Primeiras leituras: Mantega: tarifaço é conversa para boi dormir

O ministro da Fazenda diz em entrevista ao Estadão que não há necessidade de um tarifaço e que o BC pode flexibilizar a política monetária no ano que vem.

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Ecoando o que a presidente Dilma Rousseff disse na sabatina da CNI, o ministro da Fazenda Guido Mantega, em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo” chamou de “conversa para boi dormir” a tese de que será preciso fazer um tarifaço em 2015 para cobrir o represamento das tarifas de energia e de combustíveis.

“Essa história de que não reajustamos as tarifas é conversa para boi dormir. Não procede a idéia de que há necessidade de um tarifaço. Eu não faria nenhum tarifaço em 2015.”

Ainda na linha da presidente, o ministro afirmou que há no Brasil “pessimismo artificial” com a política econômica e que “se tivesse mais otimismo na economia talvez ela fosse melhor”.

Outras afirmações de Mantega:

– Ano que vem o BC poderá flexibilizar a política monetária.

– Há forte queda da inflação no país e ela será menor no segundo semestre.

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– O crescimento vai melhorar no segundo semestre. O PIB foi moderado no primeiro semestre por conta da economia mundial.

– O superávit primário será cumprido com a entrada de R$ 18 bilhões do Refis, R$ 8 bi das concessões de telefonia 4 G e dos R$ 2 bi da cessão de campos de pré-sal à Petrobrás.

Pelo tom e algumas referências, o ministro estava mandando recados para a oposição e para o “mercado”.

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Mantega andava mais ou menos recolhido há algumas semanas. A entrevista faz parte da estratégia governista para ajudar a presidente em sua campanha. Ministros estão escalados para não deixar passar nada, aproveitar todas as oportunidades para expor as políticas oficiais.

Nesta direção, informa Claudia Safatle no “Valor”, petistas graduados que trabalham no governo foram convocados para um reunião no sede do PT em Brasília esta semana e convidados a fornecer dados das realizações do gestão Dilma para serem levados às ruas e mostrados aos eleitores. Estiveram lá, entre outros, os ministros Ricardo Berzoini e Gilberto Carvalho e o secretário-Executivo da Previdência, Carlos Gabas.

Eleições: pesquisas e promessas

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O jornal “O Globo” compilou resultados mais recentes pesquisas do Ibope em oito Estados – SP, MG, RJ, PE, BA, DF, SC e RS – que somam 91 milhões de eleitores, 63,7% do total do eleitorado brasileiro (“Onde o voto pesa mais”)

Algumas constatações:

– Dilma lidera as pesquisas nos maiores colégios eleitorais, mas tem rejeição elevada nos três maiores – SP, MG e RJ. –

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No Rio (2º colégio) Dilma tem 20 pontos de vantagem sobre Aécio. Ela ganhou lá em 2010.

– Em Minas, a vantagem é de Aécio, com 10 pontos. Dilma também ganhou em MG em 2010.

– Em São Paulo ela tem 5 pontos sobre Aécio. Em 2010, o tucano Serra venceu no Estado.

– A melhor performance da presidente é na Bahia, 48% contra 15% do mineiro.

Em 2010 a vantagem lá foi superior a 60%.

– Aécio bate Dilma por um ponto (dentro da margem de erro) em Brasília. Em 2010 o PT ganhou na capital.

– Eduardo Campos está em terceiro em todos esses Estados, menos em Pernambuco. Mesmo assim lá a vantagem ainda é de Dilma, 41% a 37%.

– O pior desempenho de Dilma é no DF e o de Aécio em PE.

– Índices de rejeição de Dilma: SP – 60%; DF – 58%; RJ – 54%; MG – 51%; SC – 45%; PE, RS – 39%; BA – 31%.

Dilma bateu forte na oposição ontem em São Paulo, diante de uma platéia de sindicalistas, dizendo, entre outras coisas, que o PSDB deixou o Brasil três vezes de joelhos diante do FMI.

Também disse que não vai “flexibilizar” a legislação trabalhista e manterá a atual política de reajuste do salário mínimo atual, que expira em 2015, insinuando que se Aécio vencer ele fará isto. Ela acusou ainda a oposição de optar pelo quanto pior melhor.

