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SÃO PAULO – Falando a uma plateia de executivos em São Paulo, em evento promovido pela Bloomberg, o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, frisou que o atual ciclo de crescimento brasileiro é sustentável.
Meirelles comparou o momento atual ao visto em outros períodos pelo País. Dois exemplos foram a década de 1950, quando a fonte de financiamento “não era tão clara assim”, e da de 1970, quando o avanço da economia foi reflexo dos petrodólares e da política monetária norte-americana.
A primeira, segundo Meirelles, resultou em inflação. A segunda, depois que Volcker assumiu o BC norte-americano, trouxe a necessidade de desalavancar o País – algo, segundo Meirelles, “sempre doloroso”.
Gargalos
Ele explica que sempre havia pequenos problemas, inconsistências no crescimento – o que não ocorre atualmente, já que os fundamentos da economia brasileira são sólidos. Apesar disso, o País tem sim que lidar com gargalos – o principal deles é a infraestrutura.
Mesmo reconhecendo os gargalos, Meirelles destacou que eles são um “bom problema a se ter”, já que significa que o País está fazendo planos de longo prazo. O ex-presidente do BC afirmou ainda que essas barreiras ao crescimento são passageiras, e variam conforme o período. “Quando você resolve uma coisa, esbarra na outra”, aponta.
Segundo ele, o País estava preparado para crescer menos e, agora, tem que se preparar para acomodar esse ritmo mais acelerado de avanço da economia. “Quando o Brasil cresceu 5% em 2004, o setor privado não estava pronto. Isso agora está acontecendo em todos os setores”, afirmou.
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Reservas
Assim como fez à frente do BC, Meirelles fez questão de destacar a importância das reservas internacionais acumuladas nos últimos anos, que deixam o País mais resistente a choques.
Além disso, Meirelles seguiu a linha adotada pelos EUA e afirmou que a atual situação de desequilíbrio entre alguns países que consomem demais e não tem reservas e vice versa, não é algo sustentável.
Sem comentários
Questionado sobre sua nova função à frente do Comitê Olímpico ou sobre as últimas decisões do Banco Central, tomadas sob a tutela de seu sucessor, Alexandre Tombini, Meirelles preferiu não comentar nenhum dos assuntos.