No nível de 2005, Petrobras tem processo nos EUA e notícias ruins não param de chegar

O escritório de advocacia norte-americano Wolf Popper LLp afirmou que entrou com uma ação coletiva contra a estatal em Nova York, enquanto o valor de mercado da empresa agora se equipara ao do Bradesco

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SÃO PAULO – O ano de 2014 não está sendo fácil para a estatal Petrobras (PETR3; PETR4), e na reta final, faltando apenas três semanas para o término do ano, nesta segunda-feira (8) a petrolífera viu seus papéis voltarem para cotações de 2005. Mas o ano ainda parece estar longe de terminar para a estatal, que segue recebendo novas notícias negativas.

De acordo com a consultoria Economática, o valor de mercado da estatal caiu cerca de R$ 157 bilhões em apenas 3 meses, sendo que com esse valor, a Petrobras agora vale a mesma coisa que o Bradesco (BBDC3; BBDC4), dividindo assim o terceiro lugar como empresa mais valiosa da Bolsa. Em 2 de setembro, a estatal era avaliada em R$ 310,9 bilhões.

E mesmo que os papéis tenham perdido o importante patamar dos R$ 12 hoje, vale mencionar que analistas insistem que essa não é hora para comprar. Os papéis ordinários da companhia fecharam com queda de 6,38%, cotados a R$ 10,72, enquanto os papéis preferenciais fecharam com queda de 6,20%, a R$ 11,50. Embora aparentemente o papel pareça “barato”, tendo perdido desde o dia 2 de setembro até a última sexta-feira R$ 157 bilhões em valor de mercado, o mercado não vê motivos fundamentalistas para comprar, sinalizando ainda muitas incertezas no case de investimentos da estatal.

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Permanecendo cética sobre a companhia, a XP Investimentos dá apenas quatro saídas para a Petrobras: venda de ativos; redução no capex (investimentos em bens de capital), principalmente no pré-sal; novo reajuste de preços de combustíveis; e nova emissão de ações. E não é somente isso. A Petrobras perderá participação na nova carteira do Ibovespa, que entrará em vigor no dia 5 de janeiro, o que deve trazer ainda mais pressão vendedora. O que se une aos motivos da corretora para “não recomendar exposição ao ativo”.

Para piorar, a expectativa, segundo a primeira prévia da carteira teórica do Ibovespa, é que a participação da estatal no índice caía de 8,7% para 5,542%. No mesmo sentido, o analista Flávio Conde comenta: a ação parece “barata” nesse patamar, mas não há motivos fundamentalistas para recomendar compra do papel agora. O que fazer? Continuar vendendo PETR4.

Enquanto isso, para tentar aliviar um pouco o ambiente, a companhia confirmou nesta noite que irá divulgar seu balanço do terceiro trimestre, ainda que não auditado, na próxima sexta-feira, dia 12. Vale lembrar que a consultoria PwC (PricewaterhouseCoopers) não aceitou aprovar o resultado da companhia diante das investigações da Operação Lava Jato.

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Veja os eventos que ajudaram a afundar a companhia hoje:

1) Processo nos EUA
O escritório de advocacia norte-americano Wolf Popper LLp afirmou na segunda-feira que entrou com uma ação coletiva contra a estatal em Nova York. De acordo com o representante da Wolf Popper, a petrolífera teria emitido declarações falsas e enganosas e quem comprou ações entre 20 de maio de 2010 e 21 de novembro de 2014 pode entrar com a ação coletiva. Entre os dados falsos estariam informações de elevação no patrimônio da companhia, como refinarias, plataformas, registrando um valor contábil acima do “valor real”.

Segundo a equipe da XP Investimentos essa notícia pode causar a suspensão dos negócios dos ADRs (American Depositary Receipt) da Petrobras, negociados nos Estados Unidos, além de uma pesada multa para a estatal.

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2) Ações contra empresários e diretores presos na Operação Lava Jato
O Ministério Público Federal vai ajuizar, nesta semana, “mais de uma dezena” de ações penais e de improbidade administrativa contra empresários e diretores da Petrobras presos na Operação Lava Jato, disse o subprocurador-geral da República, Nicolao Dino, em evento comemorativo ao Dia Internacional contra a Corrupção.

“Precisamente nesta semana, o Ministério Público Federal ajuizará mais de uma dezena de ações penais e ações de improbidade contra os responsáveis por esse escândalo de corrupção na Petrobras”, antecipou o subprocurador, que classificou o escândalo de superfaturamento de contratos da Petrobras como um dos maiores da história.

“A Operação Lava Jato pode falar por todos os casos recentes de corrupção no país. Talvez, estejamos diante do maior caso de corrupção da história. Isso nos entristece, certamente porque somos cidadãos e queremos ter a justa expectativa de ver bem aplicados os recursos públicos”, pontuou.


Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.