Conteúdo editorial apoiado por

15 meses após IPO, BB Seguridade dobra de valor na Bolsa; ainda dá para comprar?

Trata-se de uma das mais bem-sucedidas aberturas de capital na Bovespa nos últimos tempos, mesmo com a pequena reviravolta dos papéis vista há algumas semanas
IPO da BB Seguridade (Foto: B3)
IPO da BB Seguridade (Foto: B3)

Publicidade

SÃO PAULO – Passado pouco mais de um ano desde sua estreia na Bovespa, o BB Seguridade (BBSE3), braço de seguros e previdência do Banco do Brasil (BBAS3), segue colhendo os frutos de seus positivos resultados apresentados, cativando cada vez mais a confiança do investidor do mercado brasileiro. Conforme verificou o InfoMoney, desde o IPO (Oferta Pública Inicial) de abril do ano passado até o pregão desta terça-feira (12), a companhia já acumula ganhos de quase 100%.

Trata-se de uma das poucas e mais bem-sucedidas aberturas de capital na Bovespa nos últimos tempos, mesmo com a pequena reviravolta nos papéis vista há algumas semanas. Após chegarem ao maior fechamento já registrado, de R$ 35,14 em 28 de julho, os papéis BBSE3 acumularam perdas de 8,55% até a véspera. No entanto, nesta terça-feira o mercado já parece voltar a dar ânimo para as ações da companhia depois da divulgação de seus números referentes ao 2º trimestre deste ano.

Na manhã desta terça-feira, a BB Seguridade informou o mercado que seu lucro líquido disparou 53,6% entre abril e junho, superando as expectativas do mercado. A companhia teve lucro líquido de R$ 845,5 milhões no período, contra expectativa média de analistas de resultado positivo de R$ 726 milhões.

Continua depois da publicidade

Segundo a equipe de análise da XP Investimentos, o desempenho apresentado pode ser considerado positivo e relevante. “Vale ressaltar que o ritmo de crescimento do grupo não deve se manter neste patamar”, ressaltou a corretora. Além disso, o conselho de administração da companhia aprovou ainda a distribuição de R$ 1,195 bilhão em dividendos, a serem pagos ainda neste mês.

A empresa afirmou que apresentou receitas recordes em todos os segmentos de negócio no primeiro semestre, com destaque para as contribuições em planos de previdência privada e de seguros de vida, habitacional e rural. A receita líquida do trimestre somou 1,156 bilhão de reais, alta de 6,2% sobre o faturamento obtido um ano antes. Enquanto isso, as despesas subiram 9,5%, a cerca de 130 milhões de reais.

Para entender a história
Em abril do ano passado, o Banco do Brasil tomou uma ousada iniciativa de abrir o capital de seu braço de seguros e previdência mesmo em um período não muito favorável para o mercado acionário nacional. Os sinais de uma economia que atingia a exaustão e começava a preocupar os especialistas não abalaram os planos da estatal. O resultado deu certo e quem comprou as ações do BB Seguridade desde sua entrada na Bovespa só tem a comemorar com os ganhos de mais de quase 100%, com poucos sustos nesta caminhada.

Continua depois da publicidade

A mudança de direção dos ventos na bolsa fazia-se mais clara a cada nova OPA (Oferta pública de aquisição) anunciada e IPO (Oferta pública inicial) postergado. Para boa parte dos investidores, a segurança do mercado passou para o lado de fora da bolsa. Então como explicar o paradoxo do sucesso da operação de uma seguradora no cenário tão turbulento na renda variável?

Desde que suas ações passaram a ser negociados na Bovespa, em 25 de abril do ano passado, nada freou o BB Seguridade. A empresa de seguros driblou o ambiente árido de poucos amigos na Bovespa e já conseguiu se valorizar em 97,06%, indo de R$ 17,00 para R$ 33,50 – mais cara que as ações da de sua criadora (R$ 24,70). No mesmo período, o Ibovespa acumulou alta próxima de 2,69%.

Importante destacar que, desde seu ingresso na Bolsa, as ações BBSE3 apresentavam um forte volume financeiro, superando já nos seus primeiros meses de negociação a média de R$ 150 milhões por dia. Tudo isso propiciou para que o papel entrasse no Ibovespa na carteira de janeiro. Já em maio, ele passou a ingressar outros dois importantes índices da Bovespa, o IBrX-50 e IBrX-100.

Continua depois da publicidade

Surpreendente? Nem tanto
Tal retrospecto fez com que, em menos de um ano de existência na bolsa, o BB Seguridade já fizesse parte do principal índice acionário do mercado nacional. Em conversa com o InfoMoney, o CFO (Chief Financial Officer) da companhia, Werner Suffert, admitiu que era difícil esperar tamanho sucesso e receptividade do mercado em tão pouco tempo. “Rapidamente tentamos nos adaptar a esse cenário e aproveitarmos melhor o momento”, conta.

No entanto, o executivo lembra da longa existência da companhia, que, apesar do recente IPO já era segmento importante do Banco do Brasil. “Comparar-nos com uma start-up é inviável. Não saímos do zero, saímos de uma quantidade de prêmios emitidos e arrecadação bastante elevados. Com o IPO, o que a gente consegue ver é realmente um empenho maior para poder tratar do assunto com exclusividade, sem dividir tanta atenção com outros negócios do banco que também são importantes”, argumenta.

Apesar do momento de maior deterioração da economia brasileira, a ideia de IPO não foi considerada de grandes riscos pela companhia, assim como analistas explicam que investir na companhia no momento atual pode ser muito mais seguro que boa parte das opções atuais do mercado. A companhia apresenta maior resistência aos movimentos macroeconômicos, tem mostrado resultados animadores frente a seus pares e apresenta uma menor percepção de menor risco de interferência do governo em comparação com outras estatais. Tudo isso garante um toque a mais de confiabilidade para o papel.

Continua depois da publicidade

No entanto, com todo esse ganho em tão pouco tempo, é natural que cresçam os questionamentos do mercado se ainda vale a pena comprar o papel. Neste caso, se depender da confiança de Suffert, o teto das ações BBSE3 ainda pode demorar para ser encontrado.


Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.