Com inflação amena e cenário externo deteriorado, alta da Selic pode ser adiada

Aumento dos riscos externos impediria alta da taxa de juros no encontro de 19 e 20 de julho, diz corretora

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SÃO PAULO – Com a inflação medida pelo IPCA nos níveis mais modestos desde o início do governo de Dilma Rousseff, as expectativas de elevação da Selic passaram a arrefecer, com projeções de analistas apontando a taxa básica de juro em 12,50% no final do ano, dando espaço para somente mais uma alta de 0,25 pontos-base.

O mercado local, entretanto, ainda esbarra na crise grega e na lenta recuperação externa. A união dos dois fatores, diz a Itaú Corretora, poderia adiar a elevação da Selic na reunião de julho do Copom.

O cenário global está mais incerto e, consequentemente, mais pessimista, diz o Itaú. “Os dados da atividade mostraram desaceleração em vários países e aumentaram as preocupações com uma reestruturação desordenada da dívida soberana da Grécia, atualmente o maior risco global”, afirmam em relatório os economistas Ilan Goldfajn e Felipe Salles.

Governo pode adiar elevação da taxa de juros
Ao unir a percepção de um controle mais forte do governo sobre os índices de inflação à deterioração do cenário externo, principalmente na Europa, o Itaú cogita que o Copom (Comitê de Política Monetária) “reavalie o balanço de riscos da inflação e decida por não elevar a Selic na próxima reunião”.

Entretanto, as projeções do Itaú para os próximos dois anos pouco mudaram, mas a percepção de risco está bem mais aguda. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ficou inalterado em 6,5% neste ano e 5,3% em 2012. O comportamento suave das expectativas de inflação, o arrefecimento da demanda doméstica e um cenário global de crescimento mais contido colaborariam para a expectativa de inflação baixa nos próximos meses.

Selic maior e crescimento externo menor
Para o final do ano, o Itaú elevou sua expectativa para a Selic em 0,25 pontos percentuais, para 12,50%, em linha com as projeções do governo. As projeções para o câmbio permaneceram em R$ 1,55 e R$ 1,65 ao final de 2011 e 2012, respectivamente, embora os riscos de depreciação do real estejam maiores com a piora na economia global.

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Parte do movimento de desaceleração no cenário externo está ligado à Grécia; outro, aos impactos do terremoto do Japão na indústria global, diz a corretora. Os sintomas estão cada vez mais claros ao mercado. Nos Estados Unidos, as projeções mais otimistas de crescimento da economia passaram de 4% para 2,5%.

Uma das exceções fica com a China, que a despeito dos esforços do governo para desacelerar a economia, continua com a expectativa de um bom crescimento na opinião dos economistas do Itaú. Para a corretora, foram dados temporários, como cortes de energia e o terremoto japonês, que afetaram os últimos dados de produção do país asiático, mais fracos que os anteriores.