Atento à inflação, HSBC lista setores para comprar e vender neste momento

Infraestrutura e commodities aparecem bem avaliadas, enquanto exposição às empresas sensíveis aos juros deve diminuir

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SÃO PAULO – Os mercados emergentes novamente estão no centro das discussões, mas, ao contrário dos últimos anos que o foco era exclusivamente o excepcional crescimento econômico dos países, neste momento os analistas estão mais atentos ao ritmo de inflação das economias. Por conta desta expectativa de aumento dos preços, a equipe do HSBC revela suas preferências para o Brasil.

Para Alexandre Gartner e Francisco Vanzolini, analistas do banco, diante das recentes medidas macroprudenciais tomadas pelo Banco Central, é preciso manter cautela em relação à exposição em setores mais sensíveis ao aumento do juro básico, por conta, principalmente, da meta de inflação. Sendo assim, os setor de commodities e infraestrutura são as opções de investimento preferidas pela equipe.

Cenário inflacionário
No Brasil, o cenário começou a ganhar forma com as medidas de contenção de crédito adotadas pelo governo. O aumento da demanda, aliado à facilidade de obtenção de crédito e o forte aumento da massa salarial estão entre os vetores mais cotados para explicar o aumento da inflação e das expectativas. As estimativas do HSBC apontam para um IPCA próximo de 6% ao final de 2011.

Como medida de contenção, o BC decidiu elevar o juro para 11,25% ao ano e restringir o mercado de crédito. Para Gartner e Vanzolini, responsáveis pelo relatório do HSBC, a preocupação dos investidores parece estar justamente como a autoridade monetária continuará lidando com o avanço da inflação.

Por conta da expectativa de alta dos preços, a equipe acredita que novas medidas macroprudenciais devem ocorrer e um novo aperto monetário será necessário para conter a inflação. Para os analistas, apesar de o corte nos gastos representar um alívio, faltou credibilidade no anúncio do governo sobre quais despesas serão cortadas, o que deixa o mercado ainda mais receoso.

Logo, os setores muito sensíveis a essas medidas, como consumo e varejo, construtoras e instituições financeiras devem ser evitados, segundo a leitura de Gartner e Vanzolini.

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Análise setorial
Na visão do HSBC, corroborada também pelos clientes locais do banco, as taxas de crescimento serão menores entre empresas de consumo e varejo, principalmente para aquelas que trabalham com produtos de consumo discricionário e direcionados à baixa renda, já que a inflação atinge primeiramente essa classe. Por isso, as quedas nos lucros devem vir ainda no primeiro semestre. Vale acrescentar que alguns investidores mencionaram que o setor vinha sendo negociado a múltiplos muito elevados e pouco realistas antes da correção.

As construtoras também preocupam, mas em menor grau. “O foco do investidor parece ter voltado para o risco de execução e para a inflação de custos”, explicam. Muitos esperam uma desaceleração, ou até mesmo paralisação, no ritmo em que os preços das moradias vêm crescendo no País. Nesse contexto, a grande preocupação para o setor reside nas margens.

Com relação ao desempenho das instituições financeiras, a opinião parece divergir. Enquanto alguns investidores esperam uma atuação brilhante dos bancos nos momentos de aperto monetário, outros acreditam em algum tipo de dano. Porém, ainda que alguns pontos não sejam consensuais, parece não haver dúvidas sobre a inadimplência e possíveis medidas macroprudenciais adicionais.

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Os investidores esperam uma piora na inadimplência, porque em um contexto de inflação crescente e condições apertadas de crédito, é improvável supor que a taxa possa ceder. Além disso, a possibilidade de mais medidas corretivas para o crédito não estão precificadas, portanto, se vierem, causarão impacto negativo. “Os investidores mais otimistas a respeito do setor esperam que o aumento no preço dos empréstimos se traduzirá em maior margem de intermediação financeira líquida e, portanto, compensará essas preocupações “, avaliaram.

As apostas
As apostas mais confiantes estão com os setores de commodities e infraestrutura. Ainda assim, a maioria dos investidores está underweight (peso abaixo da média do mercado) para mineração e siderurgia. Essa visão foi impulsionada pelos altos níveis de estoques, pelas importações crescentes e pelos preços domésticos em queda, eventos que ocorreram no segundo semestre de 2010.

“A maior parte dos investidores com quem conversamos reconhece que esses fatores podem já estar integralmente precificados e concordam que essas forças podem ter chegado ao ponto mais crítico “, explicaram os analistas. Assim, Gerdau (GGBR3, GGBR4) e Vale (VALE3, VALE5) aparecem bem cotadas.

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A primeira deve ser beneficiada pela forte agenda de infraestrutura do País, além da melhora das condições econômicas nos EUA. Já a segunda – nomeada como “aposta de consenso” – é avaliada sob a ótica do equilíbrio apertado entre oferta e demanda no mercado e o impacto nos preços à vista das restrições às exportações na Índia. Os receios para a Vale estão em uma desaceleração da economia chinesa.

O setor de infraestrutura também aparece bem avaliado. Dentre as apostas, nomes como Ecorodovias (ECOR3), CCR (CCRO3) e Mills (MILS3) são lembrados. Os investidores parecem mais otimistas com a viabilidade dos programas do governo, como o PAC (Programa de Aceleração de Crescimento).