IPCA: analistas projetam desaceleração, com menor pressão de combustíveis

Combustíveis a alimentos foram fundamentais para o arrefecimento da inflação entre abril e maio, avaliam os analistas

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SÃO PAULO – Apesar da forte pressão da alta nos preços da gasolina e dos impactos dos remédios no último mês, o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) marcou queda no ritmo inflacionário com taxa de 0,70% em maio, 0,07 ponto percentual menor que a registrada em abril, segundo dados publicados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira (20). 

De acordo com os analistas da Rosenberg, a desaceleração do indicador reflete o melhor desempenho do grupo “transportes, alimentação e vestuário”, cuja inflação passou de 1,45% para 0,93% na passagem mensal, principalmente por conta da descompressão do álcool, caindo consideravelmente para 0,01% em maio, ante 16,4% em abril. Contudo, os analistas apontam que a gasolina não foi afetada, registrando alta de 5,3% no período.

Apesar do IPCA-15 ter vindo ligeiramente abaixo da média das projeções do mercado (+0,74%) e do Barclays (+0,75%), o índice ficou acima do projetado pela Gradual Investimentos, em 0,67%. “O mercado está ressabiado com os preços, mas não há muito mais o que fazer, o aperto já foi feito e agora só o tempo poderá resolver a aceleração”, disse André Perfeito, economista da Gradual, ressaltando ainda que o indicador “deve avançar um pouco mais em junho”.

Alimentação e Vestuário desaceleram
Não obstante, os grupos “Alimentos” e “Vestuários” também viram seu avanço de preços dar sinais de arrefecimento entre abril e maio. De acordo com a Rosenberg, o recuo de 0,79% para 0,54% dos alaimentos deve-se principalmente pela atenuação dos preços de alimentação fora de domícilio, que caiu de 0,88% para 0,30%, e pela queda de frutas, aves e ovos.

Já o grupo de vestuários registrou alta de 1,30% em maio, inferior a alta de 1,46% registrada em abril, quando a pressão da entrada da nova coleção e dos possíveis repasses de alta nos preços do algodão atingiram seu ponto máximo, comentam os analistas da consultoria LCA.

Projeções futuras
Em análise do movimento acompanhado na alta dos preços nos últimos meses, os analistas da Rosenberg apontam que a inflação deve seguir trajetória de arrefecimento nos próximos meses, contudo, não descartam a forte pressão sobre o núcleos.

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Não obstante, os analistas da Rosenberg acreditam que o fim dos principais impactos sobre a alta dos preços deverá contribuir para o recuo da inflação nos próximos meses, além de projetarem um cenário com “menor dispersão da alta entre os grupos”

Por outro lado, apesar de acreditar que alta observada no últimos mês não deverá vir a acontecer novamente, o Barclays ainda mantém-se cauteloso sobre o cenário inflacionário para os próximos meses, acreditando que a inflação deverá marcar alta de 7,5% em agosto na comparação anual.