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SÃO PAULO – Após um primeiro trimestre turbulento, em que ações e commodities tiveram performance superior a dos títulos de renda fixa, o Bank of America Merrill Lynch atualiza suas estimativas para os próximos meses. A alocação recomendada aos seus clientes continua com predominância de ações (65%), já que o banco acredita que o bull market (ciclo de alta) para esses ativos permanece, com base no crescimento razoável, excesso de liquidez e baixas taxas de juros. O cenário é o mesmo para as commodities.
O estrategista Joseph Zidle e o estrategista-chefe global Michael Harnett tem como cenário base um crescimento de 4,2% da economia global neste ano, em que os riscos de recessão são apenas limitados. Apesar da alta da inflação vista nos últimos meses, o BofA aposta que tanto os preços quanto as taxas de juros deverão continuar em níveis historicamente baixos nos próximos trimestres. A Fed Funds Rate, nos EUA, por exemplo, só deve ser elevada no terceiro trimestre de 2012.
Mercados emergentes mais atrativos
Numa era de baixo crescimento e diminutas taxas de juros com muita liquidez, ficam mais atrativos ações, principalmente norte-americanas e dos mercados emergentes. Nesse caso, o BofA ressalta que prefere mercados emergentes a desenvolvidos com base no dólar fraco e a inexistência de disposição por parte do governo norte-americano para reverter essa situação.
Uma convicção de Michael Hartnett é de que o período de performance inferior dos mercados emergentes acabou, embora investidores de curto prazo devam aguardar pelo pico da inflação para então montar posições. Neste sentido, ações que dependem de movimentos cíclico e também papéis de qualidade, como o da Br Foods (BRFS3), são as melhores apostas.
Mais crescimento, menor valor
Ações de crescimento também ganharam ênfase entre as sugestões de alocação pelo BofA. A opção, em detrimento de papéis de valor, é justificada por três motivos principais, segundo o BofA. Um cenário-base em que o crescimento econômico fica abaixo da média costuma favorecer essa estratégia, mais ainda em uma recuperação que se mostra cheia de percalços e frágil, como é a dos EUA, lembra o banco.
Além disso, os estrategistas do BofA avaliam que o crescimento dos lucros das empresas alcançou um pico, o que favorece ações de crescimento. Por último, as perspectivas para o setor financeiro e de energia não-renovável são pouco otimistas, e estes dois setores representam 40% do índice de valor.