Com ingerência estatal em Petro e Vale e inflação, rumo do Ibovespa não é claro

Para MCM, interferência do governo em blue chips e incertezas macro explicam descolamento do índice em 2011

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SÃO PAULO – Com a metade do ano cada vez mais próxima, o Ibovespa ainda sofre para atender às altas expectativas do mercado. Até o dia 24 de maio, o índice acumulava perdas de 8,62% em 2011 (ou -4,6% em dólares) – um desempenho bastante ruim para um índice que deveria chegar ao final do ano acima de 80 mil pontos.

A má performance fica ainda mais evidente se avaliada lado a lado com os principais benchmarks externos. Os norte-americanos Dow Jones e S&P 500, por exemplo, somam ganhos de 6,73% e 4,66% no mesmo período. Na Europa, epicentro da crise fiscal, o alemão DAX 30 sobe 5,70% no ano, e o FTSE 100, da bolsa de Londres, avança 1,56%.

Mesmo comparado a outros índices brasileiros, o Ibovespa sai perdendo: segundo a MCM Consultoria, o FGV100, referência de desempenho das ações de segunda linha nas bolsas brasileiras que engloba grande número de empresas não-financeiras de capital privado, sobe 1,3% (em dólares) desde o início do ano.

Petro, Vale e o governo
Mas o que está por trás desse descolamento do principal índice acionário do País? De acordo com a consultoria, o principal motivo é a ingerência do governo em duas das principais empresas da bolsa – Petrobras (PETR3, PETR4) e Vale (VALE3, VALE5).

“No caso da Petrobras, trata-se do descolamento, forçado pelo governo, entre os preços domésticos e os preços internacionais do petróleo, bem como a interferência no seu plano de investimento. No caso da Vale, como se sabe, o mercado não recebeu bem a interferência direta do governo na troca do presidente da companhia”, resume a MCM.

Medidas macroprudenciais também atrapalham
Além disso, a MCM destaca as “agruras” do setor bancário em 2011, resultado das medidas macroprudenciais adotadas pelo Banco Central para conter o crescimento da economia e a pressão inflacionária.

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Para a consultoria, tanto o aumento dos depósitos compulsórios quanto o aperto das regras sobre as operações de crédito reduzem a eficiência do sistema bancário, comprometendo sua expansão e criando dúvidas sobre sua rentabilidade futura.

Fundamentos bons…
Apesar da desaceleração da economia doméstica, a MCM ainda vê os fundamentos sustentando um bom desempenho das bolsas. Afinal, a economia global segue avançando, ainda que lentamente, e mesmo os EUA dão sinais de recuperação no médio prazo – vide a menção recente do Fed a discussões sobre sua estratégia de saída das políticas acomodativas.

Mas rumo ainda é incerto
Levando em conta variáveis externas (o comportamento do S&P, o risco-País e as commodities) e domésticas (taxa real de juro e produção industrial futura) para avaliar os rumos do FGV100 – que não sofre com as mesmas interferências do Ibovespa, segundo a consultoria – a MCM conclui que os rumos do mercado ainda são incertos.

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“Não está claro se o mercado doméstico terá força para subir e acompanhar pares internacionais”, diz a consultoria, que aponta a deterioração do cenário inflacionário como principal culpado por essa incerteza. 

“Isso alimenta a perspectiva de que o aperto monetário a ser promovido pelo BC terá de ser ainda mais forte para fazer a convergência do IPCA para a meta oficial, afetando ainda mais nossas perspectivas de crescimento econômico, neste e no próximo ano”, afirma a consultoria.