À procura de referências visíveis, bolsas internacionais seguem instáveis

Mercado não define trajetória buscando sinais de recuperação nos EUA e perspectivas para a Grécia; Moody's questiona China

Publicidade

SÃO PAULO – Passado o feriado de independência nos EUA, o mercado volta a contar com a influência de Wall Street nesta terça-feira (5) para calibrar a trajetória das bolsas ao longo do dia.

Por hora, os principais índices de contratos futuros norte-americanos indicam leve alta, enquanto as bolsas europeias, já em pregão regular, seguem instáveis.

Em dia de agenda escassa de referências, investidores e analistas trabalham a procura de sinais e perspectivas para os dois principais temas que tem mexido com o mercado nos últimos tempos: crise na Grécia e recuperação norte-americana.

Sombra grega
O primeiro ainda segue visto como um ponto de interrogação para o mercado. Mesmo tendo aprovado recentemente um plano de ajuste fiscal, a Grécia ainda é vista com desconfiança pelo mercado e eventuais notícias ao longo do dia acerca da nova rodada de auxílio ao país e a negociação da rolagem da dívida a credores privados certamente terão influência sobre as bolsas.

Já os EUA, contam nesta sessão apenas com a divulgação do indicador Factory Orders (número de pedidos feitos à indústria) para balizar à quantas vai a recuperação do país pós-QE2 (Quantitative Easing 2), embora a grande expectativa da semana esteja por conta do relatório mensal de emprego de junho, a ser divulgado apenas na sexta-feira.

Moody’s questiona endividamento chinês
A China volta à pauta após a agência Moody’s questionar que a dívida pública do país pode ser US$ 540 bilhões, maior do que os números oficiais reconhecidos pelo governo do país.

Continua depois da publicidade

Em linhas gerais, isso ocorre por que municípios e províncias podem contrair crédito na China passando apenas pela auditoria de uma agência do governo, que por sua vez calcula o total da dívida pública acumulada. Assim sendo, algumas dívidas não estariam sendo reconhecidas em função de insuficiência de documentação, o que consequentemente faz crescer o risco para os bancos credores dessas dívidas.

Deixe a China para seus netos
Ainda assim, sob um prima mais amplo, o investidor Jim Rogers mantém sua postura amplamente otimista sobre o futuro da China mesmo com todos os riscos envolvendo a dinâmica e as peculiaridades do ritmo de crescimento local.

“Todo país, toda família, todo sujeito, tem seus reveses na medida em que crescem. A China terá horríveis reveses. Os EUA tiveram reveses inacreditáveis quando cresceram”, comentou Rogers à CNBC, afirmando que acredita no futuro do país a ponto de deixar ações de companhias chinesas para seus netos.

Continua depois da publicidade

Pão de Açúcar e Petro na pauta doméstica
Por aqui, investidores brasileiros contam apenas com o Índice de Preços ao Produtor – Indústrias de Transformação (IPP) referente a maio dentre os indicadores.

Com isso, o radar do mercado deve seguir voltado para o front corporativo, especialmente para novidades sobre a controversa fusão entre Carrefour e Pão de Açúcar (PCAR4) e possíveis reflexos do anúncio da nova descoberta da Petrobras (PETR3,PETR4) na Bacia do Espírito Santo.