Com China e Europa no radar, bolsas estendem perdas nesta sessão

Mercados estão atentos à desaceleração da atividade chinesa e a novos fatos sobre a crise fiscal na Europa

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SÃO PAULO – Os mercados acionários externos estendem suas perdas na sessão desta segunda-feira (23), repercutindo mais notícias negativas sobre a crise fiscal na Europa, a perspectiva de desaceleração da economia chinesa e com os investidores à espera de um novo nome para o cargo de diretor-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional).

Na Europa, as notícias que mais chamam atenção dos investidores são a que a agência de classificação de risco Fitch Ratings cortou o rating da Grécia em três níveis, de “BB+” para “B+”, além de manter a perspectiva negativa; e também a projeção negativa para o rating da Itália pela Standard & Poor’s, que revisou a perspectiva para o rating do país de estável para negativa, de modo a refletir os riscos presentes no plano de redução da dívida italiana. Além disso, no continente, o FMI anunciou que nesta segunda começará a escolha de seu novo diretor-gerente.

Nos Estados Unidos, os contratos futuros dos principais índices acionários caem nesta sessão que traz na agenda o índice de atividade nacional do Fed de Chicago de abril. O indicador subiu na última medição, e, para a LCA, para os próximos meses, a expectativa é de que ele continue indicando que a atividade econômica cresce em ritmo um pouco acima do potencial, mas ainda sem gerar pressões inflacionárias (pois parte dos indicadores ainda mostra elevada ociosidade).

No Brasil, o boletim Focus mostrou queda pela terceira vez nas perspectivas de inflação, mas manutenção da Selic e do PIB (Produto Interno Bruto). O IPC-S de 22 de maio, por sua vez, apresentou desaceleração. Na Ásia, a perspectiva de desaceleração da economia chinesa pressionou os mercados, que fecharam em que tanto em Xangai quanto em Tóquio.

Estados Unidos na expectativa de indicadores
De acordo com a diretora de câmbio da AGK Corretora, Miriam Tavares, a agenda de indicadores econômicos que, especialmente nos Estados Unidos, concentra um bom número de dados ao longo da semana, também pode ser um ponto de apoio importante para o comportamento dos mercados nos próximos dias.

“Neste sentido, além das encomendas de bens duráveis e da confiança do consumidor, o destaque será a revisão do PIB do primeiro trimestre, que deve apontar um ritmo de crescimento levemente melhor que o estimado inicialmente”, diz a diretora de câmbio.

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Já os analistas do Société Générale, Klaus Baader e Michala Marcussen, disseram que os dados recentes dos Estados Unidos vieram fracos, perto das expectativas, mas que estes eventos são temporários. “Nosso índice de ciclo de negócios sugere que haverá uma recuperação”, afirmaram.

Europa em queda devido ao setor aéreo e crise fiscal
Os principais indicadores de bolsa europeus caem nesta sessão, pressionados pela crise das dívidas no continente e com destaque de queda para as ações do setor aéreo. A erupção do vulcão islandês Grimsvotn no último sábado traz a lembrança dos problemas que uma erupção causou para o transporte aéreo em toda a Europa no ano passado.

Na agenda, destaque para o PMI (índice dos executivos de compra) composto na Europa em maio, que foi de 55,4 pontos, queda de 2,4 pontos em relação a abril e o menor resultado em sete meses. O PMI composto da Alemanha, a maior economia da região, foi de 56,4 pontos em maio, também em trajetória negativa.

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Para os próximos dias, a expectativa é a de que os mercados continuem repercutindo os fatos relacionados à reestruturação da dívida da Grécia. Neste sentido, o rebaixamento da perspectiva de rating da Itália pela Standard & Poor’s, de estável para negativa, no final da sexta-feira, deve manter os players ainda mais cautelosos, embora o risco de default da Grécia deva ser a grande preocupação da semana.

Além disso, no continente, o FMI anunciou que nesta segunda começará um processo “aberto, baseado em méritos e transparente” em busca de candidatos, que concluirá em 30 de junho com a escolha do novo diretor-gerente da instituição. “Alemanha e Inglaterra defendem que o comando do FMI deverá continuar nas mãos de um europeu. O nome indicado pelos dois países é a da ministra das Finanças da França, Christine Lagarde. Austrália e África do Sul, no entanto, rejeitam a hipótese de que o Fundo seja novamente chefiado por um europeu”, conta a consultoria LCA.

Brasil com agenda importante
O Ibovespa avançou 0,37% na última sexta-feira, aos 62.596 pontos. Nesta segunda, os investidores devem ficar de olho em índices de preços, com o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor-Serviços) da Fipe referente à segunda semana de maio, que apresentou variação de 0,96%, 0,13 ponto percentual abaixo da taxa anterior.

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Em relação ao boletim Focus, os dados mostraram que o mercado reduziu sua expectativa para a inflação neste ano pela terceira vez consecutiva, passando de 6,31% na última semana para 6,27% nesta. O PIB, porém, foi mantido em 4% pela oitava vez e a expectativa para a Selic se manteve em 12,50%.

De acordo com Miriam, da AGK, o real, que voltou a se apreciar nos últimos dias, principalmente após os dados semanais mostrarem retorno dos fluxos vigorosos de dólares em direção ao país, deve seguir oscilando perto de R$ 1,60, sem forças para romper esse patamar de forma consiste. “Acreditamos que uma nova onda de valorização do real é pouco provável, pelo menos enquanto os riscos do cenário externo permanecerem no horizonte dos investidores”, diz a diretora de câmbio.

Ásia em queda com receio de desaceleração da China
Os principais índices acionários da Ásia encerraram as negociações desta segunda em forte queda, pressionados pelos temores de desaceleração econômica na China. O PMI (Purchasing Managers Index) do país, medido pelo HSBC, atingiu a pontuação mínima em dez meses em maio, aos 51,1 pontos, ante 51,8 pontos de abril.

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Enquanto isso, a inflação em Hong Kong atingiu a máxima em 32 meses, aos 4,6% na comparação entre abril deste ano com o mesmo período do ano passado.

No Japão, a perspectiva de uma demanda menor na China pressionou os mercados, uma vez que as empresas exportadoras do país podem ser prejudicadas. Entre os resultados corporativos, a Sony surpreendeu os analistas ao anunciar dados preliminares para o primeiro trimestre, com uma projeção de prejuízo em ¥ 260 bilhões, frente à última estimativa de lucro de ¥ 70 bilhões