Setor bancário pressiona Ibovespa, que volta a perder os 69 mil pontos

Orçamento nos EUA e auxílio financeiro a Portugal são referências; por aqui, foco nas medidas internas para o consumo

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SÃO PAULO – O Ibovespa deixou para trás a instabilidade apresentada no início das operações desta sexta-feira (8) para definir a trajetória negativa, pressionado pelas perdas das ações do setor bancário, que repercutem as incerteza quanto novas medidas do Governo para conter o consumo. Em Wall Street, os índices também perderam fôlego, à medida que aumentam as preocupações quanto a definição do orçamento de 2011 do país.

A pressão se instaura no contexto norte-americano, pois caso o orçamento não seja aprovado, a partir da próxima semana é possível que haja o congelamento de salários para alguns funcionários públicos e demora na restituição de impostos, por exemplo. Convém ressaltar que o presidente norte-americano, Barack Obama, afirmou na última noite não estar extremamente otimista sobre um acordo.

No campo europeu a situação é outra, por lá os principais índices acionários se encaminham para um encerramento em alta, recuperando parte das perdas da véspera, quando a notícia de um novo tremor no Japão pressionou os negócios por todo o mundo. No entanto, o foco desta sessão na Europa fica com Portugal, com destaque para a reunião de ministros de finanças da Zona do Euro, que ocorre nesta sexta-feira na Hungria e poderá definir os detalhes do resgate econômico ao país, estimado entre € 75 bilhões e € 90 bilhões.

Ibovespa em queda
O Ibovespa apresenta baixa de 0,59% nesta tarde e atinge 68.770 pontos. O volume financeiro é de R$ 2,700 bilhões. O principal destaque negativo fica com as ações Duratex ON (DTEX3), que registram desvalorização de 3,05% e são cotadas a R$ 16,87. 

Ainda entre as principais perdas do índice, destaque para as ações de importantes bancos. As perdas acontecem em meio às incertezas sobre novas medidas do Governo para controlar o consumo. O Santander (SANB11) lidera as quedas do setor neste pregão, com queda de 2,84%. Bradesco (BBDC4, -2,41%), Itaúsa (ITSA4, -2,13), Itaú Unibanco (ITUB4, -2,05%) e Banco do Brasil (BBAS3, -1,58%) também operam em baixa na sessão.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

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Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 DTEX3 DURATEX ON 16,87 -3,05 -5,15 5,77M
 SANB11 SANTANDER BR UNT N2 18,81 -2,84 -15,91 20,90M
 CSAN3 COSAN ON 23,86 -2,41 -13,58 55,37M
 BBDC4 BRADESCO PN ED 32,35 -2,41 -0,46 122,06M
 KLBN4 KLABIN S/A PN 6,50 -2,26 +11,11 5,90M

Já do lado positivo, as ações da MMX Mineração (MMXM3) despontam com ampla folga como a maior alta do Ibovespa nesta sexta-feira. Os papéis da empresa são negociados com valorização de 4,28%, cotados a R$ 10,97. O movimento é impulsionado pela valorização dos preços do minério de ferro, que acompanham um rali que estende-se para outras matérias-primas, como ouro e prata, e alcançam o maior patamar em dois anos.

A Gerdau (GGBR4) também sobe forte,vale lembrar que esta é a última sessão para que os acionistas da empresa  exerçam seus direitos de preferência na oferta de ações.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

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Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 MMXM3 MMX MINER ON 10,97 +4,28 -2,32 57,47M
 RSID3 ROSSI RESID ON 15,03 +1,21 +1,62 16,14M
 GGBR4 GERDAU PN 20,15 +1,15 -10,87 94,19M
 USIM3 USIMINAS ON 27,81 +1,13 +30,85 19,81M
 CYRE3 CYRELA REALT ON 16,51 +0,73 -24,44 60,58M

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão) 

Plano interno
Na agenda interna, destaque para a divulgação do IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor – Semanal), que apontou novo aumento do ritmo de aceleração dos preços na primeira semana de abril, marcando variação de 0,89%, taxa 0,18 ponto percentual superior àquela vista na semana anterior.

Sobre o tema inflação, na noite da véspera, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, voltou a fazer um pronunciamento, depois do IPCA decepcionar o mercado pela manhã. Mantega anunciou a elevação do IOF para crédito de pessoa física, que foi de 1,5% para 3%.

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Outro destaque desta sessão veio da avaliação do Citigroup que elevou sua recomendação para o mercado de ações do Brasil para overweight, ao lado de China, Rússia e Coreia do Sul, embora tenha mantido a recomendação underweight para a América Latina.

Dólar e renda fixa
O dólar comercial dá continuidade ao movimento de queda observado no início das operações desta sessão, recuando 0,32% e cotado a R$ 1,5790 na venda. A atenção do mercado se direciona mais uma vez nas possíveis ações do Governo para o mercado de câmbio. Vale dizer que nesta sessão o dólar volta a renovar sua mínima de agosto de 2008.

Já os principais contratos de juros futuros da BM&F Bovespa operam sem tendência definida nesta sexta-feira, com a maioria das taxas mostrando ou estabilidade ou leve alta. As novas medidas de restrição ao crédito e o questionamento das expectativas criadas sobre o aumento necessário do juro básico para conter a inflação seguem no radar.