JBS lidera altas e vê concorrente “na lanterna”; Tim sobe 3% com oferta pela GVT

Ibovespa sobe 1% com Datafolha aumentando chances de 2º turno; Petrobras vive dia de altos e baixos, enquanto fora do radar a Kepler Weber bate nova máxima histórica

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SÃO PAULO – Em uma segunda-feira (18) marcado pelo novo cenário político apresentado com o Datafolha, o Ibovespa viu as ações do setor frigorífico ocuparem as maiores altas e baixas. A Petrobras viveu um dia de forte volatilidade, marcado não só pelo resultado da pesquisa como pelo vencimento de opções sobre ações, enquanto que fora do radar a small cap Kepler Weber chegou a subir 8% após o resultado do 2º trimestre.

No âmbito político, a pesquisa Datafolha mostrou Marina Silva – provável candidata à presidência pelo PSB – à frente de Dilma Rousseff (PT) em um eventual 2º turno, o que teve efeito direto nas estatais e no setor financeiro. Já no noticiário corporativo, as ações da operadora Tim reagem a uma possível oferta da Telecom Itália pela GVT. A JBS, por sua vez, liderou as altas do Ibovespa após ter a recomendação elevada pelos analistas do Deutsche Bank.

O dia também presenciou uma nova alta nos papéis da BM&FBovespa (BVMF3, R$ 13,00, +2,52%) – sendo a terceira sessão consecutiva de valorização, acumulando ganhos de 8% – e do setor elétrico, como Light (LIGT3, R$ 23,00, +3,00%), Eletropaulo (ELPL4, R$ 10,252, +0,89%) e Cesp (CESP6, R$ 29,45, +1,24%). A rede de faculdades Kroton conquistou o 6º dia de alta, ao passo que a small cap Kepler Weber disparou após o resultado do 2º trimestre mostrar forte crescimento nas principais métricas operacionais.

Confira os principais destaques na Bolsa:

Petrobras e bancos
Após chegarem a subir 3% nos minutos iniciais do dia e virarem para queda de quase 2%, as ações da Petrobras voltaram para o positivo e fecharam a sessão com ganhos acima de 1% (PETR3, R$ 193,08, +1,27%; PETR4, R$ 20,40, +1,69%), mostrando forte volatilidade entre as novidades do Datafolha e o vencimento de opções sobre ações, que ocorreu nesta segunda-feira.

Também sensíveis às novidades eleitorais, os papéis da Eletrobras (ELET3, R$ 6,80, -0,29%; ELET6, R$ 11,00, +1,10%), Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 36,27, +1,45%) e Bradesco (BBDC3, R$ 37,00, +0,11%; BBDC4, R$ 36,40, +0,69%) ainda marcam ganhos, embora bem menores do que no começo do dia. O Banco do Brasil (BBAS3, R$ 29,23, +0,10%), por sua vez, mostrou forte volatilidade, mesmo após o banco Safra elevar a recomendação dos ativos para compra.

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Como temos vistos desde março, as ações de empresas estatais e do setor financeiro têm sido as mais sensíveis as novidades eleitorais. Nesta segunda, repercute no mercado pesquisa eleitoral Datafolha divulgada nesta madrugada, na qual mostrou Marina Silva – provável candidata do PSB – na frente de Aécio Neves (PSDB) no 1º turno e de Dilma Rousseff (PT) no 2º turno, embora a vantagem de votos a coloque tecnicamente empatada com ambos, se considerarmos a margem de erro.

Embora o mercado mostre ânimo pelas maiores chances de 2º turno, as análises dos cientistas políticos indicam que o resultado de Marina nesta pesquisa esteja “superestimado” pela comoção do eleitorado após a trágica morte de Eduardo Campos na última quarta-feira (13). Com isso, boa parte dos especialistas acredita que as próximas pesquisas mostrem uma queda nas intenções de voto da provável candidata do PSB – ela deve ser apresentada oficialmente como presidenciável do partido na quarta-feira (20).

Desde março, quando começaram a aparecer as pesquisas eleitorais, os papéis de estatais e do setor financeiro sempre mostraram-se mais sensíveis às opiniões dos eleitores. Isso porque, na interpretação do mercado, o atual governo não tem agradado os investidores devido à forma intervencionista que tem atuado em importantes setores da economia, como o elétrico, o financeiro e até com a Petrobras. Dessa forma, uma mudança de governo é bem vista pelos investidores pois assim esperam uma melhor diretriz na forma de gerir estas empresas.

