Bolsas externas cedem à maior aversão ao risco causada por Líbia e Japão

Conflitos na África continuam e impulsionam petróleo; Moody's corta perspectiva do rating japonês para negativa

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SÃO PAULO – A intensificação dos protestos na Líbia continua pesando sobre o desempenho dos mercados acionários ao redor do globo, ao mesmo tempo em que força o preço do petróleo a uma forte alta. Com os conflitos no norte da África em foco, os investidores iniciam a terça-feira (22) mantendo o clima de cautela e aversão ao risco visto na véspera.

A diferença é que nesta sessão os mercados norte-americanos voltam a abrir, após o feriado do Dia do Presidente. Dessa forma, além das novidades sobre as tensões políticas africanas, o noticiário contará com dados sobre o mercado imobiliário e a confiança do consumidor nos Estados Unidos.

Às 11h (horário de Brasília) será divulgado o S&P/Case-Shiller Home Price de dezembro, que acompanha a trajetória dos preços das casas por meio de uma média móvel trimestral. Logo depois, às 12h, a Conference Board anunciará o Consumer Confidence de fevereiro, com projeções de alta de 65,6 para 67 pontos.

Líbia assusta, ONU e petróleo reagem
No norte da África, os conflitos entre manifestantes e forças do governo continuam nesta terça-feira, com organizações não governamentais estimando um total de até 400 mortos. As notícias mais recentes dão conta de bombardeios em bairros da capital Trípoli e de Benghazi.

A situação chama a atenção do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), o qual marcou uma reunião extraordinária para discutir o agravamento do panorama político no norte da África e no Oriente Médio.

Enquanto os conflitos no Egito – menos violentos – preocupavam o mercado devido ao transporte de petróleo através do Canal de Suez, as tensões na Líbia geram temores ainda mais diretos devido à sua posição de grande produtor de petróleo. Com a crescente possibilidade de uma guerra civil no país, as cotações da commodity disparam quase 8% em Nova York.

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Diante do cenário, o vice-ministro do petróleo da Arábia Saudita, príncipe Abdulaziz bin Salman Al Saud, afirmou em entrevista à CNBC que o país não deixará que interrupções de fornecimento do Oriente Médio impacte a oferta global de óleo. “O mercado sabe que a Arábia Saudita tem um robusto excesso de capacidade e um histórico de usá-lo quando necessário”, frisou.

Mais uma nota perdida?
Apesar de ser a referência mais importante da manhã, os conflitos no norte da África não são o único peso sobre os mercados nesta terça-feira. Mais cedo, a agência de classificação de risco Moody’s cortou a perspectiva para o rating soberano do Japão de neutra para negativa, levando em consideração as dificuldades do país em lidar com o crescente endividamento e déficit fiscal.

“Embora uma crise de financiamento seja improvável de curto para médio prazo, as pressões podem crescer no cenário longo, o que deve ser levado em consideração para o rating”, ressaltaram os analistas Thomas J. Byrne e Bart Oosterveld, responsáveis pelo relatório.

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EUA caro demais?
Não bastassem os problemas políticos e as perspectivas econômicas mais cautelosas, esta sessão também conta com previsões pessimistas sobre o mercado acionário mais líquido do mundo. Para Marc Faber, autor dos relatórios Gloom, Boom and Doom, o petróleo deve continuar subindo, porém o rali nas bolsas norte-americanas deve terminar em breve.

Em entrevista à rede indiana TV-18, Faber afirmou que “o mercado dos Estados Unidos irá acabar se juntando aos mercados emergentes na queda, porque se você tem uma visão pessimista sobre as economias emergentes, você não pode ser muito otimista sobre os Estados Unidos, já que para muitas empresas dos Estados Unidos, 50% ou mais dos lucros vêm das economias emergentes”.

Abertura doméstica
De acordo com a Ágora Corretora, “com o feriado norte-americano de segunda, a abertura desta terça deve se mostrar ainda perigosa, o que exige cautela dos investidores neste momento”. Com o cenário conturbado no norte da África e no Oriente Médio, os investidores devem ficar atentos às ações normalmente mais beneficiadas e prejudicadas pelo aumento da aversão ao risco e valorização do petróleo.

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Do lado positivo, costumam ser mais atrativas as empresas petrolíferas e os papéis defensivos, que ganham apelo por seus balanços mais previsíveis e pagamento de dividendos. Já do lado negativo, empresas diretamente impactadas pelo aumento dos preços do petróleo devem ser observadas de perto, como as aéreas.

Além do cenário internacional, o noticiário doméstico também pode influenciar o desempenho dos ativos no ambiente nacional. Entre o fechamento da última sessão e a abertura desta manhã, a TIM Participações (TCSL4) e o Itaú Unibanco (ITUB4) anunciaram os resultados do ano passado.

A companhia de telefonia fechou 2010 com lucro líquido de R$ 2,212 bilhões, número 176% maior do que o lucro pro-forma (junção dos ganhos de TIM e Intelig) visto em 2009, de R$ 801,223 milhões. Já o banco registrou ganho líquido de R$ 13,323 bilhões no ano passado, superando os R$ 10,067 bilhões obtidos em 2009.

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Ademais, o mercado avalia a declaração do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, de que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) receberá um novo aporte do Tesouro Nacional neste ano, visando o financiamento de projetos do setor produtivo. “Em 2009, o governo aportou R$ 100 bilhões. No ano passado, R$ 80 bilhões. Este ano, será menos de R$ 80 bilhões”, afirmou.

Por fim, na agenda de indicadores econômicos, o destaque fica com o IPCA-15 Índice Nacional de Preços aoConsumidor Amplo), que registrou aumento no ritmo de elevação dos preços com inflação de 0,97% em fevereiro, taxa 0,21 ponto percentual acima da registrada em janeiro. Os dados foram publicados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O Banco Central ainda divulga a Nota de Mercado Aberto, detalhando as operações realizadas nesse tipo de mercado. E a Serasa Experian publica o PIB mensal relativo ao mês de dezembro.