Dólar segue movimento externo e avança forte em dia de aversão ao risco

Governo fechou mais uma brecha no mercado cambial; dados da agenda norte-americana e chinesa preocupam, e commodities recuam

Publicidade

SÃO PAULO – O dólar comercial continua com trajetória positiva e neste momento tem expressiva alta de 1,12%, cotado a R$ 1,6230 na venda. Nesta quarta-feira (11), a perspectiva de um maior aperto monetário na China e dados abaixo do esperado da economia norte-americana aumentaram a percepção de risco, trazendo um movimento bastante negativo para a renda variável e para as commodities. O dólar, em contrapartida, sobe em relação às principais divisas. 

A despeito da valorização da moeda norte-americana desde o início dos negócios nesta sessão, o Banco Central segue com sua rotina de atuações diárias no mercado de câmbio. A autoridade monetária realizou leilão de compra entre 11h49 e 11h54, com taxa de corte de R$ 1,6174.

Além disso, o BC também divulgou há pouco dados sobre o fluxo cambial da primeira semana de maio, que ficou positivo em US$ 3,595 bilhões, com fluxo financeiro de US$ 761 milhões e fluxo comercial de US$ 2,834. Ainda segundo o BC, na última sexta-feira, as reservas internacionais da instituição acumulavam US$ 328,184 bilhões.

Brechas
Ainda no âmbito das medidas do Governo, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) fechou mais uma brecha das medidas anunciadas para o câmbio. A comissão estabeleceu que no mínimo 90% dos FIPs (Fundos de Investimento em Participações) sejam constituídos por ações, debêntures, bônus de subscrição ou outros ativos conversíveis ou permutáveis em ações.

O objetivo é fazer com que a carteira desses fundos não tenha um percentual elevado de ativos de renda fixa. Isso porque o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) que incide sobre esse tipo de aplicação para os investidores estrangeiros é de 2%. Ao mesmo tempo, o Governo havia elevado a alíquota do imposto em operações de renda fixa por investidores estrangeiros para 6%, visando reduzir a apreciação do real.

Indicadores
A agenda de indicadores econômicos do exterior também chama a atenção dos investidores nesta sessão, em especial os dados sobre a economia chinesa. A pressão inflacionária segue forte na China, e em abril a taxa de inflação ao consumidor atingiu 5,3% ao ano, levemente maior que as projeções. Ao mesmo tempo, a atividade industrial e as vendas no varejo caíram no mês passado.

Continua depois da publicidade

Na agenda norte-americana, destaque para a balança comercial de março, que teve deficit de US$ 48,2 bilhões. As projeções dos analistas apontavam para um saldo negativo de US$ 47,7 bilhões. Além disso, o relatório de estoques de petróleo mostrou avanço de 1% na última semana, pressionando ainda mais as cotações da commodity em meio a perspectivas de uma demanda menor por óleo bruto. 

Dólar futuro na BM&F também opera em alta
Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em março é cotado a R$ 1.627, forte alta de 0,99% em relação ao fechamento de R$ 1.681 da última segunda-feira. O contrato com vencimento em abril, por sua vez, opera em forte alta de 0,99%, atingindo R$ 1.635 frente a R$ 1.671 do fechamento de segunda-feira.