Com China e EUA em destaque, próxima semana promete ser agitada na Bolsa

Dados da indústria no gigante asiático e PIB nos EUA devem ser os grandes destaques para os mercados no mundo; relatório de inflação agita Bovespa

Publicidade

SÃO PAULO – Após uma semana agitada, com duas pesquisas eleitorais, reunião do Federal Reserve e o mundo todo de olho no Iraque, os próximos dias prometem volatilidade com a divulgação de diversos indicadores nos EUA, China e no Brasil. Entre os destaques estão as publicações de prévias do PMI da indústria na Europa e China, além do PIB (Produto Interno Bruto) norte-americano. Na agenda doméstica, destaque para o relatório trimestral de inflação.

A semana deve começar com o mercado refletindo os dados da indústria, principalmente na China. Apesar do PMI ser apenas uma prévia, os investidores utilizam esse indicador para se posicionarem e qualquer cenário melhor ou pior que o esperado pode ter grande efeito nas bolsas mundiais. No caso chinês, a importância é ainda maior já que esse é o maior mercado para algumas commodities como minério de ferro e celulose.

Segundo as projeções da LCA Consultores, o PMI da indústria na China deve subir de 49,4 para 49,8 neste mês – lembrando que valores abaixo de 50 representam contração do setor. Para os analistas do Banco Espírito Santo, o indicador deve ser o grande “guia” do humor nas bolsas no mundo todo.

“Se os números continuarem a subir depois da contração do início do ano, nós vemos possibilidade de alta para as moedas com grande exposição à China”, afirmaram os analistas em relatório. Ainda no gigante asiático, na segunda-feira à noite será anunciado o indicador de atividade econômica do país, mais um dado que deve ter grande impacto no mercado.

Semana agitada nos EUA
Entre os diversos indicadores que serão apresentados na próxima semana nos EUA, um deve chamar maior atenção: o PIB. Após um início de ano complicado no país por causa das baixas temperaturas, a expectativa é que a atividade econômica tenha recuado no primeiro trimestre.

Em sua primeira prévia, o PIB norte-americano mostrou recuo de 1%, desanimando o mercado, que já esperava um dado ruim. Para esta apresentação, a LCA espera que a economia do país tenha uma retração corrigida para 1,8% na base anual.

Continua depois da publicidade

Em relatório, os analistas do Espírito Santo afirmam que não esperam um impacto significante no mercado, apesar que um resultado baixo pode colocar pressão nos números para o segundo trimestre. Eles ainda lembram que o próprio Fed já destacou que será preciso uma grande reviravolta para que o país consiga atingir as projeções de 2,2% de crescimento no ano.

Além do PIB, a semana conta com diversos discursos de líderes do Fed. As falas podem afetar o mercado, principalmente após a reunião do Fomc ocorrida nesta semana em que a autoridade monetária decidiu reduzir em mais US$ 10 bilhões os estímulos à economia. Além disso, o Fed cortou sua projeção para o PIB e ainda sinalizou uma possível alta nos juros mais cedo que o esperado. Diante disso tudo, qualquer nova fala poderá trazer novas percepções e o mercado tentará antecipar esses movimentos.

Inflação no Brasil
Em uma semana onde o Brasil deve ficar em segundo plano no cenário econômico, o destaque fica para a publicação do relatório trimestral de inflação. No documento, além de uma avaliação do IPCA nos últimos meses, o Banco Central também faz análises para o futuro da inflação no País, o que pode trazer sinalizações para o mercado sobre os próximos passos da autoridade monetária em relação à Selic.

Continua depois da publicidade

Além disso, importante destacar que a semana começa novamente com um pregão mais curto. Devido ao jogo do Brasil contra Camarões pela Copa do Mundo, a Bovespa irá funcionar apenas até as 14h30, sem a ocorrência de after market.


Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.