Bolsas devem continuar sob pressão de aversão a risco e volatilidade

No entanto, perdas recentes já podem ter aberto espaço para aproveitamento de barganhas, na avaliação de consultores

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SÃO PAULO – Fuga de investidores, volatilidade e incertezas nos EUA e na Europa. A trajetória do mercado de ações doméstico parece estar traçada nesta semana, mas já há quem veja espaço para a busca de oportunidades.

Se ainda há dúvidas entre os analistas sobre a existência ou não de barganhas, as opiniões são praticamente unânimes em apontar a aversão ao risco como uma certeza para os próximos dias.

Sintomas
“Não parece haver motivo para alta nos próximos dias”, destaca a equipe de consultores da Rosenberg. Na mesma linha, o time de análise da First Trust Advisors avalia que “os investidores decidiram reduzir sua exposição a risco”, apontando os temores de corte do rating dos EUA e a crise na Europa como causas.

Cada dia mais próximos da data apontada pelo departamento do tesouro como o limite para o pagamento da dívida, com o atual limite para endividamento, os políticos norte-americanos ainda demonstram dificuldades em se acertar.

Já na Europa, as críticas são endereçadas à indecisão em relação às medidas de ajuda a Grécia e outros países na periferia da região, o que amplia o temor de que haja um contágio em países mais próximos ao centro econômico da Zona do Euro, como Itália e Espanha.

“Somente alguma notícia que venha a mostrar alguma unidade dos líderes europeus, (…) ou mesmo acordo entre republicanos e democratas, poderá fazer o mercado tentar alguma aposta de melhora”, destacou a equipe da Lerosa Investimentos, em relatório.

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Problema interno
Mas as causas para a volatilidade não devem ser apenas externas. “O mercado acionário doméstico continua sofrendo a ‘concorrência’ das aplicações de renda fixa, sobretudo com a imprevisibilidade do tamanho do aperto monetário”, aponto Eduardo Velho, economista-chefe da Prosper Corretora.

Na próxima quarta-feira (20), o Banco Central deverá divulgar sua decisão sobre política monetária, em que se espera por uma elevação de 0,25 ponto percentual da taxa básica de juro. No entanto, especula-se sobre a adoção de novas medidas macroprudenciais, bem como sobre a ampliação do ciclo de aperto monetário.

Cautela x Oportunidade
Enquanto a maior parte dos investidores foge da renda variável, alguns já visualizam a abertura de uma oportunidade para adicionar ativos que teriam ficado baratos em relação a seus fundamentos, por conta de exageros no movimento de venda. 

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“A busca por oportunidade que algumas ações demonstram deve ser observada com serenidade, com objetivo de longo prazo”, avaliou a equipe da Lerosa Investimentos.

Na mesma linha, os consultores da Rosenberg afirmam que o saída de investidores ocorre “apesar de algumas ações estarem com baixos preços”. O conselho é manter a cautela, pois “pode ser um bom momento para a composição de carteiras de longo prazo”.