Bolsas dos EUA operam em queda, entre resultados e cenário externo

Dados ofuscam a melhora no mercado de trabalho na última semana, além das boas vendas de varejistas em janeiro

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SÃO PAULO – Os principais índices acionários de Wall Street operam em queda nesta quinta-feira (3), mesmo após o resultado de vendas de varejistas no mês ter superado as perspectivas do mercado. O mercado ainda absorve os dados abaixo do esperado da farmacêutica Merck, além das tensões no Egito e decisões de manutenção de juro básico e estímulos monetários na Europa.

O índice S&P 500, que engloba as 500 principais empresas dos EUA, opera em leve desvalorização de 0,12% e atinge 1.302 pontos. O Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, negocia em leve baixa de 0,08% a 12.033 pontos, enquanto o Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia, cai 0,07%, chegando a 2.748 pontos.

% Var Dia Pontos %Var 30D %Var Ano
 Nasdaq -0,07 2.748 +2,50 +3,59 
 Dow Jones -0,08 12.033 +2,92 +3,93 
 S&P 500 -0,12 1.302 +2,54 +3,56 

As 28 varejistas que reportaram as vendas nas mesmas lojas em Janeiro postaram um ganho agregado de 4,2% na medição mais importante do setor, bastante acima da média de 2,7% projetada por analistas consultados pela Thomson Reuters e dos 3,3% mostrados no mesmo mês de 2010.

Cadeias de lojas tiveram as melhores performances do mês, com ganhos de 5,6%. Drogarias mostraram crescimento de 4,5%, enquanto as vendas de lojas de departamento avançaram 2%. Varejistas de roupas para jovens foram a única categoria negativa, com queda de 2% nas vendas. Mesmo as fortes nevascas do período não impediram a alta do consumo e as ações do setor operam em forte alta, com destaque para a Costco, em valorização de 4,29%.

Agenda
A agenda de indicadores conta com dados da indústria, do setor de serviços, do número de pedidos de auxílio-desemprego e da produtividade do trabalhador norte-americano.

No mercado de trabalho, foram reportados 415 mil novos pedidos de auxílio-desemprego nos EUA na última semana, número melhor do que as expectativas do mercado, de 425 mil. O número também foi menor do que na semana anterior, quando marcou 457 mil solicitações, conforme os dados revisado do Departamento de Trabalho do país.

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Já a prévia da produtividade no mercado de trabalho norte-americano, excluindo-se o setor agropecuário, cresceu no quarto trimestre de 2010. O indicador, que mede a produção de uma pessoa no período de uma hora, registrou alta de 2,6%, número maior do que as estimativas de analistas, que esperavam avanço de 2,2%. Vale ressaltar que a última medição marcara alta de 2,4%.

De acordo com dados divulgados pelo Departamento de Comércio, o Factory Orders subiu 0,2% durante o mês de dezembro. O indicador, que mede o volume de encomendas à indústria norte-americana, registrou um resultado acima do esperada pelo mercado, que previa variação negativa de 0,6%. No mês anterior, o indicador registrou avanço de 1,3%, segundo dados revisados.

Da mesma forma, o setor de serviços nos EUA marcou desempenho acima do esperado pelo mercado no mês de janeiro. O ISM Services ficou em 59,4 pontos na passagem de dezembro a janeiro, resultado superior às projeções de analistas, que estavam em torno de 57,0 pontos. O número também ficou acima dos 57,1 pontos auferidos na última medição.

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Resultados da sessão
No segmento corporativo, a Sony fechou o último trimestre de 2010 com lucro líquido de US$ 1,624 bilhão após receita de US$ 27,238 bilhões no período, o que equivale a lucro por ação de US$ 0,89. No momento, os ADRs (American Depositary Receipts) da companhia japonesa são negociados com valorização de 4,5% na bolsa de Nova York.

Surpreendendo as estimativas, a Moody’s obteve ganhos de US$ 137,4 milhões no último quarto de 2010, superando com ampla margem os US$ 101,9 milhões registrados no mesmo intervalo de 2009. O lucro por ação no período subiu 35%, de US$ 0,43 para US$ 0,58, e as ações da companhia avançam 0,74%.

Entre as operadoras de cartões, o lucro da MasterCard aumentou 41% no ultimo trimestre, para US$ 415 milhões. Enquanto isso, a Visa informou que seus lucros avançaram 16%, batendo por pouco as expectativas. As ações da primeira sobem 3,15%, enquanto os papéis da segunda operam em ligeira queda.

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Farmacêuticas em queda
Também na temporada de resultados, a Merck obteve US$ 0,88 de lucro por ação no quarto trimestre de 2010, enquanto analistas previam que a companhia obteria apenas US$ 0,83. Em todo o ano passado, este valor chegou a US$ 3,42 por papel, ou US$ 861 milhões registrado após receita de US$ 46,0 bilhões. Contudo, o resultado não foi muito bem recebido, com ações da empresa em queda de 2,4%.

A rede de drogarias CVS, a maior dos Estados Unidos, registrou lucros 2,2% abaixo do esperado no quarto trimestre. Seu guidance para 2011 também foi mal recebido pelo mercado: a empresa disse esperar ganhos entre US$ 2,72 e US$ 2,82, enquanto o mercado projetava US$ 2,89, segundo estimativas compiladas pela Bloomberg. Seus papéis despencam 5,5% nesta tarde.

BCE mantém taxa de juro
Nesta manhã, o BCE (Banco Central Europeu) optou por manter a taxa básica de juro na Europa no patamar de 1% ao ano. Em entrevista coletiva, o presidente da autoridade monetária europeia, Jean-Claude Trichet, afirmou que o banco segue atento à inflação, porém sinalizou a expectativa de que este seja apenas um salto temporário nos preços, causado pelo aumento das cotações das commodities.

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Os investidores também avaliam as palavras de Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve, em pronunciamento junto ao National Press Club.