Para Coutinho, é “privilégio” poder calibrar crescimento para conter inflação

Presidente do BNDES diz que é "propósito firme" da política macroeconômica do governo manter inflação sob controle

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SÃO PAULO – O governo tem como “propósito firme” para sua política monetária a manutenção da inflação sob controle no médio e longo prazo, dentro do princípio de que a estabilidade é fundamental para o crescimento do País e dos investimentos, declarou nesta terça-feira (5) o presidente do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho. 

Para Coutinho, é um privilégio do atual governo poder enfrentar o desafio de vencer a essa pressão inflacionária sem produzir recessão econômica. Isso se dará por meio da calibragem coordenada de variáveis, que permitirá reduzir e moderar o ritmo de crescimento da demanda agregada, mas sem comprometer o atual ciclo de investimentos.

Assim, de um crescimento de 7,5% do PIB (Produto Interno Bruto) no ano passado, 2011 deve ser marcado por expansão de 4% da economia, estimou Coutinho. O presidente do BNDES ainda projetou moderação do ritmo do aumento da taxa de crescimento dos investimentos, de 21,8% em 2010 para entre 8% e 10%, destacando que a cifra ainda estará acima do avanço do PIB.

Financiamento de longo prazo
Vencer esse desafio será importante para a estabilidade econômica do País, para que assim o Brasil possa avançar no trabalho de prover financiamentos de longo prazo para a economia. Atualmente, os poupadores trabalham com prazos muito curtos, em uma situação cômoda de liquidez e ausência de risco, lembrou Coutinho durante o 6º Seminário de Mercado de Capitais da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) para lançamento do Novo Mercado de renda fixa.

O projeto da Anbima, que contará com amplo apoio do BNDES, se propõe justamente criar um mercado secundário com liquidez e transparência para debêntures, entre outros valores mobiliários, fomentando assim o alongamento dos passivos e promovendo o financiamento de longo prazo no País, atualmente quase exclusivamente a cargo do banco de fomento estatal.