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Por gosto, os caciques (alias, sub, pois o principal era o ex-governador) não dariam a vaga de Eduardo Campos na chapa presidencial à vice Marina Silva. Se dependesse deles, muitos aboletados no governo Lula/Dilma Rousseff, nem Campos teria saído candidato.
Os irmãos Gomes, o governador Cid e o ex-ministro Ciro, no Ceará, inclusive deixaram o PSB e foram se alojar no recém-desconhecido PROS irados com a insistência do governador de Pernambuco.
Os Gomes e outros pessebistas – como o vice do partido, Roberto Amaral, o ministro Fernando Bezerra Coelho, da Integração, indicado por Campos – preferiam que ele aceitasse um dos “cantos de sereia” entoados para ele pelo ex-presidente:
(1) desistir da candidatura, concorrer a um outro cargo, pegar um ministério do Dilma II e preparar-se para ser candidato da coligação petista em 2018 com apoio dele Lula;
(2) entrar como vice na chapa de Marina fazer o mesmo caminho para 2018.
Campos não cedeu às pressões também por duas razões:
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(1) já tinha um plano traçado e não queria ficar a reboque do PT, conhecido por não abrir os melhores espaços para ninguém.
(2) sabia que o lugar da aliança governista para 2018 já estava devidamente reservado para Lula.
Agora, este grupo quer dar o passo atrás, desistindo de lançar Marina na vaga deixada tragicamente pelo líder e passando a apoiar a reeleição de Dilma. Este propósito fica claro na tergiversação do comando do partido em começar a discutir a questão. A desculpe primeiro tomar compromissos de Marina.
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Por mais que se respeite as circunstâncias e o luto da família, o partido não tem muito tempo para tomar a decisão, não pode esperar o limite legal do dia 22 para anunciar oficialmente o que fará, pois faltam menos de dois meses para a eleição e a campanha na televisão, considerada ainda o grande evento da propaganda eleitoral, abre-se na terça 19.
E mais do que para qualquer outro, esse espaço será crucial para Marina, não se tornar mais conhecida, mas para que os eleitores possam tomar conhecimento de que ela é candidata e não Campos como eles estavam sendo comunicados.
O potencial de Marina quando ela entra no jogo com boa exposição é elevado. Em 2010, em agosto, às vésperas do início da propaganda na tevê ela tinha 5% da intenção de votos – conquistou nas urnas 20% dos votos válidos.
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A má vontade dos caciques do PSB, no entanto, está para ruir, como mostram todos os jornais de hoje. A família de Eduardo Campos – tendo à frente um irmão que, já se pronunciou ontem, e que poderá incluir declarações públicas da própria viúva Renata, dos filhos e da mãe Ana Arraes – é entusiasta da indicação de Marina. É um apelo emocional forte capaz de acuar os reticentes pessebistas.
E, mais, como escreveu hoje a colunista Eliane Catanhede na “Folha de S. Paulo”: esse recurso, se explorado na campanha com uma figura meio mística como Marina, vai fazer barulho entre os eleitores.
Para neutralizar Marina, Lula não perdeu tempo. Ontem mesmo ele se comunicou com o vice-presidente do PSB, agora presidente em exercícios, Roberto Amaral, um dos resistentes a Marina, para dobrar o PSB.
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E anunciou que procurará a própria ex-ministra, de quem está afastado desde que ela deixou o seu governo, por divergências principalmente com Dilma na Casa Civil.
“O Globo” diz que dirigentes petistas falam em pelo menos rachar o PSB nos Estados, levando alguns candidatos do partido aos governos a apoiarem Dilma ignorando Marina.
O cuidado se justifica: segundo um assessor palaciano ouvido por Cláudia Safatle, do “Valor”, Marina “e a expressão da revolta de 2013”, que tanto abalou o prestígio do governo Dilma e assustou os politicos.
