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A intensificação das manifestações populares na Líbia nesta terça-feira e a retaliação agressiva do governo deixaram os mercados ao redor do mundo em estado de alerta. Com o clima de aversão ao risco instaurado e a crescente preocupação em torno do fornecimento de petróleo, o barril futuro da commodity disparou 8,55% em Nova York, sua maior valorização percentual desde 12 de março de 2009, chegando a US$ 93,57. Neste cenário conturbado, o Ibovespa estendeu as perdas da véspera e terminou o dia nos 66.439 pontos, com queda de 1,22%. O giro financeiro do dia ficou em R$ 8,44 bilhões.
A baixa auferida pelo Ibovespa nesta terça-feira só não foi mais acentuada por conta do avanço registrado pelas ações da Petrobras, que possuem relevante peso dentro do índice. Em Wall Street e na Europa as bolsas também fecharam com baixas expressivas, pressionadas pelos eventos na Líbia.
Ações no radar do mercado
As imobiliárias voltaram a aparecer entre as ações do Ibovespa de pior desempenho, refletindo o temor de que o Banco Central venha a anunciar novas medidas macroprudenciais para conter a alta nos preços, o que impactaria o custo de capital destas empresas e poderia também colocar restrições ao crédito.
Por outro lado, a Petrobras mostrou forte valorização, amenizando a queda do Ibovespa. Nesta sessão, a estatal informou ter adquirido 50% de participação em bloco exploratório em Benin, país situado na costa oeste da África. A sequência de altas do petróleo nos mercados internacionais também tem impulsionado as ações da estatal.
As ações da Cielo e da Redecard também voltaram a aparecer entre os destaques positivos do Ibovespa, escapando da onda vendedora da bolsa neste começo de semana. Depois de um começo de ano desafiador, estas ações começam a se recuperar da forte queda acumulada em 2010 e no começo de 2011.
Conflitos na Líbia e Bahrein
Os protestos em larga escala na Líbia, no norte da África, e no Bahrein, na península arábica, voltaram a influenciar o mau humor dos investidores nesta terça-feira. Os protestos na Líbia pedem a deposição do chefe do estado Muammar Ghadaffi, que governa o país há 40 anos, e têm sido enfrentados com violência pelo governo, com a quantidade de mortos ultrapassando a casa das centenas, de acordo com agências internacionais.
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O ditador líbio foi à rede de televisão estatal nesta terça-feira para declarar sua permanência no país. Gaddafi disse preferir morrer como um mártir a deixar a Líbia. Com isso, os protestos populares iniciados em 15 de fevereiro ganharam força. Mesmo após perder o apoio de importantes diplomatas, militares e policiais, o governo de Gaddafi continua a combater os manifestantes.
A mesma situação também é vivida no Bahrein, onde já há relatos de mortos, enquanto a população pede por mais direitos.
Agenda
Na agenda interna, destaque para o IPCA-15, que registrou aumento no ritmo de elevação dos preços, com inflação de 0,97% em fevereiro, taxa 0,21 ponto percentual acima da registrada em janeiro.
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Em sua Nota de Mercado Aberto referente ao mês de janeiro de 2011, o Banco Central do Brasil revelou que o estoque total daDívida Pública Mobiliária Federal Internadiminuiu em R$ 61,437 bilhões, ou 3,83%, na comparação com o mês anterior. O estoque da DPMFi encerrou o primeiro mês do ano em R$ 1,542 trilhão.
A economia brasileira cresceu 7,4% em 2010 segundo o indicador Serasa Experian de Atividade Econômica. Essa é a maior taxa registrada num ano desde que o indicador começou a ser calculado, em 1991.
Referências dos Estados Unidos
Além das referências da agenda brasileira, os investidores também repercutiram dados vindos dos Estados Unidos na sessão. Por lá, a S&P divulgou que os preços dos imóveis norte-americanos caíram 2,38% em dezembro, na base de comparação anual. A queda no indicador foi menor que as expectativas de mercado, que projetavam recuo de 2,40% para o período, mas maior que da última medição, que apontou uma queda de 1,62%, conforme os dados revisados.
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A confiança do consumidor norte-americano medida pela Conference Board, por sua vez, ficou acima do esperado no mês de fevereiro. O Consumer Confidence indicou 70,4 pontos no mês, superando as expectativas do mercado, que mostravam 67,0 pontos. Vale ressaltar que o indicador revelou sinais de melhora em comparação com o mês de janeiro, cujo resultado foi revisado para 64,8 pontos.
Japão
A agência de classificação de risco Moody’s revelou nesta terça-feira ter cortado a perspectiva para o rating soberano do Japão de “neutra” para “negativa”, em meio às dificuldades do país em lidar com seu crescente endividamento e o déficit fiscal.
Dólar
O dólar comercial terminou esta terça-feira em alta de 0,30%, cotado a R$ 1,673 na venda. O BC promoveu um leilão de compra de dólares no mercado à vista, após não ter realizado nenhum na sessão anterior. A operação ocorreu entre às 15h40 (horário de Brasília) e fora finalizada às 15h45, ante taxa de corte de R$ 1,6706.
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Além disso, a autoridade monetária promoveu seu oitavo leilão de swap cambial reverso, movimentando US$ 848 milhões com a venda de 17.240 dos 20.000 contratos ofertados. É válido lembrar que, novamente, o Banco Central não avisou antecipadamente da operação.
Renda Fixa
No mercado de juros futuros da BM&F Bovespa, os principais contratos fecharam sem tendência definida. O contrato de juros de maior liquidez nesta terça-feira, com vencimento em abril de 2011, registrou uma taxa de 11,55%, 0,02 ponto percentual acima do fechamento de segunda-feira.
No mercado de títulos da dívida externa, o título brasileiro mais líquido, o Global 40, fechou em alta de 0,37% em relação ao fechamento anterior, a 134,55% do valor de face.
Já o indicador de risco-País teve variação positiva de um ponto-base em relação ao fechamento anterior, encerrando o dia em 181 pontos.