Resumo semanal

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O Ibovespa teve uma semana volátil e bastante negativa. Apesar de a inflação estar dando sinais de benignidade, favorecida por questões sazonais, o índice não refletiu as melhoras e acompanhou os movimentos de pressão na cena internacional. Assim, na semana, o Ibovespa recuou 2,55% e perdeu os 63 mil pontos, fechando esta sexta-feira (10) aos 62.697 pontos.

Em uma semana onde apenas quatro papéis terminaram no campo positivo, o destaque de alta ficou com a ação do Pão de Açúcar, que avaçou 1,67% no período, cotada a R$ 67,00, o suficiente para colocá-la na liderança do benchmark. Os papéis engataram movimento de correção após as fortes perdas sofridas desde o início do mês, quando o Grupo Casino abriu um pedido de arbitragem contra o Grupo Diniz na ICC.

Por outro lado, a possibilidade de reprovação da fusão entre Sadia e Perdigão pelo Cade pressionou negativamente as ações da Brasil Foods, que acumularam queda de 10,21% durante o período que se estendeu de 6 à 10 de junho, terminando cotadas a R$ 25,25. Esse foi o maior recuo do Ibovespa na semana.

Petro e Vale
Seguindo a tendência da semana anterior, as ações mais líquidas da bolsa foram novamente penalizadas, com os papéis ON e PN de Petrobras e Vale recuando -0,49%, -0,25%, -0,89% e -0,97%, nessa ordem. No caso da mineradora, as operações da australiana Aquila Resources na mina de carvão Isaac Plains correm risco, graças às discussões sobre embarque com a Vale, que também controla a mina.

A Petrobras, por sua vez, revelou duas descobertas de petróleo e uma de gás em águas ultraprofundas em Hadrian, no Golfo do México. Além disso, a petrolífera também anunciou a descoberta de petróleo acumulado em reservatórios na bacia do Espírito Santo.

Política monetária
Dentro das expectativas, o Copom optou por uma elevação de 25 pontos-base na taxa básica de juros, levando a Selic a 12,25% ao ano. O comunicado era a parte mais aguardada da decisão e mostrou novamente as palavras “ajuste por um tempo suficientemente prolongado”, indicando que este não foi o fim do ciclo de aperto monetário.

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A semana ainda contou com outras atuações de bancos centrais. Na Europa, o BCE mais uma vez decidiu não alterar a taxa básica de juro na Zona do Euro, atualmente em 1,25% ao ano. No entanto, sinalizou para uma elevação na taxa básica de juro em julho, ao afirmar que o banco precisa manter “forte vigilância” em relação ao comportamento da inflação.

Ainda no velho continente, o comitê de política monetária do BoE anunciou a manutenção tanto da taxa básica de juro em 0,5% ao ano, quanto do programa de compra de ativos em £ 200 bilhões, conforme esperado pelo mercado.

Discurso de Bernanke mexe com mercado
A apreensão do mercado com o desempenho da economia norte-americana é grande, principalmente após os recentes dados do mercado de trabalho que frustraram as expectativas. O presidente do Fed, Ben Bernanke, discursou na última terça-feira e reconheceu que o ritmo da economia de seu país tem sido ruim. O efeito foi imediato e as bolsas americanas reverteram a tendência e passaram a operar em baixa.

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Os dados ruins, contudo, não devem se repetir no segundo semestre – o que indica que o chairman do BC dos EUA não espera um double dip da maior economia do mundo.

Crise fiscal na Zona do Euro
A crise na Grécia ainda é o assunto principal quando se trata de Europa. A agência de classificação de risco Moody’s mostrou ceticismo sobre uma participação voluntária de investidores para uma eventual reestruturação da dívida externa grega. Segundo notícia da Bloomberg, o diretor geral de risco soberano da agência, Bart Oosterveld, deixou claro que um default da Grécia poderá trazer implicações para as notas de crédito de Portugal e Irlanda.