A decisão de Aécio, segundo o mesmo “Globo” é não se meter na decisão do PSB – pelo menos aparentemente. Os tucanos avaliam que Marina pode ter até 15% dos votos.
Crescem as opiniões de que, com Marina no páreo, aumentam as chances de um segundo turno. A maioria dos analistas continua achando que ela pode tirar mais votos de Aécio que de Dilma. O primeiro tira teima vai sair na pesquisa DataFolha de segunda-feira.
São Paulo sem
segundo turno?
O DataFolha, cumprindo o cronograma apresentado ao TSE, está divulgando os resultados da pesquisa eleitoral feita esta semana. Só omitiu os dados sobre a disputa presidencial.
Em São Paulo, dado divulgado ontem, o sinal é de que a eleição poderá mesmo ser decidida na primeira rodada: sem alterações fora da margem de erros em relação ao levantamento de junho, o governador Geraldo Alckmin aparece com 55% das intenções de votos (54% em junho), bem distante de Paulo Skaff, com os mesmos 16%, e de Alexandre Padilha, com 5% (um ponto a mais).
Reforçam a tranquilidade Alckmin a avaliação de seu governo – 47% de bom ou ótimo, 36% de regular e 14% de ruim e péssimo; e a simulação para segundo turno – 63% contra 26% de Skaff.
Na quinta-feira divulgou-se o resultado do Ceará, onde o senador Eunício de Oliveira (PMDB), líder do governo no Senado, que concorre com um vice tucano, Tasso Jereissati, pode ganhar no primeiro turno do adversário, o petista Camilo Santana, apoiado pelo governador Cid Gomes.
Em Pernambuco, o senador Armando Monteiro (PMDB com apoio do PT) venceria o candidato de Eduardo Campos, Paulo Câmara. O quadro pode mudar no Estado também por causa do apelo emocional da morte do ex-governador.
No Paraná o governador Beto Richa(PSDB) está à frente do ex Roberto Requião (PMDB) – 39% a 33%, tecnicamente empatados. A ex-ministra Gleisi Hoffman (PT) está com apenas 11%. Boa possibilidade de segundo turno.
Em Minas, Aécio Neves ainda não conseguiu empurrar com vontade seu candidato: o petista Fernando Pimentel lidera com 29% dos votos contra 16% do tucano Pimenta da Veiga. O diferente é que lá o número de não votos (indecisos, brancos e nulos) ainda é muito elevado: 45%. Decisão em primeiro turno.
No Distrito Federal, o ex-governador José Roberto Arruda (atualmente com candidatura cassada, à espera do STF) lidera com 35% contra 19% do atual governo Agnelo Queiros (PT) e 16% de Rodrigo Rolemberg (PSB). Segundo turno à vista, a não ser que Arruda saia de vez da disputa.
No Rio, Garotinho lidera com 25% (24% antes), seguido, pela ordem por Crivella (caiu de 24% para 18%), pelo governador Pezão (16%, subiu dois pontos) e por Lindbergh (PT) estável com 12%. Segundo turno certo.
No Rio Grande do Sul, Ana Amélia (PP, com apoio tucano) lidera com 39% contra 30% do governador Tarso Genro (PT). A disputa está polarizada e pode sair decisão na primeira rodada.
Previsão para um
PIB ainda mais fraco
O desempenho do varejo no mês de junho ante maio – o restrito menos 0,7%, o amplo menos 3,6% (tudo mais indústria automotiva e construção civil) –, menor do que o esperado, segundo divulgado pelo IBGE, já está levando algumas consultorias e analistas a reverem mais uma vez, para baixo, sua previsão de crescimento da economia brasileira para o segundo trimestre e para o ano todo.
Hoje o Banco Central lança o IBC-Br de junho, índice considerado uma prévia do PIB. Segundo analistas ouvidos pelo “Valor Econômico”, deverá mostrar um recuo de 1,6% da economia em junho, a menor retração do índice desde dezembro de 2008.
