Citi vê ponto de entrada e eleva recomendação de ações da Natura para compra

Papéis oferecem potencial de valorização interessa, após queda de 17% desde setembro, afirmam analistas

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SÃO PAULO – Observando um ponto de entrada interessante, os analistas Celso Sanchez e Martha Shelton anunciaram a elevação da recomendação para os papéis da Natura (NATU3) para compra, ao passo que mantiveram o preço-alvo em R$ 52,00 – potencial teórico de valorização de 24,10%, segundo cotação de fechamento do último pregão.

Após o pico observado em setembro do ano passado, a cotação dos papéis caiu 17%. E foi justamente neste período que foi anunciada a redução da recomendação de compra, quando os analistas indicaram que a Natura era negociada com valuations elevados – com uma relação EV/Ebitda (valor empresarial sobre geração operacional de caixa) de 14,5 vezes para os próximos doze meses – e uma forte valorização, superando o Ibovespa em mais de 20% até então.

“Desde então, as ações têm se retraído e apresentado desempenho abaixo do Ibovespa, apesar de não haver mudança nos fundamentos da companhia”, destacam Sanchez e Shelton, em relatório. 

Fuga de investidores
Segundo os analistas, manchetes internacionais, como as tensões políticas no Egito e na Jordânia, parecem ter afastado os investidores dos mercados emergentes, incluindo-se o Brasil. “No entanto, assim como a AmBev (AMBV4), nós vemos a Natura como uma operadora confiável, cujo modelo de negócio consistentemente gera fluxos de caixa fortes e sustentados (como evidenciado nos últimos três anos), e um pagamento de dividendos saudável”, ressaltaram.

Os responsáveis pelo relatório ainda chamam a atenção para o fato de que o modelo de vendas diretas da companhia protege as receitas de elevações da taxa básica de juros, enquanto os prospectos de longo prazo para fora do Brasil favorecem a empresa em um horizonte de tempo de cinco a dez anos.

Resultados
Por fim, as estimativas do Citi para a divulgação do resultado trimestral, no dia 23 deste mês, são de vendas líquidas de R$ 1,558 bilhão e um Ebitda de R$ 352 milhões, o que representa um avanço de 19% na comparação com o mesmo período de 2009.