Publicidade
Não está nos jornais brasileiros, mas o destaque de hoje é a entrevista que o ex-presidente Lula da Silva concedeu ontem a um grupo de correspondentes no Brasil. Bem ao seu estilo, Lula falou a respeito de um pouco de tudo, de Copa do Mundo à economia, de eleições a questões sociais. Sempre com bom humor (veja links abaixo, em leituras sugeridas).
Alguns destaques da fala do ex-presidente, individualmente ainda o maior eleitor brasileiro:
1. Sobre a Copa:“Estou convencido de que, sem essa imprensa, teríamos tido muito mais turistas.”
2. Sobre a influência do Mundial nas eleições: “Isso é futebol. Outras vezes não influenciou. Não tem por que ser agora. O povo é sábio. Os únicos que tirarão proveito se o Brasil ganhar serão o Felipão e os jogadores.”
3. Sobre protestos em geral: “O que me preocupa mais é o descontentamento dos jovens, porque não sei quem disse isso de que a desgraça de quem não gosta da política é ser governado por quem gosta.”
4. Sobre reforma política: disse que Dilma quer impulsionar uma reforma política para “ganhar participação e transparência”.
Continua depois da publicidade
5. Sobre o crescimento da economia: “Obviamente o PIB nosso não é o PIB que a gente gostaria.Quando as pessoas acham que o Brasil não cresceu muito nestes últimos quatro anos, a pergunta que faço é: ‘quem cresceu mais do que o Brasil’?”
6. Sobre combate à inflação: “Tem gente que acha que nós precisamos, para derrubar mais a inflação, ter um pouco de desemprego. Nós não pensamos assim.”
Mesmo com o meio feriado, a entrevista vai agitar o mundo político e econômico.
Continua depois da publicidade
Eleições e medidas impopulares
Ainda sobre a política econômica do futuro governo, informa o jornal “Valor Econômico” que a presidente Dilma Rousseff “não vai dizer agora o que pretende fazer agora na economia num possível segundo mandato”.
A alegação é que o quadro econômico atual está muito complexo, só deverá ter alguma clareza em novembro. Para se definir, Dilma pretende inclusive voltar a conversar com empresários, depois das eleições.
Continua depois da publicidade
A razão, porém, pode-se dizer, é outra. O passivo econômico que está ficando (só alguns exemplos: reajuste de tarifas, contas fiscais, câmbio) é pesado e muitos implicam coisas que os políticos consideram “impopulares”, portanto, não tratáveis em campanhas eleitorais.
Veja-se o caso do tucano Aécio Neves: em mais de uma conversa com empresários, ele chegou a afirmar que não teria dúvidas em adotar “medidas impopulares” se eles forem necessárias. Dilma, Lula e o PT passaram a explorar a declaração do candidato do PSDB, insinuando que elas poderiam atingir até programas sociais como o Bolsa Família. Aécio já mudou o tom: não fala mais em medidas impopulares, mas em “medidas responsáveis”.
É a campanha eleitoral, na qual a “sinceridade” é sacrificada no altar do marketing político.
Continua depois da publicidade
O temor da inflação
Na economia, destaque para o aumento autorizado pela Anvisa para os planos de saúde (até 9,65%) e pela Aneel para a energia elétrica na área da Eletropaulo, capital paulista e 24 municípios da região metropolitana de São Paulo (18,06% para residências, 19,93% para a indústria). Na área de eletricidade este foi o 15º reajusta autorizado este ano, com índices que variaram de 35,05% a 5,31%.
1. Esses reajustes têm anulado os descontos anunciados pela presidente Dilma Rousseff quando mudou regras do sistema elétrico. A redução do preço da energia, juntamente com os juros mais baixos, eram dois dos motes imaginados para a campanha reeleitoral. Ambos saíram de cena.
2. Com os dois aumentos, analistas ouvidos ontem calculam que aumenta a possibilidade de a inflação furar o teto da meta de 6,5% este ano. A inflação entrou definitivamente no radar da população. Segundo sondagem da FGV (“Valor Econômico”) cresceu a parcela dos brasileiros que acredita que a inflação vai subir este ano. Outras pesquisas têm indicado que depois de anos, o aumento de preço passou a ocupar o primeiro lugar na preocupação da sociedade, à frente de segurança, saúde e edução.
Hipocrisia e campanha eleitoral
Na política, destaque para a abertura oficial da campanha eleitoral, amanhã, sábado. É dessas “hipocrisias políticas” no Brasil. Antes dessa data, pelo calendário e as regras do TSE, não existe campanha, embora as candidaturas estejam postas e em franca propaganda há mais de um ano. A da reeleição está desde sempre.
Os candidatos fingem que não estão na corrida eleitoral e a Justiça Eleitoral finge que não vê.
Agora eles estão autorizados a ir para a rua e outras coisas. Mas começa a proibição para os candidatos à reeleição. Não podem mais fazer inaugurações, distribuições de bondades. Há restrições para liberação de recursos orçamentários.
Isso explica a azafama de lançamento de qualquer coisa, acabada e inacabada nos últimos dias, da qual são exemplos “exemplares” a presidente Dilma Rousseff e o governador Geraldo Alckmin.
Em meados de agosto começo a propaganda obrigatória no rádio e na televisão, grande aposta dos partidos e de seus marqueteiros para firmar a alavancar seus candidatos. Em nome dos segundos de televisão é que se fez o diabo e o mais em matéria de coligação partidária.
Não há um levantamento científico, mas segundo que está metido no jogo, a propaganda eletrônica influência 40% dos eleitores. Em seguida viriam: debates: 30%, coligações estaduais: 15%, e fatores imprevisíveis, 15%.
LEITURAS SUGERIDAS
1. Editorial: “Humor de Copa” – “Folha de S. Paulo”
2. Claudio Sales e Richard Lee Hochstetler – “Para fechar a conta” – Folha de S. Paulo”
3. Pedro Luiz Passos – “Nada além de um pacote” – “Folha de S. Paulo”
4. Editorial: “O apoio à guerra fiscal” – “O Estado de S. Paulo”
5. Rogério L. Furquim Werneck – “Desperdício em grande escola” – “O Estado de S. Paulo” / “O Globo”
6. Reportagem: “Lula: há um tempo para os protestos, outro para o futebol” – “El Pais (edição online em português) / “Quem cresceu mais que o Brasil? Pouquíssimos.” – “Reuters” / “Quem cresceu mais que o Brasil?, diz Lula a repórteres” – “UOL”
7. Cláudia Safatle – “Magros resultados da distribuição da riqueza” – “Valor Econômico”
8. Reportagem: “Dilma quer encontro com empresários depois da eleição” – “Valor Econômico”
9. Luis Carlos Bresser Pereira – Por que o baixo crescimento nos segue desde 1990-92? – “Valor Econômico”
10. Armando Castelar Pinheiro – “Os ciclos econômicos e o Brasil” – Valor Econômico
11. Entrevista: “Graça defende novos barris do pré-sal” – Valor Econômico