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SÃO PAULO – A MCM Consultores afirmou acreditar em uma queda de preços das commodities agrícolas até o final do corrente ano de 2011, como anteriormente afirmado em janeiro pela consultoria, dado a um esperado aumento da produção e melhorias na produtividade.
Mesmo com fatos importantes ocorridos desde a última projeção da consultoria, como os conflitos no mundo islâmico, terremoto japonês e a atualização da safra para o ano, os preços não tem diferido do que a MCM esperava, destacando a forte alta de 41% do algodão no ano, seguido pelos 23% de apreciação do milho.
Novas expectativas
Porém as incertezas relacionadas ao fenômeno La Niña, que provocaram constantes altas no ano anterior e início de 2011, já foram melhores avaliadas, o que levou o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a reavaliar suas expectativas em relação à produção brasileira e argentina de milho e soja.
De acordo com a USDA, a produção dessas commodities deverá ser de 19,5 milhões de toneladas para o milho e 48,8 milhões para a soja na argentina, alta de 8,33% e 3,83% nas expectativas.
As projeções para a produção agrícola brasileira também teve um salto, de 51 milhões de toneladas de milho para 55 milhões, número 7,84% maior. Já a quantidade de soja esperada para esse ano é 6,66% superior à estimativa anterior, alcançando 72 milhões de toneladas, ante 67,5 milhões, o que levou o Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) a acreditar que o País colherá a maior safra da commodity na história.
Números recordes, pelo menos pelos últimos 5 anos, também serão obtidos em algodão em pluma, arroz em casca, feijão e trigo.
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Preços não recuam e milho
Mesmo com essas novas projeções, os preços em dólar não recuaram nos últimos meses, apresentando, inclusive, altas, graças à estimativa para o consumo dos produtos, graças à manutenção da demanda nos países desenvolvidos e em desenvolvimento.
Além disso, a consultoria chama a atenção para os preços do petróleo, fortalecidos pelos conflitos no mundo islâmico e pelos efeitos do terremoto nipônico, e acaba por gerar pressões altistas no preço do milho, graças a produção de etanol proveniente da commodity nos EUA.
Isso também impacta a soja, visto que o produto substitui o milho em várias de suas utilizações, como na fabricação de ração animal.
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Estoques mundiais
A MCM também destaca a atual situação entre estoques e demanda, esperada para o encerramento da safra, que permanece em níveis historicamente baixos, justificando a resistência dos preços e a volatilidade. A situação é mais crítica no caso do milho, que tem o nível de estoques previstos mais baixo dos últimos 15 anos nos Estados Unidos, do café e do algodão, não estando, também longe da média histórica para a soja.
Isso também os torna potencialmente voláteis, dado que seus preços reagiriam de forma imediata a eventos que afetariam a produção e colheita de grãos.
Recuo futuro nos preços
Mesmo com essa alta em dólar, o preço em moeda nacional manteve-se estável, graças a apreciação do real frente ao dólar. Isso já foi captado pelo índice de commodities agropecuárias do Banco Central que registrou um avanço tímido de 0,19% em março, após oito meses de altas entre 3,0% a 7,0%.
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A MCM acredita que caso não haja nenhum choque climático capaz de afetar a produção, a tendência é uma queda dos preços em 9,0% até o final do ano, impulsionado por reduções esperadas nos preços do algodão e do milho, embora essa commodity poderá manter o seu preço caso o petróleo e a gasolina permaneçam elevados.
Mesmo com essa queda, a tendência é que esses produtos encerrem o ano com uma valorização de 5,0%, graças à elevação do primeiro semestre. A MCM indica que essa queda pode fornecer alívio para o Banco Central, principalmente se a depreciação do dólar em relação ao real continuar.