Jean-Claude Trichet, presidente do BCE, avaliou a situação fiscal da Grécia e afirmou que é contra a reestruturação da dívida e contra qualquer movimento que não seja voluntário.

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O Danske Bank acredita que ainda há muitas questões a serem esclarecidas a respeito do plano de reformas grego e destacou que a Grécia está apenas postergando o problema. Pessimista, o Société Générale coloca em dúvida as medidas de austeridade promovidas na Europa com o objetivo de combater a crise fiscal. Na avaliação do banco, as medidas vêm se mostrando falhas, porém não existe um plano alternativo que envolva outras ferramentas para combater a crise europeia.

Agenda doméstica na semana
Por aqui, o Boletim Focus mostrou nova redução na projeção para o resultado anual do IPCA, passando para 6,22%, mas estabilidade nas projeções para o PIB em 2011, de crescimento de 4% neste ano.

Também não faltaram dados sobre a inflação. A FGV divulgou o IGP-DI, que apontou variação de 0,01% em maio, taxa inferior à registrada em abril. Indicando nova desaceleração no ritmo inflacionário, o IPCA, medida oficial da inflação no País, registrou taxa de 0,47% em maio.

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Apontando também queda da inflação, o INPC marcou taxa de 0,57% em maio, variação 0,15 ponto percentual menor do que a apurada no mês anterior. Ainda nas referências inflacionárias, o IGP-M revelou deflação de 0,09% na primeira prévia de junho, um valor 0,79 ponto percentual menor que aquele do mesmo período de maio. Por sua vez, o IPC-Fipe indicou queda da inflação ao marcar taxa de 0,05% na primeira quadrissemana de junho.

Já o IBGE divulgou que a produção da indústria nacional recuou em nove das 14 regiões pesquisadas na passagem de março para abril. Completando a agenda, a Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário de abril revelou queda de 0,1% do nível de emprego no setor, com ajuste sazonal, e as vendas do comércio varejista caíram 0,2% na comparação entre março e abril, sendo o primeiro resultado negativo após 11 meses de crescimento, de acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio.

Referências externas
Nos EUA, o Federal Reserve divulgou o Consumer Credit, que revelou avanço de US$ 6,3 bilhões no montante de crédito concedido ao consumidor norte-americano na passagem entre março e abril. Em seguida, o conteúdo do Livro Bege mostrou uma desaceleração no crescimento econômico de quatro das 12 regiões analisadas pela autoridade dos Estados Unidos na passagem de abril para maio.

Ainda no país, o nível dos estoques no atacado avançou 0,1 ponto percentual abaixo do esperado em abril, enquanto o déficit na balança comercial caiu de US$ 46,8 bilhões para US$ 43,7 bilhões entre março e abril, contra projeções de déficit de US$ 48,7 bilhões. Já o número de pedidos de auxílio-desemprego foi 4 mil a mais do que o previsto na última semana.

Por fim, o orçamento do governo norte-americano, mostrou déficit de US$ 57,6 bilhões em maio, resultado melhor que os R$ 59 bilhões esperados pelo mercado.

A balança comercial chinesa também foi divulgada nessa sexta-feira, mostrando um superávit de US$ 13,1 bilhões em maio, abaixo das expectativas do mercado, de US$ 19,3 bilhões. Tal resultado foi impulsionado pelo aumento das importações, algo preocupante para o mercado, tendo em vista o atual cenário chinês, de apertos monetários para conter inflação.

Câmbio e renda fixa
A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,597, valorização de 1,33% na passagem semanal.

No mercado de juros futuros da BM&F Bovespa, os contratos fecharam em queda. O contrato de juros de maior liquidez nesta semana, com vencimento em janeiro de 2012, registrou uma taxa de 12,40%, alta de 0,06 ponto percentual em relação à semana anterior.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado 136,41% de seu valor de face, alta de 0,037% na semana.

Já o indicador de risco-País fechou a sexta-feira em 173 pontos-base, estável na passagem semanal.