Sem pressão do Egito, maior exposição ao risco pode ajudar na retomada da bolsa

Opinião não é consenso, já que na quarta haverá vencimento de opções sobre o Ibovespa e de contratos futuros do índice

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SÃO PAULO – Com o mercado avaliando o encaminhamento da crise política no Egito e com uma agenda de indicadores domésticos escassa, analistas apontam que a bolsa brasileira pode ter um melhor desempenho nesta semana, embora a opinião não seja consensual.

Ganha destaque nesta semana ainda o vencimento de contratos futuros sobre o Ibovespa na próxima quarta-feira. Além disso, contrastando com a agenda interna, analistas apontam que os números que serão divulgados no exterior poderão afetar o desempenho da bolsa paulista.

Menor pressão
A tendência para o desempenho do mercado de renda variável nesta semana, de modo geral,é positiva. Para o economista Jason Vieira, da Cruzeiro do Sul Corretora, embora ainda existam muitas dúvidas no ambiente, “o cenário positivo para o mercado financeiro continua e devemos manter a atenção aos eventos geopolíticos no mundo árabe”.

Por sua vez, Miriam Tavares, da AGK Corretora, afirma que nos últimos dias o mercado de ações brasileiro operou “sem correlação” com o mercado externo, trajetória que não seria vista nesta semana. “[O mercado acionário doméstico] deve ter maior sensibilidade aos importantes dados na agenda externa”, afirma. Nesta semana, devem ser publicados números sobre a atividade econômica, inflação e mercado de trabalho nos EUA, Reino Unido, Zona do Euro e China.

Já na visão dos consultores da Rosenberg, “os fundamentos indicam que a Bovespa poderia subir ou, no máximo, ficar estável”. Entretanto, segundo eles, esse movimento estaria sendo impedido nas últimas semanas pela saída de capital estrangeiro da bolsa rumo a aplicações em juros. Assim, como este movimento não é estrutural, existiria a possibilidade de valorização motivada pela volta desse capital estrangeiro para a bolsa, “especialmente após o vencimento dos contratos futuros do Ibovespa, que ocorrem na quarta-feira”.

Por fim, George Sanders, da Infinity Asset Management, tem uma avaliação negativa do cenário econômico, “com perspectiva de alta de juros, alta de inflação, saída de estrangeiros, bolsas emergentes em queda”. Sanders afirma que “poderemos ter uma melhora em cima de cobertura de posições vendidas, já que as posições nunca estiveram tão grandes, principalmente em mercados de derivativos”.

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De olho no oriente
Com a redução da tensão no Egito a partir da renúncia de Hosni Mubarak, os investidores agora traçam suas perspectivas para as possíveis consequências que podem acontecer entre os países daquela região. Vale lembrar que já existem distúrbios em outras nações do norte da África, como por exemplo na Argélia.

Para Vieira, a renúncia de Mubarak, ao aliviar a preocupações dos investidores, pode fazer com que estes se sintam “mais compelidos a buscar o risco”, além de ficarem “atentos aos desígnios da transição no país”. Nesse ponto, os economistas do Barclays afirmam que a população egípcia “provavelmente não vai ficar desmotivada em ir novamente às ruas se ver o caminho das reformas sendo contrariado ou desviado”.

Sobre os efeitos da crise, o Barclays avalia que tanto a posição fiscal como a posição externa do Egito ficaram “significativamente enfraquecidas” no curto e médio prazo, fato que torna uma transição rápida e organizada um fator imperativo.