A “explicação” do Copom e outros 4 eventos agitarão a semana que vem na Bolsa

Passada a primeira semana pós-eleição, o mercado voltará seus olhos para PMI da China, dados de emprego dos EUA, IPCA e reunião do BCE

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SÃO PAULO – Mais uma semana chega ao final nesta sexta-feira (31), fechando os cinco melhores dias da Bolsa desde os primeiros dias de “rali eleitoral”, sendo que curiosamente e por fora do que era esperado, esta foi a primeira semana pós-reeleição de Dilma Rousseff (PT). Agora o investidor se prepara para a próxima semana na Bolsa, com cinco eventos no radar.

A partir do próximo domingo, os acionistas deverão ficar de olho no PMI da China, que sairá logo no primeiro dia da semana, seguido por discursos do Fed, que começarão na segunda-feira, além da ata do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil) na quinta-feira, que deverá esclarecer melhor a surpresa que o mercado teve com a alta da taxa básica de juros, a reunião do Banco Central Europeu também na quinta, o IPCA na sexta e, finalizando a semana, o relatório de emprego e desemprego dos EUA.

Para André Muller, economista da Quest Investimentos, acredita que mesmo com a ata do Copom e o relatório de empregos dos EUA vindo com importância para os cinco dias, o cenário político ainda deve seguir como o principal “driver” do mercado, já que agora “a expectativa do anúncio de nomes da equipe econômica de Dilma e de um ajuste fiscal”.

Veja os eventos que agitarão a Bolsa semana que vem:

1) PMI da China
Sendo divulgado no domingo, este é um dado muito importante para ser acompanhado pelo investidor, já que eles possuem direta influência sobre os papéis da Vale e siderúrgicas, que exporta seu principal produto – minério de ferro – para o país. Se os dados vindos do gigante asiático estiverem melhor que o esperado pelo mercado, a reação dos papéis na bolsa brasileira é positiva e vice-versa, já que bons indicativos mostram que o país terá maiores condições de comprar o insumo.

O economista Clodoir Vieira, da Compliance, explica que “dados como estes, vindos da China, são bem importantes para a Vale. Uma recuperação da indústria chinesa seria interessante para a companhia, ou seja, se viesse um número acima do esperado, a reação é positiva”.

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2) Ata do Copom
Na quarta-feira (29) o Copom decidiu pelo aumento da taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, fazendo com que agora, a Selic passasse de 11,0%, para 11,25% ao ano. Neste cenário, os analistas do Itaú Unibanco acreditam que não há motivo para ficar surpreso com a decisão agora: outros ajustes na taxa irão ser feitos – ainda neste ano, inclusive. De acordo com relatório, a instituição espera outro ajuste em dezembro, de mais 0,25 ponto percentual, fazendo com que a Selic feche o ano de 2014 em 11,50%.

Já os analistas da Nomura disseram que a alta da taxa básica de juros vista nesta quarta-feira, foi uma “antecipação” do aperto fiscal que está previsto para 2015, acrescentando ainda que a instituição aguarda uma tentativa “significativa” do governo de realizar o aperto fiscal. O relatório, assinado pelo chefe de pesquisas para mercados emergentes nas Américas, Tony Volpon, diz que a instituição modificou sua estimativa para a Selic no início de 2015, passando-a para 12%.

3) Reunião do BCE
A reunião do Banco Central Europeu indicará as próximas decisões da instituição também quanto à taxa de juros. O economista Alex Agostini, da Austin Rating, explica o motivo pelo qual o investidor deverá ficar de olho do dado, que sairá na quinta-feira: os dados do BCE também são importantes, pois nessa mudança de cenário mundial de aumento de taxa de juros, a indicação ajuda a determinar os investimentos de médio e longo prazo, que terão reflexo na taxa de câmbio – sabendo o conteúdo, mexe pra cima ou pra baixo”.

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4) IPCA
O índice de inflação deverá sair na sexta-feira, iniciando o fechamento da próxima semana. De acordo com Agostini, “o IPCA não tem tanto efeito, sendo um dos últimos indicadores em nível de importância para a semana, a não ser que demonstre variação de alta, acima da expectativa, o que irá colocar em cheque o cumprimento da meta de 6,5% deste ano, com as apostas da taxa de juros alteradas. Se isto ocorrer, isto mexe nos mercados pois exige do Banco Central contenção”.

5) Relatório de emprego e desemprego dos EUA
E no fechamento da semana, o relatório de emprego dos EUA é sempre um indicativo bastante importante e observado pelo mercado, já que, assim como Alex explica, caso os dados venham consistentes, demonstra que a economia americana está se restabelecendo, sendo assim, “insto pode resultar no ajuste do câmbio, valorizando o real, já que fica evidente um aumento de juros nos EUA. Se vier um indicador muito bom, deverá vir modificações nos juros dos EUA e no câmbio aqui. A geração de emprego é um dado importante da política monetária”.