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SÃO PAULO – O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, acredita que a estabilidade econômica alcançada pelo País propicia um horizonte mais amplo de planejamento dos investimentos, e os títulos privados de renda fixa terão papel complementar aos instrumentos já disponíveis para os “vultosos” investimentos que serão necessários nos próximos anos.
Durante evento em São Paulo nesta terça-feira (5), Tombini disse que, apesar da consolidação macroeconômica e das reformas microeconômicas terem propiciado o crescimento do crédito e do mercado de capitais, especialmente acionário, sozinhas estas duas frentes não serão capazes de atender a demanda de ampliação da infraestrutura do Brasil e da capacidade de acolher a uma nova classe de consumidores, além de suportar os investimentos em exploração do pré-sal e dos eventos em nível internacional.
Indicando as “excelentes perspectivas” para a economia brasileira, o presidente do BC frisou a atual fase do ciclo demográfico brasileiro, do qual parte majoritária da população é ativa economicamente, o que deverá suportar as projeções otimistas. Mas, para concretizar os planos, será necessário esforço de todos, além de uma poupança interna mais alta e de longo prazo.
Incentivos para renda fixa
Tombini elogiou a “postura moderna” da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), que lançou nesta terça o Novo Mercado de Renda Fixa, que pretende facilitar as emissões de títulos privados de renda fixa, além de ampliar a liquidez do mercado secundário. Contribuindo com este esforço, disse o presidente do BC, o Ministério da Fazenda, o Banco Central e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) já adotaram um conjunto de medidas que tem por meta impulsionar a renda fixa de longo prazo, por meio de incentivos regulatórios e fiscais.
Entre as mais recentes, anunciada em dezembro do ano passado, está a eliminação do compulsório para as Letras Financeiras, o que amplia a capacidade de captação dos bancos. Desde a medida, segundo Tombini, as instituições bancárias já captaram cerca de R$ 50 bilhões por este instrumento.
Além disso, o BC também pretende eliminar entraves ao mercado secundário. De acordo com Tombini, as proposta da Anbima vão ao encontro dessa agenda, já que promovem a padronização dos instrumentos financeiros e a pulverização da base de investidores, aumentando a atratividade do segmento para investidores institucionais e qualificados, administradores de carteira e, no futuro, as pessoas físicas.