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SÃO PAULO – O megaempresário Eike Batista anunciou nesta terça-feira (12) a criação da Brix, empresa que pretende lançar até junho deste ano a primeira plataforma eletrônica de negociação de energia elétrica no Brasil. Este seria o primeiro passo para a criação de uma bolsa de energia no País, prevê Batista e os outros idealizadores que fazem parte dessa sociedade.
A nova plataforma pretende atender os quase 1,4 mil agentes que atuam no “mercado livre” do setor elétrico brasileiro – o ACL (Ambiente de Contratação Livre) – e que respondem por 25% da energia consumida no Brasil. A estimativa dos sócios da Brix é triplicar o volume de negócios no mercado interno nos próximos três e cinco anos, para R$ 75 bilhões.
Além de trazer mais agilidade e menos custos para as negociações nesse mercado – que ainda são feitas pelo telefone e chegam a durar dias -, a nova empresa também pretende criar o BRIX Spot, um índice para medir a evolução dos valores de compra e venda de energia elétrica a partir das negociações efetuadas.
Experiência no comando da empresa
Eike Batista e outros três sócios entraram com participação no negócio: a Coteminas, a Compass Energia e a empresa ICE (Intercontinental Exchange), líder global de negociação eletrônica em diversos mercados. Outros 5% ficarão sob posse de Roberto Teixeira da Costa, economista e primeiro presidente da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
A presidência da Brix será ocupada por Marcelo Mello, um dos responsáveis pelo desenvolvimento do mercado de derivativos de commodities metálicas no Brasil. “Nós somos uma plataforma eletrônica, com tecnologia de ponta, experiência internacional, já testada e aprovada internacionalmente”, disse Mello durante a apresentação da nova empresa no Rio de Janeiro, juntamente com seus outros sócios.
O presidente da companhia reforça ainda a agilidade que esse tipo de negociação trará ao mercado de energia elétrica. “Hoje a negociação é feita por telefone. (…) É um processo complexo, lento – às vezes dura dias – e caro. Com a plataforma eletrônica, a negociação poderá ser feita em segundos, com cliques. É uma redução enorme de custo e tempo”, afirma Mello.
Os três passos para se tornar a 1ª bolsa de energia do Brasil
O CEO da Brix também fala sobre as três etapas que a companhia passará para se transformar em um bolsa de energia elétrica. A primeira fase corresponde ao lançamento da plataforma eletrônica para a negociação junto aos agentes no ACL, ainda em junho deste ano. Os contratos negociados nesse momento terão liquidação apenas com a entrega e o recebimento da energia contratada, por meio de registro na CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica), explica Mello.
A segunda etapa consiste na ampliação do mercado, permitindo que as instituições financeiras também participem das negociações. Isso só deverá ocorrer quando houver o lançamento de contratos de derivativos de energia com liquidação financeira, segundo o presidente da Brix.
A última fase deverá ocorrer quando for estabelecida uma câmara de compensação e liquidação das negociações, permitindo que a Brix lance contratos multilaterais com liquidação financeira. “A comunicação será muito mais rápida, eficiente e direta. Do mesmo modo que no mercado atual, os players que poderão participar são os agentes da CCEE. A relação é bilateral e do mesmo modo que a regulamentação exige, todas as operações contratadas serão registradas na CCEE”, concluiu Mello.
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Eike quer ver petróleo negociado na Brix
Embora o foco da empresa recém-criada seja “total e completo no mercado de energia elétrica”, conforme frisou Marcelo Mello durante a apresentação, Eike Batista vê a possibilidade de incluir contratos de petróleo nas negociações da plataforma eletrônica. “Vou usar o meu voto para entrar em petróleo também. A plataforma está aí, por que não usá-la? Pode servir para tudo o que for energia”, disse o presidente do grupo EBX, que possui dentre suas empresas a petrolífera OGX (OGXP3).
Segundo Batista, a OGX seria uma das principais interessadas em uma eventual comercialização da commodity na plataforma, acreditando que essa seja uma ótima maneira de vender o produto brasileiro para as refinarias estrangeiras, já que esse modelo prioriza quem pagar melhor. “Se o óleo tiver bom, pode até ter um prêmio. O seu produto pode chegar ao seu melhor pagador. (…) É uma janela de vendas extraordinária”, disse.
O megaempresário comentou ainda que foi procurado por uma grande empresa de petróleo que estaria interessada em comprar toda a produção da OGX, oferta esta que foi recusada por Batista. “Eu não vou fazer isso. Prefiro vender numa bolsa, pelo melhor preço”, disse.
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Vale lembrar que nesta sexta-feira (15), após o fechamento do mercado, a OGX deverá divulgar relatórios de avaliação de recusos contigentes e potenciais, elaborados pela DeGolyer & MacNaughton. A empresa pretende começar sua produção em setembro deste ano.
Brix: o “Facebook” do mercado de energia
Sem perder o costume de soltar frases de impacto durante seus discursos, Eike Batista disse que a Brix pode ser considerada uma espécie de “Facebook” do mercado de energia, pois agrega os principais especialistas do setor, fazendo alusão ao site de rede social criado por Mark Zuckerberg. “Eu queria ter dado também 20% de ações como o Mark Zuckerberg fez no início, mas eu cheguei depois”, brincou o megaempresário.