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SÃO PAULO – Penalizada na Bovespa há mais de um ano, a CSU Cardsystem (CARD3) é uma das small caps que tentam recuperar a confiança dos investidores em um momento de grandes incertezas no campo geral do mercado brasileiro. Com suas ações em queda acumulada de 34,12% nos últimos 12 meses e de mais de 40% apenas neste ano, a maior empresa independente especializada em processamento de cartões de crédito do Brasil luta contra o ceticismo e o amplo espaço para aversão a riscos no País para recuperar seu espaço na preferencia dos investidores, após um período de ajustes que trouxe significativos custos à sua imagem.
A reviravolta da empresa, no entanto, pode ter começado nos primeiros dias de maio, quando a divulgação de um balanço trimestral surpreendente de conversão de R$ 3,5 milhões de prejuízo em lucro de R$ 1,4 milhão provocou uma onda de otimismo no mercado e uma alta de 27% em seus papéis em uma única sessão. Desde então, o bom humor dos executivos da CSU só tem aumentado e o discurso de que as ações não estão no preço justo começa a ser mais aceito pelos investidores. Do dia da forte alta até a última sexta-feira (6), as ações da companhia permaneceram em R$ 1,94, acima dos R$ 1,38 que chegaram a valer no começo de maio mas bem distante ainda dos R$ 3,10 que elas valiam no começo de 2014.
Para entender melhor esse cenário ainda confuso, as percepções, expectativas e projeções da CSU Cardsystem para o futuro, o InfoMoney conversou com o CFO (Chief Financial Officer) da companhia, Ricardo Ribeiro Leite. Confira a entrevista:
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InfoMoney – Quem é a CSU Cardsystem e qual é o espaço que ela ocupa no mercado atual?
Ricardo Ribeiro Leite – A CSU é uma empresa que está completando 22 anos de mercado, sempre atuando em soluções e serviços a segmentos distintos do mercado. A fundação da empresa se iniciou na área de meios de pagamento, no processamento de meios de pagamento para emissores, principalmente de cartões bandeirados, e, com a evolução de seus negócios, novas atividades foram incorporadas. A atividade de Contact Center veio há alguns anos à área de marketing, relacionamento e fidelidade (loyalty), que hoje vive um momento de muita mudança nessa atividade. O número de entidades com grande base de consumidores que estão efetivamente adotando programas maiores de relacionamento e recompensa é grande, e nós estamos posicionando muito forte isso através da nossa operação Opte+.
Além dessas linhas de negócio, principalmente no ano de 2013, a empresa realizou investimentos no desenvolvimento de uma nova solução de negócios na área de outsourcing de tecnologia – ou seja, realização de serviços de tecnologia, seja na área de hospedagem de equipamentos, processamentos em regime de contingência, de backup -, realizando, durante o segundo semestre de 2013, o desenvolvimento de um datacenter extremamente moderno. A ideia é aproveitar o know how de processamento de gestão de data center para finalidades diversas, visto que é um mercado que cresce muito no País atualmente.
Outro projeto relacionado de alguma maneira com a área de contact center, estamos promovendo serviços de contato com consumidores finais – seja na atividade de vendas e cobrança -, através de uma plataforma de tecnologia que transforme uma operação normal de telemarketing através de mão de obra intensiva por uma tecnologia intensiva. A proposta é buscar alternativas de contatos digitais com os consumidores através de e-mails, ligações telefônicas digitais sem a interferência humana, SMS, dados, condição de localização e contatos através de redes sociais. Enfim, toda uma condição de abordagem de contato ao consumidor substituindo a situação tradicional da mão de obra humana, que acaba sendo mais custosa e menos eficiente.
IM – Vocês conseguem mensurar alguns resultados gerados com essa proposta de reinvenção do telemarketing?
