Bolsas dissipam instabilidade e ganham fôlego com decisões de BoE e BCE

Manutenção do juro básico e alívio quantitativo reduz temores sobre aperto monetário; no Brasil, reação ao Copom

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SÃO PAULO – Os principais índices de ações internacionais deixam de lado a instabilidade inicial desta quinta-feira (9) e passam a registrar leve alta, com atenções voltadas para a crise fiscal, mas temores limitados por decisões de política monetária na Europa.

No Reino Unido, o BoE (Bank of England) decidiu manter o juro básico em 0,5% ao ano, bem como sustentar o programa de compra de ativos em £ 200 milhões. Contudo, as atenções se voltam para o BCE (Banco Central Europeu), que decidiu manter o juro básico em 1,25% na Zona do Euro.

Mais aperto…
“Esperamos que Jean-Claude Trichet sinalize uma ‘forte vigilância’ (…). Na verdade, vemos uma chance de apenas 5% de que Trichet use “monitorar de perto”, o que implicaria descartar uma alta [do juro básico] em julho”, afirmou Frank Øland Hansen, economista do Danske Bank.

Além de ter um impacto direto sobre as perspectivas de crescimento econômico e de inflação na Europa, um maior aperto monetário pelo BCE pode significar também maiores dificuldades para países como Grécia, Irlanda e Portugal, aumentando o custo para rolagem de suas dívidas.

De acordo com a equipe da corretora Ativa, “na Europa, segue a preocupação com a situação da dívida soberana grega, tendo em vista a dificuldade política em conseguir apoio a mais um ‘bailout’ a países periféricos”.

… mas pressão menor?
Também no Brasil o dia é marcado pela reação à política monetária, uma vez que o Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu elevar em 0,25 ponto percentual a taxa básica de juro no País, após o fechamento do mercado. A medida esteve em linha com as expectativas para o mercado.

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Na avaliação da equipe de consultores da LCA, “à luz dos indícios de que as economias brasileira e mundial desacelerarão nos próximos meses e (principalmente) da melhora do quadro inflacionário, avaliamos que é mais provável o encerramento do ciclo de aperto em julho, com a Selic em 12,50% [a.a.]”

Os indicadores divulgados nesta manhã reforçam a trajetória de desaceleração da inflação. Enquanto o IPC-Fipe marcou variação de 0,05% dos preços na primeira quadrissemana de junho, o IGP-M revelou uma deflação de 0,09% na primeira prévia do mês.

De volta ao Brasil
Uma maior confiança do mercado na trajetória de queda da inflação pode dissipar parte das pressões sobre o mercado de ações doméstico. “Continuamos a recomendar cautela no curto prazo em função da lenta recuperação da economia dos Estados Unidos e da frágil situação fiscal de alguns países da Zona do Euro”, afirmou em relatório Marco Melo, chefe de análise da corretora Ágora.

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Ao mesmo tempo, a decisão da autoridade monetária pode reforçar o fluxo de recursos estrangeiros em direção ao País, com o maior diferencial entre o juro aqui e no exterior.

Tanto que Bill Gross, diretor-gerente da gestora de recursos Pimco, afirmou em evento da casa de research Morningstar, na última quarta-feira, que os investidores devem trocar títulos públicos dos EUA em favor dos emitidos por países como Alemanha, México e Brasil.

A sessão ainda conta com a divulgação de dados sobre pedidos de seguro desemprego nos Estados Unidos, além da balança comercial e estoques no atacado norte-americano. Ainda discursam nesta data a vice-presidente do Fed, Janet Yellen, e o presidente do Fed da Filadélpia, Charles Plosser.