Esses são dois pontos defendidos pelos empresários e Aécio já deu, em palestras para grupos restritos que vê com simpatias algumas das propostas defendidas por eles nesta área trabalhista.

Aécio ainda está às voltas com a questão do Aeroporto de Cláudio. Uma das estratégia do PSDB é contestar o que o partido classifica como “uso eleitoral” do governo. Entrou com representação na Justiça contra a presença de um lote de ministros na sabatina da presidente na CNI. Não deve dar em nada.

Eduardo Campos busca uma maneira de entrar no jogo. Seus índices de intenção de votos estão estagnados e ele ainda não conseguiu colocar uma cunha na polarização PT-PMDB.

As contas que não se pagam

O BC divulgou os dados das contas consolidadas de todo o setor público (União, Estados e municípios) de junho e do trimestre. Em matéria de desempenho nenhuma surpresa: houve déficit primário em junho e o superávit alcançado no primeiro semestre alcança apenas 30% do prometido para todo o ano.

Em maio e junho o déficit primário foi de R$ 13 bilhões.

O déficit nominal (que inclui também juros da dívida pública, e o conceito mais usual no mundo) está em 3,6% do PIB contra 2,8% nos primeiros seis meses de 2,13%, uma piora considerável.

O governo federal terá de fazer uma economia de R$ 65 bi nos seis meses finais de ano para chegar aos R$ 80 bilhões prometidos. Os Estados e município ainda terão de economizar mais R$ 3 bi.

A grande surpresa foi a admissão, pelo chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel, de que ficou mais difícil cumprir a meta de economizar 1,9% para abater a dívida. No segundo semestre os gastos são sempre maiores. Outra surpresa foi que os Estados e municípios tiveram melhor performance que o governo federal.

Outros destaques

– “O Estado de S. Paulo” informa que o Tribunal de Contas da União encontrou falhas generalizadas em algumas das principais obras do governo federal. OTCU apontou problemas no Minha Casa, Minha Vidas, nas Unidas de Pronto Atendimento, nas áreas de aeroportos, estradas e portos. Entre os problemas, projetos mal feitos, falta de parâmetros para ajudar na elaboração de estudos técnicos mais confiáveis, serviços de baixa qualidade.

– Segundo a Fundação Getúlio Vargas a Copa prejudicou os setores de varejo e serviço. O Índice de Confiança do Comercio caiu 6,3% no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano passado. E o Índice da Confiança dos Serviços recuou 0,6% em julho em comparação com junho. Já os consumidores, segundo o Índice Nacional de Expectativa do Consumidor, da CNI, já estão menos pessimistas com a situação do emprego, da renda e inflação: ele aumentou 3 pontos em julho em relação a junho. Para a GV as expectativas para daqui a três e seis meses estão mais positivas.

– O setor automobilístico ainda não viu o fim do túnel. Informa “O Globo” que as montadoras estão de novos dando férias coletivas (800 empregados na Fiat) e licenças remuneradas, o lay-off (Ford 1.800 em Taubaté). Números ainda incompletos indicam que a venda de veículos em julho foi cerca de 15% menor que a de junho, que já não havia sido nada boa.

– Segundo o “Valor”, baseado em dados da Funcex, a balança comercial de bens de capital brasileira no primeiro semestre indica queda dos investimentos no país. Houve queda em 11 das 15 subcategorias de bens de capital mapeadas.

LEITURAS SUGERIDAS

1. Pedro Luiz Passos – “Tudo conspira contra o investimento” – Folha 

2. Editorial – “As contas públicas afundam” – Estadão

3. Celso Ming – “Só falta a sentença” – Estadão

4. Rogério L. Furquim Werneck – “Pessimismo inadmissível” – Estadão

5. Editorial – “Setor público ignora conjuntura econômica” – Globo

6. Claudia Safatle – “Futuro dos juros vai depender do câmbio” – Valor 

7. Ribamar de Oliveira – “Todos indicadores apontam para piora significativa” (sobre contas públicas) – Valor

8. Maria Cristina Fernandes – “Fiel depositário” – Valor 

9. Editorial – “FMI não vê catástrofes nem período de bonança para o Brasil” – Valor 

10 Armando Castelar Pinheiro – “A visão de médio prazo do FMI” – Valor