RRL – Dentro dessas três novas linhas de negócio, cada uma está em um estágio um pouco diferente. O Opte+ é o que está mais avançado com implantações frente a diversos clientes acontecendo ao longo do segundo semestre de 2013, e que já está contribuindo para a evolução das receitas, tal como nós divulgamos agora da unidade Market System ao longo dos últimos quatro trimestres. Nós evoluímos dentro desta unidade específica, como métrica de crescimento, de uma receita de R$ 6,6 milhões no primeiro trimestre de 2013, com crescimento ao longo de todos esses 4 trimestres, e já atingindo R$ 9,1 milhões agora no primeiro trimestre de 2014 – ou seja, um ano depois, com crescimento de 45% em receita.
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A linha de ITS foi outsourcing de tecnologia, com o data center finalizado logo no começo desse ano, está agora em momento de atividade de vendas e vai, ao longo de 2014, fazer o que o Opte+ começou já em 2013. O C360, que é a reabordagem no mercado de contato para essas situações, está finalizando um processo de pilotos, nos quais já percebemos resultados muito positivos, que, também em 2014, começam a afetar os resultados.
O mercado viu a continuidade em todas as linhas de negócios (meios de pagamento, contact center e market system) uma evolução consistente ao longo de todos esses trimestres e a perspectiva é que a tendência fique mais acentuada pelo impacto das novas linhas de negócios. Com isso, podemos ter uma expectativa muito forte da continuidade desse trend positivo.
IM – Enquanto o ano passado foi mais voltado para investimentos em novos setores, para esse ano a maior preocupação seria com a otimização do serviço e com a melhora operacional da empresa?
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RRL – Posso responder que sim, só somando a busca de melhorias adicionais nos negócios tradicionais, na parte de meios de pagamento através da incorporação de novos clientes e desenvolvimento de novos contratos que, aumentando a base de cartões, promove uma melhor rentabilidade dessa rentabilidade – condição extremamente importante verificada no ano passado. Essas medidas formaram uma composição de melhorar o negócio tradicional – e efetivamente ao longo dos quatro trimestres, estamos colhendo isso – ao mesmo tempo em que foi um ano marcado pelo desenvolvimento e implantação das novas linhas de negócio, que começaram a promover algum resultado adicional. 2014 será um ano marcado por um desenvolvimento desses negócios intensivo.
IM – Apesar do resultado bem recebido no 1º trimestre, a ação apresenta uma queda expressiva em 2014. Como vocês enxergam essa resposta do mercado? Seria uma preocupação com esses investimentos que ainda demandam um tempo para dar resultado?
RRL – Acho que poderíamos enxergar pela seguinte ótica: tivemos em 2013 (no início do ano principalmente) uma nova realidade de negócio com uma redução de nosso portfolio na área de processamento de cartões, que causou uma redução nos resultados com materialidade já no primeiro trimestre daquele ano. Se olharmos os resultados do ano como um todo comparado com a nossa situação tradicional em 2012 ou 2011, efetivamente tivemos uma redução em termos de resultado, que poderíamos esperar uma redução na precificação da ação da companhia no mercado.
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Agora, o que precisamos observar é: temos uma evolução – independente do resultado – anual 2013 versus 2012 para trás, temos outra história presente, que é a condição de tendência absolutamente positiva trimestre após trimestre verificada ao longo do ano passado. Tal fator está chancelando a visão que está sendo passada ao mercado das oportunidades, tanto na área tradicional de negócio da companhia, como na implantação dos novos negócios. O que estamos verificando agora – e acreditamos que vai haver continuidade – é a situação de que o mercado vai perceber claramente o potencial da continuidade do crescimento expressivo em receitas e resultados, e vai revisar uma expectativa do ponto de vista de tendências de médio e longo prazo. Desta forma, acreditamos que será percebido que a condição de preço atual do papel deveria ser reavaliada por uma boa margem.
IM – A deterioração da economia brasileira preocupa vocês de alguma forma? O cenário eleitoral também traz algumas modificações na estratégia da empresa?