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JBS e Marfrig 
A alta dos papéis da JBS (JBSS3, R$ 9,44, +4,89%) nesta sessão foi associada à elevação da recomendação pelo Deutsche Bank dos papéis da companhia, que passou de manutenção para compra.

Já as ações da Marfrig (MRFG3, R$ 6,07, -3,34%) ficaram como a maior queda do índice nesta segunda em seu quarto pregão seguido de queda após a divulgação de seu resulado para o segundo trimestre. Nas 4 sessões, as ações já registraram perdas de 9%. De acordo com o analista Luiz Gustavo Pereira, da Guide Investimentos, as ações podem estar reagindo ao relatório do Deutsche Bank, que passou os papéis de recomendação da JBS de manutenção para “compra”, fazendo com que os investidores expostos aos papéis de frigoríficos migrassem seus investimentos da Marfrig, para a outra companhia.

TIM (TIMP3, R$ 11,30, +3,39%)
A Telecom Italia está preparando uma oferta de até 7 bilhões de euros (9,4 bilhões de dólares), para ultrapassar a proposta da espanhola Telefónica, na corrida para adquirir a GVT, unidade brasileira da Vivendi, de acordo com uma reportagem da Bloomberg neste domingo.

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A reportagem, citando pessoas anônimas com conhecimento do plano, disse que a Vivendi teria 20% da Telecom Italia e uma participação na unidade que combinaria as duas filiais brasileiras.

A Telecom Italia está propondo a fusão entre Tim e GVT e em troca a Vivendi teria uma fatia no grupo italiano, disseram as fontes. Ela poderia submeter sua oferta à Vivendi até o final do mês. 

Kepler Weber (KEPL3, R$ 50,44, +3,36%)
Fechando na máxima histórica desde o final de julho, as ações da Kepler Weber renovaram seu recorde na Bovespa ao marcarem ganhos de 8,5% na sua máxima do dia (R$ 52,98). Os investidores mostram ânimo ao resultado do segundo trimestre da empresa, divulgado na última sexta-feira, mostrando alta de 188,2% no lucro líquido em relação ao mesmo período do ano anterior, chegando a R$ 25,1 milhões. Segundo a companhia, o bom momento vivido na agricultura brasileira impactou favoravelmente os resultados da Kepler Weber.

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A empresa reportou ainda receita líquida de R$ 226,7 milhões, aumento de 76% ante mesmo período de 2013. Já o Ebitda cresceu 114,8% na mesma base de comparação, chegando a R$ 44,7 milhões. Assim como os dados do período, os papéis da empresa vivem ótimo momento na Bolsa: de 2013 até hoje, eles acumulam ganhos na faixa de 350%.

Em relatório, analistas da Coinvalores disseram que, “como esperdo, a Kepler apresentou ótimo resultado operacional neste 2º trimestre. A renovação do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (programa que oferece linhas de financiamento com taxas de juros negativas) foi determinante para o crescimento recorde de receita líquida (+76%), EBITDA (+114,8%) e lucro líquido (+188,2%) na comparação com o mesmo período do ano anterior.”

“Adicionalmente, a Kepler Weber apresentou ganhos de produtividade e redução de despesas que culminaram em melhoria de margens. A companhia aumentou sua posição de caixa líquido (disponibilidades superam o endividamento total) e o aumento dos estoques se deu em linha com a evolução de suas atividades no período.”

MMX (MMXM3, R$ 1,18, 0,00%)
A MMX ficou de fora da segunda prévia do Ibovespa, enquanto outras alterações indicadas na primeira prévia foram mantidas, como a saída do papel da companhia do setor imobiliário Brookfield Incorporações (BISA3) e a entrada da ação da fabricante de carrocerias de ônibus Marcopolo (POMO4). A segunda prévia foi divulgada pela Agência Bovespa na manhã desta segunda-feira.

BM&FBovespa (BVMF3, 12,95, +2,13%)
A administradora da bolsa brasileira é beneficiada indiretamente pelo cenário político, já que o volume dos negócios na Bovespa e BM&F tem aumentado gradualmente à medida que os investidores tentam precificar o impacto do novo cenário político no mercado.

Além disso, a empresa reage ao início do funcionamento de compensação e liquidação da Nova Câmera (clearing). A Nova Câmera, nessa primeira etapa, serão migrados para a nova clearing as operações dos mercados e futuros – envolve operações no mercado de derivativos financeiros, commodities e mercado de ouro ativo financeiro.

