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SÃO PAULO – O Banco Central do Brasil intensificou na noite de ontem o ritmo da política de aperto, para alta de 0,5 ponto percentual na Selic. Porém, o comunicado que acompanhou a decisão de política monetária deixou dúvidas sobre qual será o rumo da autoridade monetária nas próximas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária), ao indicar “parcimônia” no esforço do BC.
Como ressalta a LCA Consultores, a sinalização do documento se limitou a afirmar que “considerando os efeitos cumulativos e defasados da política monetária, entre outros fatores, o Comitê avalia que o esforço adicional de política monetária tende a ser implementado com parcimônia”.
“A ata do Copom poderá esclarecer o que seriam esses ‘outros fatores’, mas é possível arriscar que sejam: a perspectiva de aperto da política fiscal, o desempenho anêmico da atividade econômica e, sobretudo, o expressivo recuo recente do preço do petróleo (e, em menor grau, de outras commodities)”, afirmam os economistas da consultoria.
Desta forma, a expectativa é de que haja mais dois aumentos de 0,25 ponto percentual com o ciclo de alta se encerrando em março de 2015. Com isso a taxa Selic chegará a 12,25%, ante os 12,50% da expectativa anterior da LCA.
O cenário é corroborado pela Capital Economics, que também acredita em mais duas elevações de 25 pontos-base nas próximas reuniões do Copom. O relatório da consultoria britânica destaca que o tipo de linguagem do comunicado foi utilizado outras vezes pelo BC para sinalizar que pretendia diminuir o ritmo de alta dos juros ou que a intensidade do aperto monetário precificada pelo mercado estava “muito agressiva”. “A frase é um aceno ao fato de que a economia permanece fraca e que, após um grande aumento dos níveis de endividamento nos últimos anos, o setor privado não deve conseguir suportar um acréscimo significativo nas taxas de juros a partir de agora”, diz o texto assinado por Neil Shearing.
O economista-chefe para mercados emergentes da consultoria pondera também que, desta forma, o BC demonstra acreditar no ajuste fiscal pretendido pelo governo. Para a Capital Economics, a linha das medidas sinalizada pelo futuro ministro da Fazenda, Joaquim Levy, deve fazer com que a alta de juros se dê de forma mais branda do que o mercado espera atualmente.
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Segundo a Capital Economics, a intensificação do aperto monetário, passando de alta de 0,25 p.p. para 0,50 p.p., já era esperada uma vez que o processo eleitoral chegou ao fim e que, neste momento, o governo e o Banco Central tentam restabelecer a credibilidade e trazer a inflação para o centro da meta.
(Com Agência Estado)