Em teleconferência, CEO da Lojas Renner se mostra satisfeito com resultado

Os principais destaques em sua visão foram o aumento nas vendas e a queda na inadimplência, sinais da disciplina da empresa

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SÃO PAULO – Em teleconferência referente aos resultados do quarto trimestre e exercício de 2010, o CEO (Chief Executive Officer) da Lojas Renner (LREN3), Adalberto Pereira dos Santos, destacou o crescimento nas vendas no 4T10 e o bom desempenho do cartão Renner no período. Para Santos, o bom resultado trimestral – e também anual – é decorrência da disciplina da empresa e do projeto de expansão mais agressivo.

O executivo também destacou que a melhora na cobrança, a evolução das condições das carteiras e os esforços em torno dos prazos com clientes, que permitiram à companhia uma redução significativa na inadimplência. Ainda segundo ele, as despesas estão controladas e o resultado refletiu a maior abertura de lojas, o que envolve naturalmente gastos adicionais.

Basicamente, os destaques do trimestre citados pelo CEO foram o aumento no lucro líquido, que ficou acima das expectativas do mercado, o processo de expansão com a criação de 8 novas lojas, o aumento significativo da produtividade das lojas já existentes e a melhoria de logística. Tudo isso contribuiu para um excelente resultado de vendas e um sólido Ebitda (geração operacional de caixa). 

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Assim, analisando a performance trimestral e anual da empresa, a conclusão de Santos é otimista. “A manutenção das margens observadas garantirá o início de 2011 em condições confortáveis para nós”. Mesmo considerando que as despesas operacionais possam causar um pouco de pressão nas margens durante o primeiro trimestre de 2011, o presidente da Lojas Renner espera superar as dificuldades, controlando as despesas e mantendo as margens em níveis sólidos, próximos daqueles observados em 2010. 

Inflação do algodão e repasse de custos
Perguntado sobre a política de preços da empresa após a alta do algodão, o CEO se mostrou bastante confortável e demonstrou que esse não deve ser um grande problema para a empresa. “Não temos só departamentos com vestuário, temos muitos outros que não têm nada a ver com o algodão, como é o caso do departamento de calçados, perfumaria e relojoalheria”, comentou.

Santos explicou que em toda a cadeia o repasse máximo gira em torno de 10% a 12%, caso não haja nenhuma negociação. Porém, no triângulo de produtos não há apenas a linha de base, que está sempre presente em qualquer coleção e, portanto, teria um repasse maior.

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Há ainda a parte superior, “o coração da coleção”, e o topo, chamado carinhosamente por Santos de “o creme da torta”. Essas coleções não se repetem mês a mês, por isso a indústria se movimenta, para garantir sempre novos produtos, diferenciados, contribuindo também para diminuir a necessidade de repasses nos custos.

Avaliando a inflação do algodão, Santos acredita que o repasse se dá entre 6% a 8%, o que não é algo tão expressivo. O presidente da companhia, José Galló, ainda brincou: “Se a cliente gostou, ela vai comprar seja a R$ 60,00 ou a R$ 65,00, a diferença não é tão relevante, o aumento passa imperceptível”.

Lojas Compactas e marca Blue Steel
Santos e Galló deixaram claro ao longo de toda a teleconferência que as lojas compactas, desde o início da implementação, não eram testes, mas sim uma opção definitiva. Os diretores se mostraram bastante otimistas e satisfeitos com o desempenho das lojas. “Estamos atingindo nosso objetivo”, concluiu Santos.

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Questionado sobre a inauguração da marca “Blue Steel”, o CEO da companhia afirmou que a iniciativa se enquadra perfeitamente nos modelos de negócio da empresa. Os ajustes serão feitos para saber em qual ambiente o sucesso da marca será maior.

“Temos uma marca preparada para isso e o momento é ótimo para nós, queremos capturar outro tipo de público agora, pois jovens não frequentam lojas de departamento”, afirmou o diretor.

Estratégia financeira e queda na inadimplência
A empresa ainda espera conseguir ganhos com FIDC (Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios), permitindo que a empresa atravesse o ciclo de aperto monetário e alta de juros sem sacrifícios e sem repasse para o consumidor. 

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Além disso, o otimismo com a queda da inadimplência foi grande. Para Santos a situação é confortável agora porque a Lojas Renner está colhendo os frutos de uma política bem sucedida, iniciada há anos. Assim, para ele, mesmo que o ambiente macroeconômico de menor crédito, alta de juros e inflação e queda do poder de compra tornem as coisas mais difíceis, o impacto na loja será pequeno.

Fluxo de caixa: estoques
Um dos quesitos que incomodou um pouco os analistas foi o aumento dos estoques. Porém, para Santos, a situação está controlada, já que esse nível maior nos estoques é decorrência do momento pelo qual a empresa passa.

A abertura de mais lojas faz com que os estoques já estejam prontos para abastecê-las. Além disso, a antecipação de importados aconteceu justamente nesse período do ano, contribuindo para a elevação. Ainda assim, o CEO ressaltou: “Por outro lado, temos a compensação por parte dos fornecedores”, evidenciando que essa situação não deve preocupar. 

Considerações e perspectivas
Santos e Galló se mostraram satisfeitos com o resultado apresentado pela Lojas Renner. Os executivos ressaltaram que o objetivo da empresa é manter o bom ritmo ao longo  de 2011.

Além disso, destacaram o bom desempenho das ações da empresa, considerando-a como uma ação “de crescimento”, figurando entre uma das que pagam os maiores dividendos do varejo.

Sobre as expectativas para 2011, Santos finalizou dizendo: “Queremos encantar e surpreender a todos com nossos resultados “.