BB Seguridade (BBSE3, R$ 34,94, +2,10%) e Cesp (CESP6, R$ 29,45, +1,24%)
Duas das melhores ações do Ibovespa em 2014 ficarão “ex-dividendos” na próxima terça-feira – ou seja, só receberão os dividendos aqueles acionistas que estiverem na base acionária das companhias ao final desta segunda-feira (18).

A empresa de seguros do Banco do Brasil anunciou que seu conselho de administração aprovou a distribuição de R$ 1,1 bilhão em dividendos, o que equivale a 80% do resultado líquido apurado neste primeiro semestre de 2014. Já a empresa de energia paulistana informou pagará R$ 193 milhões na forma de juros sobre capital próprio. Os valores por ação, no entanto, variam para cada ativo: para as ações preferenciais classe B, o valor pago será de R$ 0,55991 por ação, o que equivale a um yield de 1,9%.

Eneva (ENEV3, R$ 1,16, -4,13%)
A Eneva informou que a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) postergou o prazo sobre a proposta para adequação das obrigações de fornecimento de energia pela Usina Termelétrica Parnaíba para para 5 de setembro. Segundo comunicado enviado ao mercado, a empresa informa que o pagamento de qualquer penalidade relacionada ao atraso do início da operação comercial de Parnaíba II permanece suspenso até a data informada. 

CPFL Energias Renováveis (CPRE3, R$ 13,00, +0,78%)
A CPFL Energias Renováveis  comunicou ao mercado o recebimento do pedido de renúncia de Marcelo Antônio Gonçalves Souza ao cargo de diretor financeiro e de relações com investidores da companhia, a partir da segunda quinzena de setembro de 2014. A companhia anunciou ainda que ato contínuo à efetivação da renúncia, cuja data será oportunamente comunicada ao mercado, o conselho de administração da empresa se reunirá para eleger um novo diretor para ocupar o cargo de diretor financeiro e de relações com investidores da companhia.

HRT (HRTP3, R$ 12,58, -3,23%)
A petroleira HRT informou na sexta-feira a seus investidores que está em análise pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP) um processo de unitização de áreas marginais próximas ao seu único ativo em produção, o Campo de Polvo, na Bacia de Campos. A produção no campo foi responsável pelo lucro de R$ 9,7 milhões no segundo trimestre da companhia, revertendo o prejuízo recorde do mesmo período de 2013, acima de meio bilhão de reais.

A unitização acontece quando as reservas de óleo ultrapassam as limitações de campos e podem alterar o volume projetado para o desenvolvimento das áreas, além de gerar maior recolhimento por parte da ANP. Outras companhias enfrentam o mesmo processo, como a Shell e a Petrobras. Até hoje, não há uma decisão da ANP sobre nenhum outro processo de unitização.

Kroton (KROT3, R$ 65,84, +1,45%)
Nesta segunda, as ações da Kroton Educacional fecharam o dia em sua 6ª sessão seguida de alta, acumulando ganhos de 10% no período e renovando sua máxima histórica. Em relatório, o Brasil Plural assinado por Ruben Couto, Guilherme Assis e Victor Falzoni, as expectativas dos analistas é de otimismo em relação à companhia, já que, de acordo com eles, a empresa ainda poderá surpreendê-los em um momento em que passa por grandes desafios.

Magnesita (MAGG3, R$ 4,15, -3,49%)
As ações da companhia fecharam esta sessão no menor patamar na Bolsa desde março de 2007 após fracos resultados operacionais neste 2º trimestre. Mesmo com maior volume de vendas e receita líquida na comparação com o mesmo período de 2013, houve queda de EBITDA, lucro e margens. O aumento das vendas de refratários deu-se prioritariamente no segmento de siderurgia, onde o crescimento em termos de volume foi de 8,5% mesmo sem avanço da produção de aço nos principais mercados da companhia. Em valores, o crescimento foi de 20,9% refletindo o efeito cambial na tradução das vendas, na mesma base comparativa. Contudo, a evolução de custos (com a compra de óleo, mão de obra e matérias primas importadas) e o pior mix de vendas no segmento industrial pressionaram o resultado.

Em relatório, a equipe de analistas da Coinvalores declarou que “continuamos entendendo que o negócio da companhia mostra-se interessante somente no médio/longo prazo com a maturação dos projetos em mineração, bem como a efetividade da estratégia da companhia de aumentar sua presença em outros mercados”.