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As mudanças ocorridas no comércio dos EUA nos últimos dez anos estão reduzindo a preocupação entre os operadores de moedas estrangeiras de que uma valorização do dólar diminua o crescimento econômico por reduzir a competitividade dos bens americanos nos mercados internacionais.
Embora desde meados deste ano as verdinhas tenham crescido quase 6% frente a moedas de importância, como o euro e o iene, seus ganhos têm sido mais modestos em comparação com outras economias, com uma valorização média de 1%, de acordo com os índices ponderados da Reserva Federal dos EUA.
Este fato é relevante porque os países em desenvolvimento são agora responsáveis por 51% do comércio dos EUA, frente a 41% em 2004, segundo dados compilados pela Bloomberg. A evidência do efeito benigno do dólar na economia dos EUA poderia tornar mais fácil o aumento da principal taxa de juros do Fed, que está quase zerada.
“O dólar americano está sendo operado dentro de variações ajustadas – o que faz com que as exportações para países de mercados emergentes sejam competitivas –”, disse Douglas Borthwick, diretor de moedas estrangeiras na corretora Chapdelaine Co. em Nova York, em entrevista por telefone. “O dólar está se valorizando em relação ao euro e ao iene, mas em menor proporção frente às moedas dos mercados emergentes”.
Exportações em alta
As exportações dos EUA quebraram um recorde ao chegarem a US$ 198,6 bilhões em agosto, antes de caírem para US$ 195,6 bilhões em setembro. Em setembro de 2004, a cifra total foi de US$ 98,3 bilhões.
Nos últimos meses, a Amazon.com Inc., a Apple Inc., a International Business Machines Corp. e o McDonald’s Corp. reclamaram que a valorização do dólar afeta a perspectiva de lucros e de receita.
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Em 3 de novembro, o presidente do Banco da Reserva Federal de Dallas, Richard Fisher, disse aos jornalistas em Nova York que uma taxa de câmbio mais alta barateia as importações e impulsiona o consumo doméstico, que representa 68 % da economia.
“Mesmo se observássemos uma grande variação no dólar ponderado com base no comércio, ela não teria um efeito significativo na atividade econômica dos EUA”, disse Collin Crownover, diretor de gestão de moedas na State Street Global Advisors Inc., em entrevista por telefone de Boston no dia 10 de novembro. Um dólar valorizado poderia até constituir “um benefício líquido” para a maior economia do mundo, já que barateia as importações, disse ele.
No mês passado, um indicador mantido pelo Fed que pondera o dólar frente a moedas de mercados emergentes subiu para 94,6, uma alta de 1% desde o final de junho a seu maior patamar desde 2012. Sozinhos, a China e o México foram responsáveis por 30 % do comércio dos EUA, em contraste com 22% há uma década.
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Ao retirar medidas de estímulo estabelecidas após a crise financeira global e preparar o terreno para aumentar as taxas pela primeira vez desde 2006, o Fed está se distanciando do Japão e da zona do euro, onde as políticas de relaxamento fizeram com que as moedas despencassem para os menores valores em muitos anos.
Bons resultados
Para os EUA, a incursão nos mercados emergentes está rendendo bons resultados. No segundo trimestre, o déficit em sua conta-corrente, o indicador mais abrangente do comércio, diminuiu para 2,3% do PIB, a menor proporção desde 1998.
Embora o crescimento dos mercados emergentes esteja dando sinais de esfriamento, o FMI prediz que ele será mais de duas vezes maior do que o crescimento dos países desenvolvidos neste e no próximo ano.
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“A tendência geral do balanço da conta-corrente vem melhorando”, disse Athanasios Vamvakidis, diretor de estratégia cambial do Bank of America Merrill Lynch para o G10 em Londres, em entrevista por telefone no dia 5 de novembro. “A alta do dólar é totalmente consistente com as variáveis fundamentais”.