Com continuo avanço do petróleo, bolsas dos EUA voltam a operar em queda

Em Nova York, cotação do barril atinge maior alta em 29 meses, com temor de interrupção da oferta também em outros países

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SÃO PAULO – As bolsas norte-americanas mudam a tendência observada na abertura do pregão nesta segunda-feira (7) e operam em queda, pressionadas sobretudo pela cotação do barril de petróleo, que atinge o maior patamar em 29 meses em Nova York. Discursos desencontrados de presidentes regionais do Fed também contribuem para piorar a confiança do investidor. 

O índice Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia, opera em desvalorização de 1,76% e atinge 2.736 pontos. O S&P 500, que engloba as 500 principais empresas dos EUA, negocia em baixa de 0,90% a 1.309 pontos, enquanto o Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, cai 0,64%, chegando a 12.092 pontos. 

% Var Dia Pontos %Var 30D %Var Ano
 Dow Jones -0,64 12.092 0,00 +4,45 
 S&P 500 -0,90 1.309 -0,12 +4,11 
 Nasdaq -1,76 2.736 -1,21 +3,12 

Com alta de 0,6%, superando os US$ 105 por barril em Nova York , os preços do petróleo sugerem que investidores já estão apostando em uma interrupção duradoura da produção na Líbia. Além disso, a escalada da violência no país engrandece os temores que já pairam sobre os investidores há algumas semanas de que distúrbios políticos na região podem interromper a oferta em outros países, principalmente produtores mais relevantes como a Arábia Saudita.

Na Líbia, manifestantes e tropas leais ao presidente Muammar Gaddafi realizaram embates sangrentos nos últimos dias. De acordo com a imprensa internacional, as forças aliadas ao governo de Muammar Gaddhafi voltaram a atacar regiões onde estão instalados dutos de petróleo, ao leste da Líbia, que estariam sob controle dos rebeldes.

Outros relatos indicam ainda que os bombardeios visam bloquear a passagem dos manifestantes em direção à capital da Líbia, Trípoli.

Destaques do pregão
Além da pressão sobre os preços da commodity, discursos desencontrados de membros do Fed também influenciam o comportamentos dos investidores. Enquanto o presidente do Fed de Atlanta Dennis Lockhart afirmou que um choque recessivo do petróleo em alta seria respondido com mais flexibilização da política monetária, Richard Fischer, presidente do Fed de Dallas indicou que votará pelo fim do programa de flexibilização monetária norte-americano, de US$ 600 bilhões, caso seja comprovada sua improdutividade em alavancar a economia dos EUA.

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No cenário corporativo, o destaque fica com a Western Digital, fabricante de discos rígidos , que dispara 12,73% após anunciar que irá comprar uma unidade da rival Hitachi por US$ 4,3 bilhões.

As ações da Starbucks também seguram ganhos apesar do mau humor predominante. Os papéis apresentam valorização de 1,66% após terem tido a recomendação elevada pelo Morgan Stanley de “equalweight” (expectativa de performance em linha com o mercado) para “overweight” (desempenho esperado superior à média do mercado), otimistas com a retomada das vendas nos EUA e o desempenho das filiais internacionais.

Do lado negativo, as ações da farmacêutica Repligen despencam cerca de 28%, após a empresa afirmar nesta manhã que os testes com um remédio para tratar o distúrbio de bipolaridade falharam, sendo que esta era uma grande aposta para alavancar as receitas da companhia em 2011.