Em ajuste, Ibovespa sobe 1,62% e interrompe sequência de seis quedas

Discurso de Ben Bernanke, PIB chinês e corte de gastos italiano ofuscam redução no rating grego; BR Foods é destaque de alta

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SÃO PAULO – O Ibovespa interrompeu uma sequência de seis quedas consecutivas e fechou o pregão desta quarta-feira (13) em alta de 1,62%, aos 60.669 pontos. O benchmark acompanhou o otimismo das bolsas internacionais por conta do alívio do mercado acerca da crise fiscal italiana, de dados da economia chinesa, além da possibilidade de novos estímulos à economia norte-americana. O giro financeiro foi de R$ 6,749 bilhões.

A queda na percepção de risco sobre a possibilidade de contágio de economias centrais da Zona do Euro foi bem recebida pelo mercado, uma vez que o governo da Itália chegou a um consenso sobre um novo plano de austeridade no valor de € 47 bilhões. A notícia ofuscou em partes o fato de a agência de classificação de risco Fitch ter reduzido o rating para títulos de longo prazo da Grécia em três níveis, após a Moody’s ter rebaixado o rating irlandês na véspera.

Nos EUA, o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, reportou que o banco central norte-americano já lista três possíveis programas de estímulo econômico, caso a fragilidade da recuperação da economia do país se mostre mais duradoura do que o esperado. Enquanto isso, no continente asiático, o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) chinês acima das expectativas animou os mercados. 

Após o término do pregão, a agência de classificação de risco Moody’s colocou o rating norte-americano em revisão para um possível corte, destacando a falta de resultados práticos em elevar o teto da dívida dos Estados Unidos.

Destaques do pregão
Na ponta positiva do índice, destaque para as ações da Brasil Foods (BRFS3, +9,77%, R$ 28,55). Aguardando o desfecho do acordo entre a companhia e o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) sobre a fusão entre a Sadia e a Perdigão, a BM&F Bovespa chegou a suspender as negociações do ativo nesta manhã, que só voltou a ser negociado às 15h15 (horário de Brasília). O órgão antitruste aprovou a fusão entre as duas companhias com algumas restrições.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

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 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BRFS3 BRF FOODS ON 28,55 +9,77 +5,76 325,29M
 JBSS3 JBS ON 5,35 +7,00 -25,38 20,85M
 CYRE3 CYRELA REALT ON 14,66 +6,23 -31,51 178,65M
 RSID3 ROSSI RESID ON 12,14 +5,47 -16,14 38,49M
 LLXL3 LLX LOG ON 4,67 +4,71 -1,27 7,08M

Em sessão na qual apenas seis papéis do Índice Bovespa encerraram as operações no campo negativo, destaque para Natura (NATU3, -1,35%, R$ 37,30) e GOL (GOLL4, -1,10%, R$ 17,95), únicas ações a registrarem desvalorização acima de 1% dentro do Ibovespa, em relação ao fechamento anterior.

No caso da companhia aérea, o movimento dos papéis reflete o anúncio de que a Moody’s revisou para negativa a sua perspectiva para o rating da empresa, citando entre diversos fatores a aquisição da WebJet, confirmada na semana passada.

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

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 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 NATU3 NATURA ON 37,30 -1,35 -19,90 35,20M
 GOLL4 GOL PN N2 17,95 -1,10 -27,85 31,19M
 TRPL4 TRAN PAULIST PN EDJ 46,51 -0,77 -8,28 10,26M
 FIBR3 FIBRIA ON 18,80 -0,53 -28,16 16,39M
 DTEX3 DURATEX ON 11,85 -0,42 -20,05 10,63M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VALE5 VALE PNA 46,38 +1,44 738,79M 551,81M 19.615 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 32,76 +0,65 395,00M 213,26M 20.298 
 PETR4 PETROBRAS PN 23,39 +1,17 357,34M 351,64M 15.303 
 BBDC4 BRADESCO PN ED 29,94 +2,53 349,02M 139,43M 24.209 
 BRFS3 BRF FOODS ON 28,55 +9,77 325,29M 61,20M 5.944 
 OGXP3 OGX PETROLEO ON 14,12 +0,21 249,53M 224,41M 12.347 
 BBAS3 BRASIL ON 26,45 +2,32 187,81M 116,31M 11.258 
 CYRE3 CYRELA REALT ON 14,66 +6,23 178,65M 65,15M 9.923 
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 10,00 +2,15 167,97M 122,74M 10.443 
 VALE3 VALE ON 51,33 +1,24 149,93M 159,37M 5.196 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)
 

