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Os bancos internacionais estão buscando reunir um grupo de investidores para comprar a dívida argentina em disputa e resolver um processo judicial nos EUA que está impedindo o país de pagar qualquer um de seus bônus estrangeiros.
Os bancos estão buscando investidores dispostos a adquirir os bônus não reestruturados depois do calote do país em 2001 e que estão em posse de um grupo de empresas liderado pela Elliott Management Corp., disse Eduardo Eurnekian, um bilionário argentino que foi abordado por banqueiros. Embora a Elliott conte com uma ordem judicial que garante restituição total, um banqueiro familiarizado com as negociações especulou que o fundo hedge com sede em Nova York aceitaria um acordo por um valor aproximado de US$ 0,80 a US$ 0,85 por dólar.
O que está em jogo para os bancos, dentre os quais está o Citigroup Inc., é uma oportunidade de ajudar a Argentina a pagar seus bônus e a recuperar o acesso aos mercados estrangeiros, reforçando o valor da dívida e mostrando uma boa vontade que pode levar ao fechamento de negócios quando o país começar a emitir notas novamente. Por enquanto, a Argentina se encontra novamente em meio a um calote, tendo sido forçada a descumprir um pagamento de US$ 539 milhões em juros no mês passado sobre bônus reestruturados quando um tribunal americano decidiu que o país não poderia pagar essas notas sem também honrar sua dívida de US$ 1,5 bilhão com a Elliott e outros holdouts.
“Os bancos estão trabalhando para aproximar as pessoas”, disse Eurnekian, administrador da holding Corporación América, que gerencia empresas em setores como aeroportos e energia, em entrevista à Rádio Mitre. “É muito complexo. Eu não sei como isso se resolverá. É um assunto para advogados e financistas. Estamos de acordo que queremos que isso se solucione”.
JPMorgan, HSBC
Além do Citigroup, o JPMorgan Chase Co., o HSBC Holdings Plc e o Deutsche Bank AG também fazem parte das discussões com investidores que visam solucionar o impasse, segundo uma fonte com conhecimento das reuniões, que pediu para não ser identificada porque as negociações são privadas. Estes bancos são os maiores subscritores de bônus latino-americanos em mercados internacionais neste ano, segundo dados compilados pela Bloomberg.
Danielle Romero-Apsilos, porta-voz do Citigroup, e Robert Sherman, porta-voz do HSBC, preferiram não comentar, assim como Verónica Espinosa, porta-voz do JPMorgan, e Ari Cohen, do Deutsche Bank. Stephen Spruiell, porta-voz da Elliott, também preferiu não comentar.
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Os bancos podem realizar o financiamento de uma parte das aquisições da dívida, segundo o banqueiro, que pediu para não ser identificado porque as discussões variam e estão sujeitas a mudanças. Tem sido difícil fechar um acordo porque os compradores não sabem quanto a Argentina acabará pagando pela dívida, disse a fonte.
Eurnekian disse na entrevista de rádio que está disposto a colocar dinheiro para chegar a um acordo. Ele disse também que outras empresas argentinas estão dispostas a ajudar a financiar o esforço em uma tentativa de evitar que suas empresas sofram as consequências de um calote prolongado.
A presidente Cristina Kirchner, o ministro da Economia, Axel Kicillof, e outros funcionários do governo chamam os fundos hedge de “abutres”, dizendo que eles atacam países em dificuldades e buscam lucros massivos espremendo os governos por meio de tentativas de embargo e litígios prolongados.
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“A perspectiva pode melhorar drasticamente quando esse caso como um todo for resolvido, mas antes disso é preciso encontrar uma forma de compensar essa perda de capital que pode ocorrer ao comprar os bônus dos holdouts”, disse Roberto Sánchez-Dahl, que ajuda a gerenciar US$ 3,5 bilhões em títulos de mercados emergentes na Manulife Asset Management, por telefone, de Boston. “Esta será a parte interessante da equação”.