De acordo com a previsão da FGV, por meio do Monitor do PIB, a economia brasileira recuará 0,8% no segundo trimestre, menor apenas que o menos 1,5% do terceiro trimestre de 2009.
De acordo os analistas a queda do varejo não é sazonal apenas – o efeito Copa do Mundo, por exemplo – mas mais profunda. Envolveria o temor da queda do emprego e da renda, evidenciados em dados recentes sobre a confiança do consumidor.
A Caixa Econômica, por exemplo, aumentou em 76% suas provisões para inadimplência no balanço de junho em relação ao trimestre anterior. O índice chegou a 2,77%, pico dos últimos cinco anos.
Outro dado divulgado ontem mostra a dificuldade da economia nacional no momento: segundo a CNI, a participação de produtos estrangeiros no consumo interno bateu recorde no segundo trimestre deste ano, com um aumento de 21,8%. É a maior proporção, desde 2007.
Ainda mais, reflexo da fraqueza da indústria: o nível de emprego da indústria paulista caiu 0,7% em junho em relação a maio, com a demissão de 15,5 mil empregados. Na comparação anual a queda é de 4% e até junho de 0,6%.
A Fiesp acha que a indústria paulista poderá fechar o ano com menos 100 mil postos de trabalho.Na soma de 2012 para 2013 foram ceifados 88 mil empregos.
Outros destaques
dos jornais do dia
– CRÉDITO – Segundo o Banco Central, os empréstimos cresceram apenas 4,2% de janeiro a junho deste ano. Para atingir 10%, o segundo semestre terá de ser consideravelmente melhor do que a primeira metade de 2014. Com mais de 40% do mercado de crédito no país, a Caixa e o BB seguiram expandindo os empréstimos em ritmo anual de 28% e 12,5% em junho, na comparação com o mesmo período de 2013, enquanto os bancos privados tiveram crescimento inferior (ou muito próximo, caso do Itaú) a dois dígitos.
– PETROQUÍMICA – A presidente Dilma determinou ao Ministério do Desenvolvimento intermediar a disputa entre a Petrobrás e a Brasken em torno do preço da nafta, que pode afetar a produção da gasolina e produtos químicos no Brasil. É um contrato bilionário de R$ 6 bilhões e o prazo para uma decisão é o fim do mês. A disputa vem desde fevereiro. A Brasken acusa a Petrobrás de direcionar a nafta para a produção da gasolina, obrigando a importação da matéria prima a preços mais elevados.
– ELETROBRÁS – Informa o “Valor” que a estatal corre o risco de parar de pagar dividendos nos próximos anos, se acabarem os recursos de reserva de lucro e a empresa não conseguir reverter os resultados ruins que está registrando desde a adesão ao programa de renovação das concessões, por meio da Medida Provisória 579, de setembro de 2012. “Da política de dividendos, o que temos da nossa reserva [de lucro] é R$ 2,1 bilhões. Se eu ‘secar’ essa reserva aqui, aí eu não tenho obrigação de [pagar] dividendos. Na verdade, temos de melhorar os resultados da companhia para poder adotar uma política de dividendos a partir de então”, afirmou ontem o diretor Financeiro e de Relações com Investidores, Armando Casado.
LEITURAS SUGERIDAS
1. Pedro Luiz Passos – “A saída da desconfiança” – Folha
2. Editorial – “Depois de Eduardo” – Estadão
3. Dora Kramer – “A sangue quente” – Estadão
4. Ricardo Noblat – “Recife apóia Marina” – Globo
5. Celso Ming – “O varejo sente o tranco” – Estadão
6. Claudia Safatle – “Os mercados não temem Marina” – Valor
7. Raymundo Costa – “Tendência do PSB é ‘cristianizar’ Marina” – Valor
8. Reportagem – “Receita aumenta controle sobre grandes empresas” – Valor