Puxado pela Vale, Ibovespa sobe 0,32% e devolve parte das quedas recentes

Aversão ao risco aos poucos deixa o mercado, com sinais de contenção do aquecimento em usina nuclear do Japão

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SÃO PAULO – Em um pregão marcado pela de recuperação nos principais mercados globais, com as notícias vindas do Japão dando sinais de contenção do aquecimento na usina nuclear, o Ibovespa fechou esta quinta-feira (17) em alta de 0,32%, aos 66.215 pontos, devolvendo parte das perdas de 1,74% acumuladas nas últimas duas sessões. Na máxima no intraday, o principal índice da bolsa brasileira atingiu os 66.950 pontos, configurando um avanço de 1,44%. O giro financeiro do pregão ficou em R$ 5,79 bilhões.

A crise nuclear no Japão continua a preocupar o mundo, embora agências internacionais de notícia tenham afirmado que a situação em um dos reatores danificados na usina de Fukushima Daiichi pode ter melhorado, após tentativa do exército de resfriá-lo com água do mar nesta quinta-feira. A situação ainda é “muito séria”, segundo o diretor da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), Andrew Grahame, mas estável. Ainda assim, a classificação do incidente é 6 na escala internacional, tornando-se o segundo pior desastre nuclear da história.

Aliviando um pouco os temores quanto a uma possível catástrofe nuclear, a Tokyo Electric Power, proprietária da usina Daiichi, informou que foi restabelecida a conexão do cabo de energia, essencial para que os equipamentos funcionem a fim de restabelecer a temperatura adequada. Ainda por lá, o ministro de Finanças do país informou que o G-7 será reunido para discutir sobre as consequências do desastre. O mercado espera que sejam tomadas medidas contra a valorização do iene.

Conflitos na Líbia também voltaram a chamar a atenção nesta sessão. A batalha entre insurgentes e o governo do país segue violenta, com relatos de que confrontos teriam ocorrido na estrada para Benghazi, uma das cidades ainda sob controle dos manifestantes. Os Estados Unidos já começam a se mostrar preocupado com a possibilidade de Gaddhafi retornar ao terrorismo caso tenha sucesso nos confrontos. Com estas notícias, o petróleo teve alta de mais de 3,5% tanto em Londres como em Nova York.

Destaques do pregão
Na ponta positiva do índice, o destaque ficou com a Vale (VALE3, VALE5), que, após apresentar três quedas consecutivas desde o início da semana, viu suas ações ordinárias e preferenciais avançarem 2,84% e 2,73%, respectivamente. Além da recuperação após o forte movimento vendedor, o investidor avalia o discurso realizado na China pelo diretor de vendas da mineradora, Michael Zhu, afirmando que as exportações da companhia para o Japão não foram afetadas pelo recente desastre natural que abalou o país asiático.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

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 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 VALE3 VALE ON 52,19 +2,84 -5,17 263,96M
 VALE5 VALE PNA 45,80 +2,73 -4,99 960,38M
 EMBR3 EMBRAER ON 13,62 +2,41 +15,42 18,69M
 BRAP4 BRADESPAR PN 40,52 +1,96 -6,46 39,97M
 CMIG4 CEMIG PN 29,00 +1,54 +8,57 30,78M

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 USIM3 USIMINAS ON 27,90 -3,79 +30,68 25,71M
 CYRE3 CYRELA REALT ON 15,08 -2,71 -30,98 145,99M
 BTOW3 B2W VAREJO ON 25,44 -2,53 -19,24 10,03M
 GFSA3 GAFISA ON 10,09 -2,32 -16,20 38,95M
 CESP6 CESP PNB 27,94 -1,96 +3,48 19,83M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VALE5 VALE PNA 45,80 +2,73 960,38M 776,57M 23.524 
 PETR4 PETROBRAS PN 28,08 +1,08 463,26M 742,16M 19.267 
 VALE3 VALE ON 52,19 +2,84 263,96M 167,69M 8.707 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN EJ 35,23 -0,54 251,54M 270,50M 9.594 
 OGXP3 OGX PETROLEO ON 18,73 -0,16 170,43M 285,37M 10.721 
 CYRE3 CYRELA REALT ON 15,08 -2,71 145,99M 131,77M 9.761 
 PETR3 PETROBRAS ON 32,22 +1,32 137,52M 211,00M 9.589 
 BBDC4 BRADESCO PN 30,40 0,00 128,29M 159,47M 7.150 
 GGBR4 GERDAU PN ED 21,33 -0,42 117,00M 156,79M 11.411 
 USIM5 USIMINAS PNA 20,90 -0,71 111,38M 182,14M 8.257 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão) 

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Resultados
A sessão também contou com a divulgação de resultados corporativos. A começar pela HRT Participações (HRTP3), a empresa informou que no quarto trimestre de 2010 foi registrado um aumento de 485,6% do prejuízo líquido em relação ao mesmo período de 2009.

