Com o temor dos investidores quanto a possibilidade de o governo instaurar novas medidas macroprudencias e também restrições adicionais no mercado de câmbio para conter a queda do dólar, o Ibovespa fechou a sessão desta quinta-feira (10) em queda de 1,82%, aos 66.040 pontos. Esta foi a terceira baixa consecutiva do principal índice de ações da BM&F Bovespa. O giro financeiro do pregão ficou em R$ 7,56 bilhões.
Por aqui, as medidas de contenção do crédito já vem sendo especuladas há um certo tempo, no entanto, a Ata do Copom divulgada nesta quinta-feira contribuiu para aumentar as expectativas quanto a proximidade de um anúncio por parte do governo brasileiro.
Além disso, a performance do benchmark seguiu o movimento de baixa visto nos principais mercados internacionais, pressionados por números desfavoráveis nas economias norte-americana e chinesa, corte do rating da Espanha e ainda a repercussão das manifestações populares na Líbia e na Arábia Saudita.
Destaques do Pregão
As ações de bancos figuraram na ponta vendedora do Ibovespa, repercutindo as informações contidas na ata da última reunião do Copom. Destaque aos papéis de Itaú Unibanco, Bradesco e Santander, que caíram em torno de 3%.
As ações da Vale também mostraram perdas nesta quinta-feira, pressionadas não só pelo sentimento negativo que domina todo o mercado, mas também impactadas pela balança comercial chinesa. As ações da Bradespar, holding que detém grande participação no capital da mineradora, também cederam forte. Outras produtoras de commodities, como Fibria, OGX e MMX, também reagiram mal aos dados da China.
Copom
A divulgação da ata do Copom foi o destaque da agenda, com o comitê avaliando que o quadro inflacionário “não evoluiu favoravelmente” desde sua reunião no primeiro mês do ano, uma mudança em relação à redação do documento anterior, em que constava que a inflação havia “evoluído desfavoravelmente”.
Comentando a respeito da decisão de aumentar a taxa Selic – que agora está em 11,75% ao ano -, o Copom tomou a decisão “dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias”. A sinalização de que novas medidas macroprudenciais podem ser adotadas e os comentários positivos sobre os cortes no Orçamento do Governo também foram destaque da Ata.
Também na agenda doméstica, o IPC-S registrou aceleração da inflação na primeira semana de março marcando variação positiva de 0,59% nos preços, taxa 0,10 ponto percentual superior àquela vista na semana anterior.
China e Estados Unidos
Ainda na sessão, as duas maiores economias mundiais reportaram números ruins. Na China, a balança comercial indicou um déficit de US$ 7,3 bilhões no mês de fevereiro, surpreendendo o mercado.
Nos Estados Unidos, o Departamento de Comércio do país também divulgou sua balança comercial, que reportou déficit acima do esperado pelo mercado, em US$ 46,3 bilhões. Outro indicador norte-americano a registrar situação pior do que se esperava foi o Initial Claims, que mede os novos pedidos de seguro-desemprego no país, com elevação para 397 mil, ante as projeções de 382 mil.
Ainda nos EUA, o orçamento do governo norte-americano registrou déficit de US$ 222,5 bilhões em fevereiro, pior do que as projeções feitas pelo mercado, de uma cifra negativa de US$ 196 bilhões. Este é o vigésimo nono mês consecutivo de saldo negativo do Treasury Budget.
Espanha , Líbia e Arábia Saudita
Nesta manhã a agência Moody’s anunciou corte em um nível do rating soberano da Espanha, de Aa1 para Aa2, mantendo perspectiva negativa para a nota, frente à continuidade da fragilidade na posição fiscal do país. De acordo com a analista Kathrin Muehlbronner, o downgrade resulta principalmente da expectativa de que os custos com a reestruturação de bancos exceda as atuais projeções, levando ao aumento da relação dívida/PIB no futuro.
A Moody’s ainda se mostrou preocupada com a capacidade do governo espanhol em implementar mudanças “estruturais e sustentadas” nas finanças públicas, dadas as dificuldades que o poder central possui em controlar as finanças de regiões autonomas, bem como o crescimento econômico apenas “moderado” no médio prazo.
Além disso, a agência de classificação de risco S&P reduziu em quatro níveis o rating de longo prazo em moeda estrangeira da Líbia, que passa de ‘BBB+’ para ‘BB -‘, passando à ala de notas enquadradas como grau especulativo. A S&P também suspendeu a cobertura do país, alegando a falta de informações econômicas e políticas confiáveis.
A Arábia Saudita ocupou o noticiário de países que passam por manifestações populares contra seus governos. A agência de notícias Associated Press relatou tiros no leste do país, principal exportador de petróleo da Opep.
Dólar
O dólar comercial voltou a fechar em alta, desta vez de 0,24%, terminando a quinta-feira cotado na venda à R$ 1,661. Por aqui, o BC realizou duas intervenções para compra da divisa norte-americana no mercado à vista, a primeira entre às 11h28 e às 11h33, com taxa de corte aceita em R$ 1,6603. A segunda teve início às 15h42 e término as 15h47, com uma taxa de corte aceita em R$ 1,6615.
Pressionou também o rumor de que o governo teria preparado ao longo do Carnaval novas medidas na área cambial, para conter a valorização do real frente ao dólar.
O BC aproveitou a sessão para a divulgação de novos dados sobre o fluxo cambial, incluindo o acumulado no segundo mês do ano, quando foi registrado superávit de US$ 7,419 bilhões, e também o resultado dos quatro primeiros dias úteis de março, com superávit de US$ 1,424 bilhão. Ademais, as reservas internacionais da autoridade monetária somavam US$ 310,083 bilhões na última sexta-feira e a posição de câmbio dos bancos ao final de fevereiro era vendida em US$ 12,702 bilhões.
No mercado de juros futuros da BM&F Bovespa, os principais contratos fecharam em baixa. O contrato de juros de maior liquidez nesta quinta-feira, com vencimento em janeiro de 2012, registrou uma taxa de 12,35%, 0,19 ponto percentual abaixo do fechamento de quarta-feira.
No mercado de títulos da dívida externa, o título brasileiro mais líquido, o Global 40, fechou em queda de 0,05% em relação ao fechamento anterior, a 134,75% do valor de face.
Já o indicador de risco-País teve variação positiva de nove pontos-base em relação ao fechamento anterior, encerrando o dia em 168 pontos.