Euforia na Bolsa: 12 ações do Ibovespa sobem mais de 3%; só 5 caíram mais de 2%

Rumor de que pesquisa Ibope de amanhã trará Marina Silva à frente de Dilma Rousseff já no 1º turno contagia investidores; Petrobras e BB lideraram altas

Publicidade

SÃO PAULO – Após uma manhã negativa, o Ibovespa ganhou forças na tarde terça-feira (2) com rumores de que Marina Silva (PSB) ultrapassará Dilma Rousseff já no 1º turno, na pesquisa Ibope que será divulgada amanhã, e fechou com alta de 1,23%, flertando com a região dos 62 mil pontos.

A expectativa com a nova pesquisa guiou mais uma forte alta das ações das estatais Petrobras e Banco do Brasil, que chegaram a subir mais de 6% no intraday, contagiando as outras ações do mercado – das 69 ações que fazem parte do Ibovespa, 12 subiram mais de 3%. Alguns papéis fora do índice também mostraram uma alta impressionante, como Triunfo (TPIS3, R$ 6,27, +4,33%) e Smiles (SMLE3, R$ 41,98, +4,83%).

Siderúrgicas e empresas de autopeças também subiram forte nesta sessão após dados da produção industrial nacional mostrarem crescimento em julho: Gerdau, Usiminas e CSN subiram mais de 3%, enquanto Marcopolo, Iochpe Maxion e Randon estenderam seus ganhos nas últimas semanas para quase 20% – sobre Marcopolo, vale lembrar que a ação foi incluída na carteira do Ibovespa na última segunda-feira (1).

Aproveite a alta da Bolsa!

Na ponta negativa, apenas 5 das 69 ações do índice caíram mais de 2%. O principal destaque ficou com a Qualicorp, que afundou 3,26% após anúncio de aquisição de 15% do capital social da Aliança Administradora de Benefícios de Saúde e GA Consultoria. As empresas de educação Estácio e Kroton, bem como a estatal Eletrobras, fecharam a lista das maiores quedas do Ibovespa, recuando entre 2,3% e 3,2%.

CONFIRA OS PRINCIPAIS DESTAQUES DA BOVESPA NESTA TERÇA-FEIRA:

Destaques de alta

Continua depois da publicidade

Petrobras
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 23,29, +3,60%; PETR4, R$ 24,56, +3,06%) chegaram a subir 5% na máxima do dia, com PETR4 chegado aos R$ 24,90 pela primeira vez desde junho de 2010, em meio aos rumores de que a pesquisa Ibope de amanhã mostrará Marina à frente de Dilma já no primeiro turno, o que deve abrir ainda mais vantagem também no 2° turno. No último Ibope, divulgado dia 26 de agosto, Marina aparece com 29% de intenções de voto, enquanto Dilma mantinha o primeiro lugar com 34% dos votos. Já o último Datafolha, revelado na sexta-feira, Marina mostrou 13 pontos percentuais acima da pesquisa anterior do instituto, com 34% das intenções, empatada com o percentual de Dilma.

Ainda sobre a petrolífera, um relatório divulgado hoje pelo Credit Suisse ressaltou que os os analistas do banco estão confortáveis com os papéis ordinários até R$ 28. Ontem, o BTG disse que o papel ON da Petrobras poderia chegar a R$ 30 em caso de vitória de Marina Silva à presidência. Enquanto hoje, os papéis PETR4 da companhia ultrapassam por R$ 0,01 a máxima de 2011 e voltam aos valores de junho de 2010, valendo R$ 24,90 na melhor cotação do dia. 

Banco do Brasil
Já para o Banco do Brasil (BBAS3, R$ 37,46, +5,73%), contribui para a alta também um outro relatório do Credit Suisse
, que elevou a recomendação dos papéis da instituição de “neutro” para “outperform” (desempenho acima da média, ou similar à compra). O preço-alvo foi revisado em quase 100%, indo de R$ 23 para R$ 44, o que representa um upside na faixa de 20% em relação aos preços atuais. “Apesar do forte desempenho no acumulado do ano, acreditamos que as ações do Banco do Brasil ainda estão subprecificadas”, disse em relatório o analista Marcelo Telles. Por conta disso, ele estima que a relação “risco-retorno” dos papéis do BB ainda está agradável, mesmo com eles já tendo subido 100% da metade de março pra cá.

