BM&F Bovespa traça perspectivas otimistas para high frequency e BDRs

Apesar disso e de resultados considerados "excelentes", presidente da bolsa afirma que risco regulatório pressiona ações

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SÃO PAULO – Alguns dos principais executivos da BM&F Bovespa (BVMF3) apresentaram a investidores e jornalistas o resultado da companhia em 2010 – considerado “excelente” pela bolsa.

Apesar dos números não tão positivos no mercado acionário nos três últimos meses do ano, em consequência dos efeitos pós-capitalização da Petrobras (PETR3, PETR4), de um cenário incerto nos mercados externos e de uma mudança no mix de investidores, com maior participação dos investidores institucionais locais (que têm preços inferiores), o segmento de derivativos deu certo impulso ao balanço, ao atingir “um novo patamar em volume de negociação”, segundo os executivos. No ano, o volume de derivativos avançou 65%, enquanto o de ações subiu 22,7%. 

Entre os demais destaques, aparecem novamente as despesas da companhia, que avançaram 17,6% no quarto trimestre frente ao mesmo período de 2009, impulsionadas principalmente por investimentos em educação financeira e campanhas publicitárias (+91,8%) para atrair investidores pessoa física para a bolsa. Os custos de depreciação e amortização também subiram no período (+57,6%). A contratação de pessoal e incorporação de terceiros para o desenvolvimento da parte de tecnologia da informação também pesaram, mas ficaram “em linha com a estratégia” da empresa. 

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Além dos números do ano fechado, o presidente da bolsa também listou algumas perspectivas para os negócios – em sua maioria, positivas. Além de um cenário doméstico trazer uma perspectiva positiva de volumes para ambos os segmentos de negociação, a expectativa para a dupla listagem com a CME, por exemplo, é que os contratos de mini soja, mini S&P e mini petróleo negociados por lá cheguem ao Brasil até o final do primeiro semestre. Já o Ibovespa deve ser negociado nos EUA até o final de 2011. 

Os 5 milhões
Pinto também abordou a já conhecida meta da bolsa de ter 5 milhões de pessoas físicas investindo até 2014. “O varejo internacional também é foco – não precisam ser 5 milhões de investidores pessoa física brasileiros”, disse o presidente da bolsa. Além de parcerias com bolsas externas, a BM&F também tem investido pesado em programas de educação financeira e marketing, como a campanha “Quer ser sócio?”, que corresponderam a um aumento de 91,8% nos custos de divulgação e promoção no quarto trimestre, na base anual. 

Além das 5 milhões de pessoas físicas, a meta da bolsa é ter também 200 novas empresas listadas – número esse considerado conservador. “A pessoa física não depende só da bolsa, mas também da estabilidade macroeconômica, de um juro mais baixo, de uma alta do PIB (Produto Interno Bruto) per capita”, explicou. 

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Segundo Pinto, a expectativa da BM&F Bovespa é que 2011 e 2012 sejam anos “só de trabalho” em termos de atração de pessoa física. Os resultados devem vir somente em 2013 e 2014 – quando termina o prazo do guidance. 

High frequency
“O volume de high frequency será espetacular”, prevê Edemir Pinto. Segundo a bolsa, atualmente os negócios de alta frequência respondem por cerca de 7% do volume no mercado acionário, e 5% no mercado de derivativos. “Nos EUA, o high frequency responde por enre 60% e 70% do volume negociado. Na Europa, entre 40% e 50%. É difícil chegar nesses volumes, mas poderíamos atingir 20%”, disse Eduardo Guardia, diretor Financeiro, Corporativo e de Relações com Investidores da bolsa.

Segundo o presidente da bolsa, apesar da tendência de crescimento, esse é um processo um pouco mais demorado, já que é necessário que o back office da bolsa brasileira seja desenvolvido nos sistemas dos investidores de alta frequência. Guardia afirmou ainda que a tendência é que o avanço no segmento Bovespa seja mais rápido do que como foi no segmento BM&F.  

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BDRs
As expectativas da bolsa também são altas para o mercado de BDRs (Brazilian Depositary Receipts) não patrocinados, que começaram a ser negociados por aqui em 2010. “Na Merval (bolsa argentina), 80% do volume é de BDRs; no México, são 30%”, exemplificou Pinto sobre as perspectivas para o programa. 

A meta é ter 100 BDRs negociados até o final do ano – atualmente, são 20. As primeiras licitações foram vencidas por Deutsche Bank e Citigroup – agora, o Itaú venceu a terceita, e deve escolher novos papéis para serem listados por aqui. O prazo médio de negociação de BDRs na bolsa brasileira, segundo os executivos, fica entre R$ 1 milhão e R$ 2 milhões. Atualmente, somente investidores qualificados podem aplicar nesses ativos, mas a bolsa informou que está discutindo como incluir grandes investidores pessoa física nesse barco também. 

Papéis pressionados e dividendos
Apesar das perspectivas positivas e dos resultados considerados excelentes pela administração, Edemir Pinto reconheceu a queda que vem sido apresentada pelos papéis da BM&F Bovespa – até o fechamento da véspera, a baixa em 2011 era de 9,37%.

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“Nosso papel representa a economia do País, mas é impactado por riscos regulatórios”, afirmou o executivo, referindo-se aos rumores de taxação de investimentos estrangeiros em bolsa que vêm rondando o mercado desde o final de 2010. “As iniciativas do Governo vão na contramão das especulações”, explicou Pinto, citando o reconhecimento do esgotamento do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) para alguns tipos de empréstimo, em especial para pequenas e médias empresas, além do pacote de incentivo ao mercado de capitais. 

“Para o País, esse clima de risco regulatório é ruim; ainda dependemos muito de capital estrangeiro”, pontuou o presidente da bolsa. 

Cabe dizer ainda que a BM&F Bovespa decidiu quebrar o seu padrão de distribuição de proventos e optou por distribuir 100% do lucro líquido em dividendos aos acionistas. 

Multa da receita
Questionado sobre a multa aplicada pela Receita Federal à empresa, o presidente da bolsa brincou: “Tinha até me esquecido disso”. Segundo ele, a empresa está muito tranquila com o assunto, que está aguardando julgamento – a expectativa é que a questão demore entre um e dois anos para ser resolvida.