Agenda
No Brasil, o Banco Central divulgou o IBC-Br (Índice Mensal de Atividade do BC), que apresentou o queda na atividade econômica, com recuo de 0,68% na passagem de abril para maio, marcando 146,06 pontos. 

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Também por aqui, o fluxo cambial acumulado de julho até a última sexta-feira registrou saldo positivo de US$ 1,521 bilhão. Os dados foram publicados pelo Banco Central.

Já nos EUA, foram divulgados os números de importação e exportação do país, vistos pelo mercado como dados complementares à divulgação da balança comercial na véspera. Enquanto isso, o Departamento do Tesouro divulgou que o orçamento do governo norte-americano registrou déficit de US$ 43,1 bilhões em junho, vindo melhor do que o esperado. 

Ainda no front internacional, o governo chinês divulgou um crescimento de 9,5% da economia do país, por conta de maiores investimentos e um grande consumo interno. As expectativas eram de um avanço de 9,4%. 

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Bolsas Internacionais
O índice Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia norte-americanas, fechou em alta de 0,54% e atingiu 2.797 pontos. Seguindo esta tendência, o índice Dow Jones valorizou-se 0,36% a 12.492 pontos, da mesma forma, o índice S&P 500, que engloba as 500 principais empresas norte-americanas, subiu 0,31% a 1.318 pontos.

Na Europa, o índice DAX 30 da bolsa de Frankfurt registrou alta de 1,31% e atingiu 7.268 pontos; no mesmo sentido, o índice FTSE 100 da bolsa de Londres valorizou-se 0,64% chegando a 5.906 pontos e o CAC 40, da bolsa de Paris, subiu 0,51% a 3.793 pontos.

Dólar
O dólar comercial registrou queda de 0,44%, cotado R$ 1,574. Enquanto isso, o dólar Ptax, que referencia os contratos futuros na BM&F Bovespa, fechou cotado a R$ 1,5754 na compra e a R$ 1,5762 na venda, baixa de 0,07% em relação ao fechamento anterior.

O Banco Central realizou um leilão de compra de dólares no mercado cambial à vista. A operação ocorreu entre às 15h37 (horário de Brasília) e às 15h42 e teve uma taxa de corte aceita em R$ 1,5745. O BC também vendeu 11.450 contratos de leilão de swap cambial reverso, 38% dos 34 mil ofertados, movimentando US$ 563,3 milhões. Com isso, o governo já realizou 21 leilões em 2011.

Renda Fixa
No mercado de juros futuros da BM&F Bovespa, os principais contratos fecharam sem tendência. O contrato de juros de maior liquidez nesta quarta-feira, com vencimento em janeiro de 2012, registrou uma taxa de 12,48%, estável em relação ao fechamento de terça-feira.

No mercado de títulos da dívida externa, o título brasileiro mais líquido, o Global 40, fechou em queda de 0,26% em relação ao fechamento anterior, a 136,26% do valor de face.

Já o indicador de risco-País fechou em alta de 1 ponto-base, aos 175 pontos.

Confira a agenda da próxima sessão
Nos EUA, o principal destaque da agenda de quinta-feira (14) será o indicador Retail Sales, que medirá as vendas do mercado varejista em junho, além do Retail Sales ex-auto, o qual ignora as vendas de automóveis. Já o Departamento de Trabalho publica os números do PPI (Producer Price Index) referentes ao sexto mês do ano.

Ainda no front norte-americano, será divulgado o número de pedidos de auxílio-desemprego (Initial Claims) na base semanal, além do Business Inventories do mês de maio.

No Brasil não está prevista a divulgação de indicadores econômicos relevantes no próximo pregão.