody’s.

Contudo, outros US$ 540 bilhões não teriam entrado na conta do escritório oficial de auditoria. Além da exposição à dívida pública dos bancos chineses ser maior do que o esperado, a Moody’s entende que a chance de calote relacionado a estes empréstimos é maior.

Significado
O fato de serem ignorados pela auditoria “significa que não são considerados pela agência como exigências reais sobre dívidas de governos locais. Isto indica que são empréstimos com documentação mais pobre, que podem trazer maiores riscos de descumprimento”, apontou o relatório da agência de classificação de risco.

“Ao considerar a aparente inexistência de um plano claro e geral para lidar com esta questão, a Moody’s vê uma mudança potencialmente negativa para o cenário de crédito no sistema bancário chinês”, afirmam os analistas da Moody’s Yi Zhang e Stephen Long, responsáveis pelo relatório.

Entre os principais temores associados à China estão os de que os bancos do país vivenciem uma bolha nos empréstimos, com riscos maiores geralmente relacionados ao crédito imobiliário – retro alimentado por uma bolha nos preços de ativos do setor -, além da expansão relativamente pouco controlada da dívida dos governos locais.