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SÃO PAULO – Não foi só nas páginas esportivas que o episódio da mordida do atacante uruguaio Luis Suárez no zagueiro italiano Giorgio Chiellini ganhou forte repercussão. Na edição impressa deste fim de semana, a revista britânica The Economist trouxe o episódio à tona para falar sobre outra possível violação, esta, porém, tendo o mercado como campo de ação.
Enquanto uruguaios tentavam explicar o comportamento do craque da celeste das formas mais criativas – do Photoshop à cicatriz antiga – e modificar as decisões impostas pela Fifa, do outro lado do Rio da Prata, os argentinos se metiam em uma saia justa bem maior e com efeitos bem mais sérios, confirmando a tese daqueles que pensam que a economia da presidente Cristina Kirchner joga conforme suas próprias regras – o “viveza criolla”, conforme apontam os jornalistas da revista britânica.
Ignorando os efeitos corrosivos da inflação com uma política econômica expansionista e intervenções nos indicadores de preços ao consumidor e culpando o FMI (Fundo Monetário Internacional) por boa parte dos problemas da Argentina, o atual governo dos “hermanos” foi duramente criticado pela equipe de jornalistas da Economist.
“Nove anos após um primeiro acordo de reestruturação [após o primeiro calote com credores], a Argentina se encontra em um momento de aperto. A recusa no mês passado da Suprema Corte dos Estados Unidos para ouvir seu recurso contra uma decisão de primeira instância, em Nova York, que deve pagar aos 8% dos detentores de bônus que se recusaram tanto a troca de títulos 2005 e uma segunda em 2010, significa que o país não tem outra alternativa prática, mas para negociar com esses redutos”, escreveram os jornalistas da publicação britânica.
A postura da equipe econômica do governo Kirchner, na visão da The Economist, insiste em traçar suas próprias regras. Para eles, o país portenho precisa “amadurecer” depois de 200 anos de independência. “O ponto é trabalhar para mudar regras injustas em vez de ignorá-las”, como adolescentes rebeldes, afirmou a reportagem. Na matéria, os jornalistas da Economist ainda lembram da situação de outros países que conseguiram reestruturar suas dívidas sem ter de recorrer de maneira faltosa a tribunais e credores da mesma forma.
Apesar do cenário inspirar forte pessimismo, os jornalistas da revista britânica ainda têm confiança em uma possível volta por cima dos argentinos com um acordo com seus credores. “Existe um motivo para esperança. Em 2001, o default inicial foi recebido no Congresso da Argentina com aplausos, como se fosse um gol da Copa do Mundo. Desta vez, ninguém está torcendo. Mesmo Cristina parece querer voltar a ‘fazer parte do mundo'”, concluíram.