Siderúrgicas
Os papéis do setor de siderurgia – Gerdau (GGBR4, R$ 13,10, +3,31%), Gerdau Metalúrgica (GOAU4, R$ 15,96, +3,03%), CSN (CSNA3, R$ 9,95, +3,11%) e Usiminas (USIM5, R$ 8,40, +3,70%) – subiram, com CSN tendo sua primeira alta após 5 quedas seguidas. Hoje, foram divulgados os dados da produção industrial nacional, que demonstrou crescimento de 0,7% para julho, de acordo com o IBGE. Os resultados romperam 5 meses seguidos de dados negativos, período em que acumularam queda de 3,5%. No primeiro semestre deste ano, a indústria registrou queda de 2,6%.

Além delas, o setor de autopeças também subiu forte, com as ações da Marcopolo (POMO4, R$ 4,55, +2,25%), Randon (RAPT4, R$ 7,63, +2,25%) e Iochpe Maxion (MYPK3, R$ 19,10, +2,14%), após os dados terem revelado que o setor industrial de veículos automotores, reboques e carrocerias mostraram alta de 8,5% entre junho e julho. De acordo com o analista-chefe da Guide Investimentos, Luis Gustavo Pereira, o mercado esperava dados mais negativos, e foi surpreendido pelos números, o que pode ter causado a alta no setor.

Vale mencionar que as ações da Marcopolo entraram para a carteira do Ibovespa na última segunda-feira, o que estimula uma pressão compradora adicional sobre a ação.

Continua depois da publicidade

BR Properties (BRPR3, R$ 15,49, +1,91%)
As ações da BR Properties abriram a sessão entre as maiores altas do Ibovespa, mas perdem força e fecharam com leves ganhos, reagindo a venda de ativos anunciada nesta terça-feira. A empresa de imóveis comerciais realizou mais uma etapa da operação de transferência de galpões industriais ao grupo Global Logistic Properties Limited (GLP), numa transação de R$ 92,055 milhões, e informou que ativos equivalentes a R$ 576,4 milhões não fazem mais parte da operação.

Em março, ao divulgar a operação, a BR Properties informou que receberia R$ 3,18 bilhões pela venda de 34 galpões industriais e de logística para a GLP.

Vivo (VIVT4, R$ 48,00, +3,23%)
A Telefónica, dona da Vivo, está prestes a comprar a GVT do grupo francês Vivendi, deixando para trás a proposta feita pela Telecom Italia, controladora da TIM, que entrou na disputa após uma oferta inicial da espanhola no começo de agosto. Na sexta-feira, a Telefónica afirmou que a operação e integração da operadora de banda larga da GVT com negócios no Brasil será rentável desde o primeiro dia, em um acordo que pode proporcionar sinergias mínimas de 4,7 bilhões de euros. Segundo a companhia, a transação deve ser concluída em meados de 2015 e colocará a subsidiária brasileira da Telefónica como a principal operador integrado com a maior quota de mercado em termos de receitas e números de acessos no mercado brasileiro. A oferta da Telefónica pela GVT foi de 7,45 bilhões de euros, dos quais 4,66 bilhões serão pagos em dinheiro e o restante ao equivalente a 12% das ações da empresa combinada.

Continua depois da publicidade

Destaques de queda

Qualicorp (QUAL3, R$ 27,00, -3,26%)
As ações da Qualicorp caíram nesta sessão reagindo ao contrato anunciado hoje para a aquisição de 15% do capital social da Aliança Administradora de Benefícios de Saúde e GA Consultoria, sociedades indiretamente controladas pela companhia. O valor da operação é de R$ 155 milhões, a serem pagos em 30 dias contados a partir de ontem.

Segundo o Bradesco BBI, o anúncio parece ligeiramente negativo diante do preço aparentemente alongado, além de ainda estar pouco claro como a companhia pretende financiar a aquisição ou se terá impacto em provisões.

Continua depois da publicidade

Vale (VALE3, R$ 28,75, -0,69%; VALE5, R$ 25,50, -0,97%)
As ações da Vale chegaram a subir nesta terça, mas viraram para a queda, fechando em seu 9º pregão consecutivo de perdas. Apesar do “ânimo” que chegou a ser registrado hoje, o preço do minério de ferro – principal produto da Vale -, que pressionou as ações da empresa nestes últimos dias, continua em queda nesta sessão, atingindo o menor patamar desde outubro de 2009.

Cosan (CSAN3, R$ 45,19, -0,02%)
Os papéis da produtora de biocombustíveis chegou a subir 2,39% na máxima do dia, cotados a R$ 46,28, porém viraram para a queda e fecharam perto do “zero a zero”. É importante mencionar que os papéis estão iniciando um novo “rali eleitoral”, já que Marina Silva entrou para o novo cenário das eleições trazendo sua agenda sustentável, o que o mercado entende como positivo para a companhia, já que um possível incentivo ao etanol irá beneficiar a empresa.