Por sua vez, a Braskem (BRKM5) revelou a passagem de um prejuízo de R$ 1,37 bilhão nos três últimos meses de 2009 para lucro líquido de R$ 356 milhões no último trimestre de 2010. Além disso, o Ebitda (geração operacional de caixa), com R$ 1,07 bilhão, registrou um salto de 37% frente aos resultados proforma de 2009.

O mercado ainda aguarda os balanços da Lojas Americanas (LAME4) e da B2W (BTOW3), previstos para serem divulgados ainda nesta quarta-feira.

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Agenda positiva nos EUA
Dados norte-americanos foram importantes referências positivas nesta sessão. A começar pelo mercado de trabalho, foi observado ligeira melhora de desempenho, uma vez que o número de pedidos de auxílio-desemprego reportado foi de 385 mil na semana de até 13 de março, enquanto as projeções giravam em torno de 386 mil. Na sequencia, o CPI (Consumer Price Index), índice que mede a evolução dos preços ao consumidor nos EUA, registrou variação positiva de 0,5% em fevereiro, ficando acima da variação de 0,4% esperada pelo mercado.

O nível de atividade industrial na região da Filadélfia, nos EUA, ficou acima das estimativas do mercado em março. O Philadelphia Fed Index marcou 43,4 pontos no período, enquanto o mercado esperava um resultado de 28,1 pontos positivos. Já o Leading Indicators registrou variação positiva de 0,8% no mês de fevereiro, ficando abaixo das estimativas de alta de 1% do mercado. A produção industrial no país também não bateu as projeções.

Plano interno
No plano interno, o dia foi marcado por novo indicador de inflação. Conforme divulgado pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor) apontou nova queda da inflação ao registrar taxa de 0,36% na segunda quadrissemana deste mês. No mesmo período de fevereiro, o índice marcou variação de 0,95%, enquanto que na semana passa, a taxa apurada foi de 0,44%.

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Dólar
O dólar comercial fechou a quinta-feira em alta de 0,72%, cotado a R$ 1,686, sendo a terceira alta seguida, que levou, assim, a moeda ao maior patamar desde 11 de janeiro, quando fechou a R$ 1,687. As especulações de que o Ministério da Fazenda anunciará novas medidas cambiais voltaram a mexer com os ânimos do mercado, embora negadas por Guido Mantega. É válido destacar que o dólar operou em queda ou próximo da estabilidade na maior parte do pregão, ganhando força de alta mais perto do fechamento.

O Banco Central voltou a realizar um leilão para a compra de dólares no mercado à vista, tendo realizado essa operação entre às 15h51 e às 15h56 (horário de Brasília). A taxa de corte foi aceita em R$ 1,6845.

No meio da luta contra a apreciação do real, os rumores sobre as supostas novas medidas no câmbio, que o ministério da Fazenda pode anunciar em breve, continuaram ganhando força e mexendo com os ânimos dos investidores. Os rumores circulando tratam de que fontes próximas ao governo teriam dito que o anúncio está próximo. Todavia, o ministério da Fazenda tem negado os rumores, afirmando através de sua assessoria que não há qualquer previsão para divulgação de medidas cambiais e que as notícias são apenas especulações.

Renda Fixa
Em ajuste às recentes quedas, as taxas dos contratos de DI futuro negociadas na BM&F fecharam em alta neste pregão. O contrato de juros de maior liquidez nesta quinta-feira, com vencimento em janeiro de 2013, registrou uma taxa de 12,81%, 0,07 ponto percentual acima do fechamento de quarta-feira.

No mercado de títulos da dívida externa, o título brasileiro mais líquido, o Global 40, fechou em alta de 0,06% em relação ao fechamento anterior, a 134,83% do valor de face.

Já o indicador de risco-País teve forte variação negativa de 11 pontos-base em relação ao fechamento anterior, encerrando o dia em 184 pontos.

Bolsas Internacionais
O índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, fechou em alta de 1,39% e atingiu 11.775 pontos. Seguindo esta tendência, o índice S&P 500 valorizou-se 1,34% a 1.274 pontos, da mesma forma, o índice Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia norte-americanas, subiu 0,73% a 2.636 pontos.

Na Europa, o índice CAC 40 da bolsa de Paris registrou alta de 2,43% e atingiu 3.786 pontos; no mesmo sentido, o índice DAX 30 da bolsa de Frankfurt valorizou-se 2,20% chegando a 6.657 pontos e o FTSE 100, da bolsa de Londres, subiu 1,75% a 5.696 pontos.

Confira os eventos previstos para sexta-feira
Na agenda da próxima sessão, ganha destaque mais um indicador de inflação: o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado). O índice de preços calculado pela FGV (Fundação Getulio Vargas) trará dados referentes ao segundo decêndio de março.

No mais, a sexta-feira (18) será marcada nos Estados Unidos pelo Quadruple Witching, data em que quatro importantes vencimentos ocorrem de maneira simultânea: contratos futuros de índices acionários, contratos futuros de ações, opções sobre ações e opções sobre índices.