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SÃO PAULO – O cenário para a Sabesp (SBSP3) está cada vez mais preocupante. Segundo relatório apresentado pela Fitch Ratings nesta quinta-feira (21), as notas da companhia seguem muito pressionadas diante da continuidade do cenário hidrológico desfavorável. De acordo com a agência, o resultado do segundo trimestre ficou em linha com o que era esperado e as razões que motivaram a revisão de perspectiva da empresa para negativa em maio também se mantiveram.
“A Sabesp enfrenta um ambiente operacional estressado, devido ao prolongado baixo índice de chuvas na região do reservatório do Sistema Cantareira, no Estado de São Paulo”, afirmou a Fitch. O sistema é responsável por quase um terço do volume de água produzido pela companhia e pelo abastecimento da sua principal região de atendimento. Em 21 de agosto, o nível de água nos reservatórios do Cantareira estava baixo, em 12,5%.
Além do programa de incentivo à redução de consumo, a Fitch diz que a postergação do reajuste tarifário de 5,4% autorizado pelo regulador a partir de maio de 2014 também afeta a geração de caixa operacional da empresa. Na opinião da Fitch, o adiamento é negativo, pois não segue uma lógica econômica em um ambiente de forte escassez de água.
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“Este cenário deveria estar pautado por decisões estratégicas associadas a medidas mais restritivas de volume e de preço que limitassem mais intensamente o consumo de água pela população de São Paulo”, diz o documento.
“O prolongamento do cenário de seca após novembro deteriorará ainda mais o ambiente operacional da companhia”, diz o relatório. Entre as projeções, a Fitch manteve sua estimativa de Ebitda da Sabesp, com R$ 2,6 bilhões em 2014, ante R$ 4,0 bilhões no ano passado. Ainda mais preocupante é o cenário da alavancagem líquida da companhia.
Segundo os cálculos da agência de rating, o indicador pode chegar a mais de 4 vezes este ano, contra 2,5 vezes e 2,7 vezes em 2013 e 2012, respectivamente. “Este nível de alavancagem é alto para a categoria de rating”, afirma a Fitch. “A alavancagem líquida pode se recuperar para um patamar em linha com os ratings atuais, assim que as condições hidrológicas se normalizarem”, completou a agência.
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Mesmo com este cenário, o relatório diz que apesar da pressão negativa sobre o fluxo de caixa operacional, a liquidez da Sabesp continua saudável para suportar as obrigações de curto prazo. “Os indicadores de cobertura da dívida de curto prazo permaneciam satisfatórios, em 2,9 vezes, quando medidos por caixa/dívida de curto prazo, e em 6,6 vezes, quando calculados por caixa+FFO/dívida de curto prazo. Em 2013, estas coberturas eram de 2,8 vezes e 7,1 vezes, respectivamente”, completou a Fitch.