RRL – É claro que todos os aspectos que interferem na macroeconomia do País interferem em quase todas as indústrias e linhas de negócio. Agora, temos uma vantagem que é, hoje, pelo fato de estarmos dispersos nos mais diversos segmentos, corremos um risco bem menor de ter um setor industrial específico que, sendo impactado, nos impacta da mesma maneira.
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Acreditamos que em 2014 e 2015, por exemplo, independentemente de uma situação um pouco menos favorável em termos de crescimento da economia como um todo ou de outro indicador que não se apresente de maneira tão positiva, não vamos sofrer muito com os impactos. Não vemos por que as novas iniciativas vão ser prejudicadas. Até diria que essas novas linhas de negócio tiveram, para a sua seleção, um fator absolutamente crítico: buscamos áreas de negócio que apresentassem não só uma dimensão muito grande, como uma taxa de crescimento prevista para os próximos anos extremamente elevada, independentemente de alguma influência de curto prazo de mercado.
A área de ITS, por exemplo, pela questão de outsourcing extremamente forte hoje em tecnologia e que as empresas hoje estão promovendo, vai continuar crescendo em uma condição de dois dígitos, independentemente de qualquer coisa. Estamos absolutamente confiantes.
IM – Quais são as oportunidades e riscos que vocês veem para o futuro próximo e o que o investidor pode esperar da companhia nos próximos meses?
RRL – Acho que o investidor vai acabar verificando que nós demonstraremos nossa capacidade de manutenção desse crescimento apresentado nesses últimos quatro trimestres. E o indicador disso será a nossa capacidade de apresentação e divulgação de novos negócios concretizados. Aqui, ao mesmo tempo, seria uma oportunidade e um risco: na medida em que apresentemos novos comunicados principalmente na área de negócios, essa vai ser a confirmação da tendência de crescimento; se não apresentarmos isso, vai significar que vai demorar um pouco mais para acontecer.
Estamos extremamente otimistas de que vamos proceder a uma condição vigorosa ao longo dos próximos meses, fazendo indicações ao mercado de novos contratos sendo celebrados em todos os nossos segmentos de negócios, que vai ser um indicador objetivo da continuidade do crescimento nos trimestres à frente.
IM – Vocês enxergam a concorrência mais acirrada? Além da diversificação, qual é a estratégia de driblar essas adversidades?
RRL – A definição estratégica tomada, ao final de 2012 e início de 2013, foi, mais do que buscar uma diferenciação de competição, colocar a companhia na condição de novos desenvolvimentos de serviços para a principal resposta para a manutenção da dimensão da companhia e crescimento vigoroso do volume de negócios. A questão não é querer enfrentar alguma concorrência, mas sim, principalmente querer explorar novos negócios que possam permitir uma condição de crescimento acelerado comparativamente a outros negócios que não poderão ou deverão ter as mesmas oportunidades que apresentavam no passado – é a situação principalmente nas áreas de meios de pagamento e processamento de cartões, principalmente pelo processo ímpar que tivemos no Brasil até agora e da consolidação bancária.
Mais importante do que conseguir ter alguns diferenciais a mais dos atributos que nós já temos foi levar a experiência de negócios para outros segmentos. Então, por exemplo: para fazer processamento de cartões, significa que entendemos muito de gestão de data center e processamento em alta e baixa plataforma; aproveitamos esse know how e vamos fazer um negócio totalmente diferenciado não restrito à área bancária.
IM – Isso significaria novas operações e aquisições ou essas já existentes já seriam suficientes para a companhia alcançar o nível de diversificação desejada para o ano?
RRL – A condição de oportunidades de aquisições a crescimento não orgânico sempre vai estar presente no radar das avaliações de alternativas, mas, para esse ano, o foco vai estar, mais do que nunca, concentrado em investimentos operacionais relativos às recentes iniciativas. Apesar de as atenções estarem totalmente voltadas para essa área de atuação, obviamente sempre vamos observar com olhos e ouvidos bastante abertos algumas oportunidades.